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O ENTARDECER

O ENTARDECER

O DÉFICE ORÇAMENTAL

 

O deficit orçamental de 7% em 2009, por si só, não indica que as contas públicas não estejam controladas. Não estão, mas não é o deficit orçamental de 2009 que o demonstra.

Se quase 5% deste deficit se dever à intervenção do Estado na Economia como reacção à crise internacional, essa despesa será transitória. Acaba a crise, os apoios do Estado para a combater deixam de ser necessários e essa despesa desaparece, baixando imediatamente o deficit.
Acontece que ninguém diz isto, o que indica que já está interiorizado que essa despesa extra não é conjuntural mas sim estrutural. E isso é muito estranho.

O que indica que as contas públicas não estão controladas é a forma como se chega aos 2 e tal por cento de deficit orçamental em 2008.
A despesa pública aumentou em todos os anos da Legislatura, tanto em valor absoluto como em percentagem do PIB. Em todos os anos foram realizadas despesas extraordinárias. Em todos os anos a receita fiscal subiu. E em todos os anos, o Estado deixou de fazer investimento público que tinha previsto no Orçamento.

Como as despesas extraordinárias devem ser um expediente de recurso, não podem continuar a ser usadas indefinidamente para melhorar (mascarar?) o deficit público.
A receita fiscal não pode continuar a subir.
E o investimento público não pode continuar a ser reduzido indefinidamente.
Isto significa que o deficit orçamental baixou realmente mas de forma conjuntural e não estrutural (o que seria realmente controlar as contas públicas).

Assim, o deficit público, de 2 e tal por cento ou de 7 por cento, é uma mentira. E a afirmação de que as contas públicas estão controladas é uma piada cruel e ridícula.
Alguém ignorante em assuntos económicos e financeiros, pode olhar para uns números que não percebe e acreditar nas mentiras que lhe são ditas. É mau

E o pior de tudo é quererem impor uma despesa pública adicional brutal, em investimentos de vantagens discutíveis e que, com os juros e deficits operacionais, vai arrasar as contas públicas durante muitos anos.

O que o PS está a tentar fazer não é apenas uma má opção política. É perigoso.
Infelizmente, não foi nem será feito nenhum debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite só sobre Economia.

Se fosse e Manuela Ferreira Leite estivesse em boa forma, a questão deixaria de ser sobre quem ganhará as eleições e passaria a ser sobre se a maioria do PSD seria absoluta ou não.

                 13 Setembro, 2009 às 3:08 pm