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O ENTARDECER

O ENTARDECER

A NOÇÃO DE TEMPO

 

O Homem cada vez mais sentia a necessidade de apurar a noção do tempo em que vivia, parece estranho, mas existe uma linha do tempo e ele queria domina – la . Para tal precisava do auxílio de um instrumento a que mais tarde iria chamar relógio.

Desde a Antiguidade, quando os agricultores sabiam a hora pela posição do sol, até aos dias de hoje, quando já dispomos de relógios atómicos, muita coisa interessante aconteceu... para medir uma abstracção!

3500  a. C. – A cultura sumeria foi perdida. Aparentemente, os egípcios foram os seguintes a dividir os dias em partes, algo parecido com as nossas horas. Já em 3500 a . C. construíram obeliscos cujas sombras em movimento formavam uma espécie de mostrador solar, possibilitando dividir o dia em manhã e tarde. Os obeliscos também mostravam o dia mais longo e o mais curto quando a sombra do meio-dia era a mais longa ou a mais curta do ano. Mais tarde, marcadores adicionais ao redor da base do obelisco indicavam outras subdivisões do tempo.  

1500 a . C. – Outro Relógio de Sol ou Gnómon egípcio, possivelmente o primeiro medidor de tempo portátil, foi usado ao redor de 1500 a . C. . Este dispositivo dividia a parte iluminada de um dia em 10 partes, com duas “ horas crepusculares “ na manhã e à tarde. Quando o ponteiro, com 5 marcas em espaços desiguais, era orientado pela manhã para leste e oeste, uma viga levantada na ponta leste projectava uma sombra móvel sobre as marcas. À tarde, o dispositivo era deslocado para a posição oposta para medir as “horas” vespertinas. As horas eram mais curtas no inverno e mais longas no verão.  

1500 a . C. – Os Relógios de Água estão entre os primeiros medidores de tempo que não dependiam da observação de corpos celestes. Um dos mais antigos foi encontrado na tumba do faraó egípcio Amenhotep I, enterrado à volta de 1500 a . C. . Mais tarde, estes medidores seriam utilizados pelos gregos.

950 a . C. – Homero menciona em suas obras os períodos do dia e do ano solar.

600 a . C. – O Merkhet, a ferramenta astronómica mais antiga que se conhece, foi desenvolvido pelos egípcios. Usava-se um par de Merkhets para estabelecer a linha norte-sul ( ou meridiano) alinhando-os com a Estrela Polar. Podiam então ser usados  para indicar as horas nocturnas determinando quando certas outras estrelas cruzavam o meridiano. Na mesma época, Beroso fez referência a um relógio de sol, chamado “ pedra horária”, construído na Babilónia.

350 a . C. – Os Relógios de Água foram utilizados pelos gregos, que os chamavam de Clepsidra, palavra que significa “ ladrão de água”   (clept = roubar e hidra = água ) . Eram recipientes de pedra com declives laterais que permitiam o gotejo da água através de pequenos orifícios existentes no fundo, num escoamento praticamente constante. Outras clepsidras eram recipientes cilíndricos ou em forma de tigela que eram preenchidos lentamente com um fluxo de água constante. Marcas na superfície interna mediam a passagem das “ horas” quando eram alcançadas pelo nível da água. Estes relógios eram utilizados para determinar tanto as horas nocturnas como diurnas. Outra versão consistia numa bacia de metal com um orifício no fundo. Quando era colocada num recipiente com água, a bacia era preenchida lentamente até que afundasse. Estas bacias ainda são utilizadas no norte de África nos dias de hoje.     

300 a . C. – Tentando melhorar a precisão das medidas durante o ano, os relógios de sol evoluíram de placas horizontais ou verticais para formas mais elaboradas. Uma das versões era um mostrador hemisfério, uma depressão em forma de cuia ( vasilha) cavada num bloco de pedra, contendo um gnómon ( ponteiro) e inscrito em conjuntos de linhas de horário para as diferentes estações do ano. O hemiciclo, ao que parece inventado à volta de 300 a . C. , eliminou a metade sem uso do hemisfério, dando uma aparência de “ meia bacia” cortada na borda de um bloco quadrado. 

287 a . C. – Arquimedes inventa as rodas dentadas.

157 a.C. - Roma conhece a Clepsidra, levada por Scipião Násica.

27 a.C. - É erigido no Campo de Marte, em Roma, um obelisco com a função de Gnómon.

100 a.C. a 500 d.C. - Relógios de água mais elaborados e imponentes foram desenvolvidos pelos horologistas e astrónomos gregos e romanos entre 100 a.C. e 500 d.C.. A maior complexidade visava tornar o fluxo mais constante através da  regulação da pressão e oferecer mostradores mais atractivos. Alguns relógios de água tocavam sinos ou gongos. Outros abriam pequenas portas e janelas para mostrar figuras humanas ou moviam ponteiros, mostradores e modelos astrológicos do universo. Um astrónomo macedónio, Andronikos, supervisionou a construção do seu Horologion, conhecido hoje em dia como a Torre dos Ventos, na praça do mercado de Atenas na primeira metade do século 100 a.C. Esta estrutura octogonal mostrava para os sábios e os compradores um relógio de sol e indicadores de horas mecânicos. Apresentava uma clepsidra mecanizada e indicadores para os oito ventos, o que deu o nome à torre, além de mostrar as estações do ano e datas e períodos astrológicos .Os romanos também desenvolveram clepsidras mecanizadas, mas sua complexidade melhorou muito pouco os métodos mais simples.

30 a.C. - Vitruvius descreveu 13 estilos diferentes de relógios de sol usados na Grécia, Ásia Menor e Itália.

