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O ENTARDECER

O ENTARDECER

DO LIVRO EGÍPCIO

AOS NOSSOS TEMPOS

Os estudos tradicionais consideravam o Egipto como o berço da escrita, porém, hoje está claro que a escrita suméria é anterior a esse tempo. Contudo, desconhece-se a origem da escrita egípcia. Se por um lado se diz que foi uma criação original, nascida da necessidade de resolver os problemas de uma completa organização social, outros dizem que deriva dos Sumérios. O sistema egípcio reproduz, quase totalmente, a língua falada, e reflecte realidades abstractas e concretas. Era formada por três tipos de signos: pictogramas (desenhos que representam coisas), fonogramas (desenhos que representam sons) e outros signos determinantes.

A maioria das vezes lia-se da esquerda para a direita, outras vezes uma linha da esquerda para a direita, e a seguinte da direita para a esquerda, a leitura estava indicada pela orientação das cabeças de homens e pássaros, porém às vezes a representação de um Deus trocava o sentido da leitura, o qual ficava muito complicado. Além dessa, existiram mais dois tipos de escrita: a hierática ou sacerdotal, estilizada e usada em papiros religiosos e oficiais e a demótica, também chamada escrita do povo. Podemos dizer que os egípcios foram os que introduziram no mundo clássico a forma material do livro, o uso do papiro em forma de rolo, o emprego da tinta e a utilização das ilustrações como complemento explicativo do texto.

Em seguida, aparece o nascimento do Alifato nas costas do oriente mediterrâneo (Síria, Fenícia e Palestina) que se divide em dois subgrupos: o fenício que derivou do alfabeto grego e dos demais; e o aramaico, dele derivando o hebreu e o árabe, tendo esta última, uma incidência decisiva na nossa história, já que ela transcreveu alguns textos dos livros do Antigo Testamento. A partir do século IX aparece o alfabeto grego com 24 letras incluindo as vogais. Porém, somente na época clássica, no chamado século de Péricles, quando se estende a produção e comércio de livros, generaliza-se a leitura individual. Graças as obras filosóficas e teatrais a leitura expande-se e acelera-se a produção e comércio de livros na Grécia, com notícia da existência de célebres bibliotecas públicas e privadas. No ano de 550 a C., o tirano Pisístrates construiu uma biblioteca pública e a célebre biblioteca de Aristóteles, nascido em 384 a C, foi transferida para a biblioteca de Alexandria após sua morte. Do livro romano, assimilando os frutos da civilização grega, pouco se tem a comentar, somente o tipo de escrita utilizada, denominada letra capital ou maiúscula, utilizada desde o século III a. C. Até ao século VI d.C. a sua decoração em forma de pequenos quadros com certas reminiscências da técnica iconográfica das pinturas murais de Pompeia. Em seguida, a história do livro mostra-nos os Códices, sua forma de utilização, seus elementos decorativos, e sua produção. O Códice do vocábulo latino-codex, significa "fragmentos de madeira", um conjunto de lâminas de qualquer material, unidos entre si por anéis ou tiras de couro e protegidas por uma capa, sendo que seis rolos eram iguais a um Códice.

Surgiu-se a partir desse período, o Códice Bizantino e a iluminação bizantina que abrange os séculos IV-V, declinando com o apogeu da iluminação ocidental, com cores mais ténues e foscas. A encadernação bizantina tendo como características principais capas cobertas com materiais de luxo, couro, seda e brocados, chegando até ao uso de metais preciosos. Com a queda do Império Romano, a produção de livros teve uma lenta evolução, culminando com as invasões bárbaras, no século V, desaparecendo a aristocracia culta e dedicada aos estudos, em consequência, há um grande empobrecimento e uma grande ruralização, aumentando o analfabetismo e surgindo o monaquismo, com o objectivo de fomentar a austeridade cristã através dos ideais ascéticos e da vida eremita, sendo marcada pela ordem beneditina, criada por Benito de Nursia, no século V, no Mosteiro de Montecasino. Os temas eram religiosos. Todos os mosteiros tinham um exemplar da Bíblia, geralmente em grande formato e às vezes ricamente decoradas. Comentários bíblicos, os salmos e evangelhos, obras dos padres da igreja (São Agostinho, São Gregório e São Isidoro) e algum texto clássico que os monges utilizavam para praticar a língua latina. Com a invasão muçulmana no ano de 711, a Espanha e toda a Europa provoca a convivência de três culturas livreiras: dos reinos cristãos ou Mozárabe, islâmica e a hebraica, que se estende até ao século XII. Neste período, as ilustrações são ricas, pois pretendiam dar um ensino visual, já que as pessoas não sabiam ler e também porque eram personagens importantes, os desenhos são toscos, puramente românicos, sem perspectivas, porém são brilhantes e coloridos.