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O ENTARDECER

O ENTARDECER

Não há uma sem duas….

 

Nem duas sem três ou …quatro ….

1 º O pesadelo escolar

O Estado não tem dinheiro para mandar reparar escolas onde chove nas salas ou onde os alunos tremem de frio e ninguém se espanta. O Estado, aliás, está agarrado a contratos leoninos com os “Parques Escolar” em 69 escolas onde gasta mais de 40 milhões por mês, apesar de ser notório o incumprimento da outra parte, mas já nem o BE ou o PCP se incomodam.

A secretária de Estado Alexandra Leitão tem feito um esforço meritório para enfrentar os problemas, mas a herança deixada pela megalomania dos governos de Sócrates não deixa grande margem. A “festa”, como dizia a ex ministra Lurdes Rodrigues sobre os Parques Escolar, acabou em pesadelo.

CM- Eduardo Dâmaso

2 º “200 Escolas precisam de obras com urgência”

CM – Há muitas escolas em Portugal com problemas?  

AR- _ Existem mais de 200 escolas a nível nacional a necessitarem de obras com urgência, de forma a evitar tragédias. Além disso, se investissemos na sua requalificação, evitava-se a emigração de milhares trabalhadores da construção.

CM – Qual a importância do investimento do Estado na requalificação das escolas para o sector da construção?

-Com a requalificação do Parque Escolar, evitava-se que mais de 10 mil trabalhadores saíssem do País. Se o sector da construção é tão importante, como apregoa o primeiro-ministro, então vamos apostar nele e na preservação do património do Estado que é de todos?

AR- É claro que quando me refiro a obras em 200 escolas sei que não é possível serem realizadas todas ao mesmo tempo. É necessário começar por aquelas em que o estado de degradação é mais visível e depois nas outras, de forma faseada. O dinheiro é público e tem de ser bem aplicado.

Presidente do Sindicato da Construção de Portugal - AR

3 ª Paixão pela educação

A degradação para além do admissível do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, tem anos. Mas só na semana passada mereceu atenções nacionais e até teve honras de discussão parlamentar. Já, estamos, infelizmente habituados a estes números de inspiração circense, mas não deixou de surpreender todos falarem sem corar de vergonha. O PSD foi responsável por adiar as obras e, sobretudo, por não mais ter retomado o assunto. O PS já está no poder há tempo suficiente e em Setembro até teve o alerta e a disponibilidade para negociar com Rui Moreira, mas fez o mesmo que o antecessor; preferiu manter o assunto atolado na burocracia do que iniciar as obras.

Catarina Martins não se indignou: visitou a escola, viu que chovia nas salas mas conformou-se a escrever nas redes sociais que “a solução pode estar num protocolo por assinar entre o governo e autarquia para aproveitar fundos europeus.” Todos apaixonados pela Educação. Portanto.

Apesar de ser um edifício classificado, com as janelas partidas, os tetos a cair e os ratos a passear, como escrevia Pacheco Pereira, antigo aluno do Herculano, nada feito. Agora parece que vai ser. Mas só acredito quando vir,. No Herculano e em todas as outras escolas que estão em situações semelhantes.

CM – Rui Hortelão