Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O ENTARDECER

O ENTARDECER

O CASTIGO DE SISIFO

Conta o mito que Sísifo foi fundador e rei da atual cidade grega de Corinto. Certo dia, Sísifo viu quando Zeus sequestrou a filha de um outro rei grego e denunciou o Senhor do Olimpo ao pai da moça. Zangado, Zeus manda Tânatos (a morte) atrás de Sísifo que, além de conseguir fugir da morte, ainda a aprisiona. A partir daí, ninguém mais morreu e Hades, Senhor do Reino dos mortos, foi queixar-se a Zeus que acabou libertando Tânatos.

A morte, então, conseguiu capturar Sísifo e levou-o ao mundo dos mortos. O que nem Tanatos nem Hades sabiam é que Sísifo havia ordenado a sua esposa que ela não lhe prestasse as homenagens fúnebres de costume. Sísifo não pode, dessa forma, ser recebido na morada dos mortos e propôs a Hades que o deixasse voltar ao convívio dos vivos para resolver o problema e castigar a esposa por tão grande desonra. Resultado: Hades consentiu e Sísifo, mais uma vez, se escapuliu. Não é a toa que Sísifo ficou conhecido como o mais esperto entre todos os homens.

E com tanta esperteza, Sísifo viveu até à mais avançada velhice, quando morreu naturalmente. De volta ao reino de Hades, recebeu como castigo a tarefa de rolar uma enorme pedra até ao cume de uma montanha; mas sempre que chegava lá a pedra rolava montanha abaixo e ele tinha que recomeçar sua tarefa por toda eternidade.

Assim, como Sísifo, muitos são os que tentam fugir da morte tentando os mais diversos caminhos. O problema é que, qualquer que seja o caminho tomado, sempre vai acabar no mesmo lugar: na "curva da estrada" , como disse Fernando Pessoa. Nenhuma das artimanhas de Sísifo impediu que, no fim da vida, também ele contornasse essa “curva”. Fugir da morte é inútil, assim como inútil é a tarefa que Sísifo executa empurrando a pedra montanha acima. Eis o sentido do seu castigo: lembrar-lhe – e lembrar-nos também – a inutilidade da sua “esperteza” durante a vida.

Aceitar a inevitabilidade da morte, porém, não é o mesmo que sentar-se e esperar que ela nos venha visitar. O que fazer, então? Uma resposta possível está no que disse o filósofo romano Lúcio Sêneca: “deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”. A vida é para se aprender a viver, a amar – como disse dom Hélder Câmara, por exemplo – mas também para se aprender a morrer. E é isso que nos falta, aprender a morrer, não no sentido de suicidar-se, mas no de preparar-se para ela (morte). Aprender a caminhar até à “curva da estrada”, sem pressa, sem, todavia, se deter pelo caminho.

Site  Portal Graecia Antiqua

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D