Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O ENTARDECER

O ENTARDECER

Memórias Paroquiais de 1758

Memórias Paroquiais de 1758

Esta aplicação resulta da colaboração entre o Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e uma equipa da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, abaixo indicada.

O IAN/TT forneceu as imagens digitalizadas das Memórias Paroquiais e a equipa referida foi responsável pela sua disponibilização neste site.

As Memórias Paroquiais

As Memórias Paroquiais inserem-se num esforço de realização de inquéritos sobre o território, que vinha do começo do século XVIII. A sua execução continua o trabalho do Pe Luís Cardoso que, entre 1747 e 1751, publicou dois volumes do seu Dicionário Geográfico, que ficou incompleto. O projecto é retomado em 1758, com apoio do governo, sendo o questionário de base ampliado e dividido em 3 partes, contendo perguntas sobre a paróquia, a serra e o rio. O inquérito era dirigido aos párocos e a qualidade das respostas é muito diferenciada, dependendo do empenho e da capacidade de cada um dos eclesiásticos. A documentação é composta por 44 volumes manuscritos, compreendendo as respostas dos párocos e os resumos relativos a um conjunto de paróquias para as quais não existem "memórias".

Metodologia seguida na disponibilização

As imagens das Memórias Paroquiais são acessíveis a partir da carta de freguesias de 1758, existindo uma caixa de pesquisa que facilita a localização destas últimas a partir do respectivo nome. De forma a enquadrar as freguesias na divisão administrativa e religiosa da época, o utilizador pode sobrepor os vários níveis destas cartas às de freguesias. Se pretender verificar a evolução registada entre 1758 e 1991, pode também activar os distritos, concelhos e freguesias existentes neste último ano.

Na base desta aplicação está o SIGMA, Sistema de Informação Geográfica e Modelação de Dados Aplicado à História de Portugal, que tem vindo a ser desenvolvido, desde 1993, em vários projectos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O SIGMA nasceu da tentativa de resolver os problemas de comparação de dados decorrentes da profunda mudança na divisão administrativa do território de Portugal Continental ocorrida entre 1832 e 1836. De facto, antes da criação deste sistema era praticamente impossível comparar informações referidas a unidades territoriais tão diferentes como as que existiam antes e depois daquela alteração.
O Sigma, através da utilização conjugada de uma base de dados relacional e de um Sistema de Informação Geográfica, permite não só registar, gerir e cartografar a informação relativa a qualquer dos anos abrangidos pelo sistema, como transpor essa informação - desde que disponível por freguesia - para outras datas e cartografá-la de acordo com unidades territoriais distintas das que serviram de base à recolha original dos dados. Neste momento, o Sigma cobre o período de 1758-1911, para Portugal Continental, e 1840-1911, para as ilhas dos Açores e da Madeira.

As cartas são construídas com base numa metodologia retrospectiva, partindo do mapa administrativo de 1991. Contudo, a necessidade de corrigir lacunas e emendar erros existentes, sobretudo ao nível da freguesia, levou-nos a tentar reconstituir os limites destas unidades territoriais quando, entretanto, tinham sido incorporadas noutras ou quando as suas fronteiras suscitavam dúvidas.

Limitações

Apesar da metodologia reconstitutiva ter possibilitado cartografar um maior número de freguesias e corrigir uma boa parte das lacunas existentes nas cartas de anos mais recuados, persistem algumas falhas que, provavelmente, só poderão ser ultrapassadas através de trabalhos de investigação de âmbito local.
Assim, para o ano de 1758, do total de freguesias do Continente (4073), não foi possível desenhar 423, ainda que saibamos a freguesia ou freguesias em que foram incorporadas. Deste modo, foi possível fazer a sua identificação e localização aproximada nos vários mapas, tendo por referência as unidades de que passaram a fazer parte.

Paróquias não identificadas: há ainda 14 paróquias de 1758 cuja correspondência com as de 1991 não foi possível efectuar. É provável que, hoje em dia, sejam simples lugares de outras freguesias. A lista das mesmas é a seguinte (entre parêntesis o concelho, comarca ou província a que pertenciam em 1758): Covide (Neiva), Escutelo (Bragança), Pedrógão (Coja), Real de Corvos (Neiva), Sabugal (Foz Côa), Santiago (Óbidos, Alenquer), Santíssimo Milagre (Santarém), S. Antão (Évora), São Julião (Santarém), São Lourenço (Santarém), Senhora da Orada (Coimbra), Sérvio (Miranda do Corvo), Valongo (Douro), Vila Real (Juromenha).

Carta de base

A carta de 1758 foi elaborada a partir da Carta Administrativa Oficial de Portugal relativa ao ano de 1991, publicada pelo Instituto Nacional de Estatística em formato vectorial, igualmente disponível neste site.

Equipa de investigação:

Luís Nuno Espinha da Silveira (investigador responsável)
Daniel Ribeiro Alves (gestão da base de dados)
Nuno Miguel Lima (recolha de informação e tratamento de imagens)
Ana Alcântara (recolha de informação e tratamento de imagens)