Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O ENTARDECER

O ENTARDECER

MORTE ANUNCIADA

 

 DESTRUIR, QUALQUER UM O PODE FAZER!

 

Associação Cultural de Queijas - Junt' arte

 

 Era, desde princípios de Setembro de 1999, uma realidade legalmente constituída.

 Contudo, ela nasceu efectivamente algum tempo antes, precisamente, na altura em que a Junta de Freguesia fez as comemorações do seu 6.º aniversário, Fevereiro de 1999.

Nas andanças do Presidente da Junta de então, em resposta a convites de outras freguesias, ele tinha sempre o maior prazer em encontrar gente de Queijas participando em exposições de pintura e artes plásticas noutras freguesias.

Foi então que todos perguntámos; porquê aqui e não na nossa terra?

Palavra passa palavra, e aconteceu o maior acontecimento cultural de Queijas, a sua primeira Exposição Colectiva de Pintura e Artes Plásticas, que reuniu mais de 40 participantes.

 

Foi bonito de se ver durante dez dias, registando a visita de centenas de visitantes..... Até ministros!

 

E agora?

 

Foram outras perguntas que colocámos uns aos outros. Perder todo este trabalho e capital de experiência, tão arduamente amealhado, nem pensar!

Apertámos mais as mãos, que ainda estavam dadas, e em uníssono decidimos: vamos em frente.

A Junta cedeu instalações, apoiou, e o projecto lindo nasceu, chamando-se Junt'arte - Associação Cultural de Queijas.

Todos éramos gente sem fortuna à mão, por isso haveríamos de ser fortes e criativos. Fomo-lo, e a obra sonhada passou também a ter Estatutos,  Regulamentos e Corpos Associativos.

Teve também legalização formalizada com escritura e respectiva publicação em Diário do Governo.

Nos nossos estatutos e regulamentos, aparecem gravados alguns princípios cheios de idealismo associativo.

Qualquer pessoa pode aparecer e inscrever-se, independentemente dos conhecimentos que tenha ou das suas possibilidades económicas.

A idade não conta, pode ser, de maneira pouco rígida, dos oito aos oitenta.

Os professores são os que sabem, os outros são alunos. Mas como ninguém sabe tudo, um formador numa valência pode ser aluno noutra, e o contrário também é verdadeiro.

Com o tempo, virão os mestres.

Com esta linha de orientação foi sempre a somar sócios e êxitos. Muitos êxitos em muitas exposições colectivas, na nossa terra e pelos arredores.

Exposições em pintura, cerâmica e artes decorativas estiveram à disposição da população em Queijas, no concelho de Oeiras e noutros concelhos.

 

Talvez a que mais nos tenha marcado, tenha sido uma realizada no Palácio dos Anjos em Algés, com o patrocínio da Câmara Municipal de Oeiras.  

Também surgiram dificuldades, mais derivadas de gente que não consegue fazer a separação entre cultura e política. É a vida... por vezes com altos custos e danos morais e materiais, para as pessoas e respectiva freguesia! +Hoje volta a acontecer. Isto é um crime hediondo!

Nessa actualidade, os alicerces estavam sólidos, o edifício estava (aparentemente) indestrutível desde que sem intromissão de gente com pouca dignidade, e Queijas, teria a sua Associação Cultural.

 

Alguma coisa foi entretanto mudando, os ideais da fundação tiveram que ir dando lugar a uma orientação mais realista.

Assim, começámos por ter monitores muito competentes e algo profissionais, as estruturas financeiras foram-se estabilizando.

 

A autarquia (CMO)  foi apoiando numa responsabilidade que é sua, ajudando a propiciar uma actividade cultural à sua população de Queijas.  

Mais tarde, entrou a política no assunto, como vai acontecendo pelo nosso país!

A Junta de Freguesia remodelada só destruiu! E continuou, infelizmente a fazê-lo!

Nós, os seus fundadores, continuámos a sonhar, mas com os pés no chão, nem que para isso haja, como houve, membros da direcção a fazerem a limpeza das exíguas instalações que o Centro Social de Queijas, por intermédio do seu Pároco, nos cedeu.

Por virtude da mesma política tivemos de nos mudar para a Rua Júlio Diniz n.º 20A.

As pessoas de Queijas tiveram sempre à sua disposição, um lugar onde podiam conviver e praticar cultura, a preços módicos, nalguns casos até, sem necessidade de pagar.

Ao abrigo de um protocolo, os monitores da Junt’ Arte, deram também acompanhamento cultural adequado aos utentes do Centro Social (lar) em Queijas e Linda a Pastora.

 

Muitas peças valiosas, degradadas, da Igreja local, foram sendo recuperadas pela nossa associação e devolvidas à paróquia.

 

Foi pintado um crucifixo símbolo da “Nova Evangelização. E doado à Igreja.

 

Igualmente acarinhámos o teatro local, através do Grupo de Teatro Fersuna, com exibições em vários palcos, nomeadamente nas “Mostras de Teatro do Concelho”.

  

Um grupo de gente quase anónima, teve sobre os seus ombros a responsabilidade de fazer a cultura caminhar nesta freguesia de Queijas, mais tarde sem qualquer apoio da autarquia local (JUNTA), só eles poderão dizer porquê, mas até há pouco, felizmente, com o apoio da nossa Câmara Municipal.

 

Foi a ela que continuámos a pedir um espaço cultural digno e, essa é a razão pela qual tanto temos lutado na defesa da Casa de D. Miguel, imóvel degradado, central e historicamente ligado à cultura.

A política tornou-se intragável e movida por gente sem preparação social nem gestora!

 

Assim, bati com a porta e afastei-me não tardando o grande edifício construído a ser destruído e reduzido a zero!

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.