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O ENTARDECER

O ENTARDECER

UM PERCURSO JESUITA

 

  1. Introdução O percurso do jesuíta Carlos João Radem aker é um importante testemunho para a com preensão do com bate ideológico e político travado desde m eados do século XIX, em torno da questão religiosa. Restaurador da Companhia de Jesus em Portugal, Radem aker assistiu e participou no combate travado entre a Igreja Católica e o Estado liberal, pela autonomia e liberdade da Igreja dentro de uma nova matriz política. Em tomo da Igreja reúnem-se várias sensibilidades de resistência, que desenvolveram uma cultura de reacção face ao Estado liberal. O legitimismo ultramontano manifesta-se em jornais com o o Bem Público, enquanto o seu congénere político, o miguelismo, utiliza o bem conhecido periódico A Nação. Pelo outro lado, a herança regalista é interpretada pelos liberais de diversos matizes: os liberais moderados recebem a herança da revolução gostaria de agradecer os contributos e sugestões realizados (rara este trabalho pelo Dr. António Matos Ferreira no decurso das nossas conversas. Quero ainda agradecer o apoio c estímulo prestado pelo Dr. Bruno Cardoso Reis c Dr. Gilberto Pereira. ' (Como o carvalho atacado pelo machado / Nas negras florestas do Algido / Através de perdas c desastres / Recebe do próprio ferro mais força e mais vida.), transcrição do latim, Apud. LACOUTURE, Jcan. Os Jesuítas. 2" vol.. Lisboa. Editorial Estampa. 1993, p. 15. LIS1TAMA SACRA. 2‘ «éric. 12 I200«i 65-11V 66 NUNO OLAIO francesa, o sufrágio universal, a ideia de Estado, no entanto o catolicismo permanece com o o elem ento estruturador das suas crenças e acções. Encontramos como órgãos veiculadores destas ideias O Nacional c a Esperança. Observa-se ainda uma outra corrente no seio do liberalism o oitocentista, que recebendo a mesma herança ideológica, advinda do racionalismo revolucionário, opera um corte radical com os valores e estruturas do passado, valorizando um paradigma positivista assente na crença do progresso em detrimento das referências morais e escatológicas do catolicismo. Periódicos com o O Português e o Jornal do Comercio reproduzem algum deste pensamento, assumindo uma postura de denúncia e com bate aos malefícios que o clero provocava no seio da sociedade portuguesa, nomeadamente a nível educativo, assistencial e religioso. Não era ainda esquecida a relação que a Igreja em Portugal tivera com o governo de D. Miguel, facto relembrado no Parlamento e pela imprensa, junto da opinião pública. Carlos João Rademaker, missionário, orador brilhante e incansável defensor da Igreja Católica e do poder pontifício, devotou a vida ao combate pela manutenção da autonomia da Igreja dentro do Estado liberal. A maior parte dos trabalhos existentes sobre Rademaker desenvolvem uma perspectiva confessional da sua vida e obra. A primeira biografia sobre Carlos Rademaker deve-se a um antigo oficial do exército, Júlio Augusto Pires A obra. publicada em 1866. abrange a vida do jesuíta até aquela data, reproduzindo um discurso laudatório, recolhendo os elementos bibliográficos e até alguns biográficos no Dicionário de Inocêncio 5. O presente trabalho faz ainda referencia a alguns dos sermões do jesuíta. A seguinte obra é da autoria de um antigo jesuíta, o jornalista
  2. Manuel Borges Graínha 4. De simpatias republicanas, Borges Graínha dedica vários trabalhos à denúncia da Companhia de Jesus. A biografia de Carlos Rademaker encontra-se no prólogo da obra História do Colégio de Campolide da Companhia de Jesus escrita em Lxitim pelos Padres do mesmo Colégio onde foi encontrado o Manuscrito, nesta, descreve sucintamente a vida de Carlos Rademaker, se bem que com algumas incorrec ções relativam ente a datas e nomes. Júlio Augusto PIRES, Carlos João Rademaker. Esboço Biográfico, col. Os Contemporâneos. n° 8, Lisboa. 1866-1867. 1 Inocêncio Francisco da SILVA. Dicionário Bibliográfico Portuguez, T. II, Lisboa. Imprensa Nacional. 1859. pp. 32-33. 4 Manuel Borges GRAÍNHA, História do Colégio de Campolide da Companhia de Jesus escrita em Latim pelos Padres do mesmo Colégio onde fo i encontrado o Manuscrito, Coimbra. Imprensa da Universidade. 1913.