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O ENTARDECER

O ENTARDECER

FIGURAS DE ESTILO

"Só as obras bem escritas hão-de passar à posteridade". Essas palavras foram escritas por um naturalista, o Conde de Buffon, ao tomar posse na Academia Francesa, em 1753. Mais conhecido por uma frase que se tornou famosa (le style c'est l'homme même) do que talvez pelos 36 volumes da sua História Natural, o dito buffoniano, pesando embora as interpretações divergentes que tem suscitado, contínua na ordem do dia.

Muitas foram e serão as definições de estilo. Algumas marcadas por um certo radicalismo: "ter estilo é não ter estilo". Mas, não é nosso propósito percorrer o universo de teorias que, ao longo das épocas, se foram formando em torno deste assunto. Aqui, tentaremos apenas fazer um levantamento dos principais recursos de que os prosadores, oradores e poetas se servem para tornarem mais sugestivas, expressivas e duradouras a suas ideias, os seus pensamentos, as suas mensagens... Ou, porque não dizê-lo, a sua Arte. E, neste sentido, o estilo é o que os particulariza e os eleva à condição de verdadeiros artistas.

A propósito, deixemos aqui as palavras de Aquilino Ribeiro, para que o leitor possa refletir sobre o valor do estilo e, ao mesmo tempo, perspetivar uma definição possível:

«Em literatura o estilo é como o álcool para os corpos embalsamados: conserva-a. Toda a literatura que resiste à corrosão do tempo deve-o ao estilo. Homero, Cícero, Shakespeare, Camões, Voltaire, Tolstoi foram grandes estilistas. Quer isto dizer que o estilo seja uma arte? De modo algum. Mas sem estilo nenhuma obra se salva.

Acresce que a nossa língua está tão pouco clarificada que apenas pensa com precisão e justeza quem escreve corretamente. Julgar que em nome duma postiça originalidade ou evidenciação do humano haja de se abolir a técnica é pueril. E fazer tábua rasa da experiência adquirida no domínio da expressão não pode deixar de representar um inútil, inglório e malogrado intento. A palavra é como o mármore na estátua; dar a essa matéria semblante de vida, curvo voluptuoso, sombras quentes, frémito, solidez, eis o difícil objectivo que não se alcança de golpe. Com verbo desordenado, segundo a flux apocalíptica da imaginação, só poderá obter-se uma turva e destrambelhada arte.»

Por outro lado, queremos que tomem consciência sobre o peso e utilidade da Retórica, termo frequentemente interpretado em sentido pejorativo, tido como sinónimo de verborreia.

O tratado antigo mais conhecido é a Retórica de Aristóteles. A importância da comunicação oral nessa época era muito grande pois os assuntos públicos eram tratados nos foros públicos. Mesmo nos nossos dias, os que têm a seu cargo as deliberações dos países e os diversos partidos políticos necessitam de estruturar convenientemente os seus discursos para que as suas mensagens sejam acolhidas pelos cidadãos.

Significa isto que os artifícios e as técnicas discursivas não são exclusivas do texto literário, seja prosa ou poesia. Eles são indispensáveis na própria comunicação, pois é necessário cativar e persuadir para mover à ação. Veja-se, por exemplo, a realização dos anúncios publicitários, sejam os de teor didático-pedagógico, sejam os de natureza puramente comercial.

Após estas ligeiras considerações, resta-nos somente precisar as coordenadas em que assentamos para produzir este modesto, mas sério, trabalho.

É comum distribuírem-se as figuras de estilo em três grandes categorias:

a) Figuras de Sintaxe ou de Construção 

(ElipseZeugmaPleonasmoAnáfora,AnástrofeHipérbatoAnacolutoAssíndetoSilepse);

b) Figuras de Pensamento Interrogação  (Pergunta de Retórica), Exclamação, HipérboleApóstrofeProsopopeia  (Personificação ou Animismo), PerífraseAntítese,OxímoroParadoxoGradaçãoc) Tropos  (Comparação, MetáforaImagemAlegoriaIroniaEufemismo,DisfemismoSinédoqueMetonímia).

 

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