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O ENTARDECER

O ENTARDECER

OS PILARES DA NOSSA DEMOCRACIA

DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2008

 
Há já alguns anos , foi publicado um documento da Conferência Episcopal Portuguesa, sobre o estado em que se encontra o país e a nossa sociedade civil. Trabalho de muito mérito e de grande oportunidade. Mas os anos passaram e, até hoje, não houve vontade de mudar. Tudo continua na mesma, ou de mal a pior !
Nesse documento são apontados os chamados «7 Pecados Sociais», como causa de tal situação, e que são :
a)      os egoismos individualistas.
b)     o consumismo
c)      a corrupção
d)     a desarmonia do sistema fiscal
e)     a irresponsabilidade na estrada
f)       a exagerada comercialização do fenómeno desportivo
g)     a exclusão social
 
Na sequência desta publicação, o então grão-mestre do GOL, António Arnaut veio a publico apoiar esse trabalho da Igreja portuguesa, introduzindo somente mais um ponto em adição aqueles que foram evidenciados pela CEP.
h)   a comercialização da vida.
 
Os sete pontos que tinham sido destacados e se mantêm, têm em vista que o Estado precisa de uma verdadeira revolução e ruptura com o passado, seja na definição do âmbito do seu papel e actividade , seja na organização e forma de trabalhar.
Não podemos aceitar da classe política, dos empresários, das polícias, dos magistrados, e dos detentores do poder , em geral, um civismo que não seja o do conjunto da população. 
Impõe-se vigilância sobre todos os tipos de funcionamento democrático que pareçam esquecer as virtudes de que a própria democracia necessita.
 
Os pilares da nossa democracia, têm de ser reconstruídos.
 
Muito mais que a vontade da maioria votante, a democracia tem necessidade de virtude, tanto para os dirigentes como para os cidadãos. Tem necessidade de uma ética que assente num sistema de valores essenciais : ou seja, aquilo a que chamamos o respeito pelos valores humanos.
 
Os políticos só agindo em prol do bem comum, ao serviço de todos e sem ambição de poder, podem assegurar uma verdadeira sociedade democrática.

Por fim, a democracia tem forçosamente de conduzir a uma sociedade de modo a que cada ser humano reconheça todos os outros como irmãos e os trate como tal. De fora, nunca pode ficar a igualdade de oportunidades para todos. Quando organizações com a credibilidade das acima citadas, tornam públicas as suas muito legítimas preocupações sobre a nossa sociedade civil, salvo melhor opinião, não podem, elas próprias, deixá-las cair no esquecimento. Mesmo que o poder político finja que não viu, nem ouviu !  

António Reis Luz

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