250 d.C. - As Ampulhetas ou Relógios de Areia eram, na verdade, clepsidras transportáveis. Toda fechada, à prova de vazamento, construída, como era tradicional, por dois vasos — um em sentido superior ao outro e ligados internamente por um orifício por onde a areia escoava.

200 a 1300 - No oriente, a fabricação de relógios astronómicos/astrológicos mecanizados desenvolveu-se de 200 a 1300. Clepsidras chinesas do século III accionavam vários mecanismos que ilustravam fenómenos astronómicos. Uma das torres-relógio mais elaboradas foi construída por Su Sung e seus colaboradores em 1088. Em 1090 Su Sung publicou um tratado sobre relógios de torre movidos a água. O mecanismo utilizado por Su Sung incorporava um escape movido a água inventado ao redor de 725. A torre-relógio de Su Sung, com mais de 9 metros de altura, possuía uma esfera armilar de bronze para observações, um globo celestial com rotação automática e cinco painéis frontais com portas que permitiam ver manequins que tocavam sinos ou gongos que seguravam tabuletas que indicavam a hora ou outros momentos especiais do dia.

721 - Y. Hang, astrónomo chinês, constrói uma clepsidra mecânica que indicava o movimento dos astros.885 - Alfredo, o Grande (um rei da Saxónia) usava velas acesas para medir o tempo.1000? - (Dinastia Sung) Velas e incenso queimando marcavam o tempo na China.1251 - O arquitecto Villard desenha um escapamento de relógio.1292 - É construído o relógio da catedral de Canterbury.1330 - O abade Ricardo de Walingfard constrói o relógio astronómico de Santo Albano.1370 - O rei Carlos V, da França, decretou que todos os sinos das igrejas de Paris precisavam tocar à mesma hora que os do palácio real, ajudando a acabar com o toque dos sinos nas horas canónicas (horas de oração) decretadas pela Igreja.1380 - Surgem na península itálica os primeiros relógios domésticos.1400 - Nos anos 1400 são construídos os relógios mecânicos na Europa, usando uma mola principal e uma roda de balanço.1459 - A fita de aço é pela primeira vez aplicada nos relógios como elemento motor, a mola.1500 a 1510 - Peter Henlein, de Nürenberg, inventa a mola principal usando cerdas. A mola do volante do relógio permitiu que trabalhasse independentemente da sua posição, transformando os relógios fixos em móveis. Acondicionou os mecanismos em pequenas caixas metálicas ricamente decoradas transformando-os em relógios de bolso. A corda durava cerca de 40 horas e tinham apenas um ponteiro para mostrar as horas.1525 - O caracol é inventado por Jacob Zech, de Praga.

1530 - Começam a ser usadas platinas de latão nos relógios portáteis.1549 - Os portugueses introduzem no Japão os relógios mecânicos.1560 - Surge a corrente do caracol, que substitui o fio de tripa.1567 - Devido ao naufrágio de navios porque se desconhecerem as suas localizações, o rei Felipe II da Espanha ofereceu uma recompensa para quem apresentasse um método para se determinar a longitude no mar. Para obter a longitude — a localização leste-oeste — a partir da posição do sol ou das estrelas, é preciso conhecer a hora local, o que era impossível devido aos relógios da época.1570 - Inicia-se a aplicação das figuras animadas na relojoaria.1583 - Galileo Galilei descobre o isosincronismo das oscilações do pêndulo. Percebeu que a frequência do movimento de um pêndulo depende do seu comprimento.1585 - Jost Burgi constrói um relógio com corda para três meses.

1587- Começa em Genebra, Suíça, a fabricação de relógios.1600 - Generaliza-se a produção e o uso de relógios portáteis, que tomam as mais variadas formas.1610 - Inicia-se o uso dos vidros de protecção sobre os mostradores e ponteiros dos relógios portáteis.1640 - Galileu Galilei, com 76 anos e cego, dita a seu filho e a seu aluno Viviani todos os detalhes que permitiram a estes desenhar o célebre relógio de Galileu, provido de um pêndulo e um escapamento livre.1650 - Christian Huygens planeia a aplicação do pêndulo no relógio.1657 - É construído o primeiro relógio a pêndulo pelo relojoeiro Salomão Coster, de Haia.1670 - O ponteiro de minutos começa a ser aplicado.1675 - É fundado em Greenwich, Inglaterra, o Observatório Real. Christian Huygens inventa a espiral de aço, cabelo, para relógios de bolso, substituindo a cerda de porco.1676 - Quare e Barlow criam a soneria de repetição, batendo horas e quartos, pela pressão do suporte da argola, nos relógios portáteis.1700 - Surgem neste século os primeiros relógios de azeite.1704 - Nicolas Fatio é o primeiro a produzir e usar nos relógios rubis perfurados como mancais.1714 - O parlamento inglês oferece um prémio para o construtor de um relógio que permitisse melhor determinação da longitude no mar.1726 - George Graham inventa o pêndulo com compensação a mercúrio.1730 - O primeiro relógio Cuco é fabricado na Floresta Negra, Alemanha.1748 - Pierre Le Roy apresenta à Academia de Ciências de Paris um escapamento livre.1751 - É fabricado em Paris, por Le Plat, um relógio que carrega a sua corda, com variações da pressão atmosférica.1759 - Thomas Mudge inventa o escape a âncora para relógios portáteis que, com algumas alterações, ainda é usado nos nossos dias nos modernos relógios de pulso com corda.1761 - John Harrison, com o seu cronometro de marinha número quatro, resolve o problema das longitudes no mar e recebe do governo inglês uma parte do prémio de 20 mil libras. Pela primeira vez é usado o termo cronometro por Pierre Le Roy.1765 - Surge o ponteiro central de segundos.1775 - John Arnold inventa o cabelo helicoidal, para cronômetros.1790 - Abraham Louis Breguet melhora e introduz inovações importantes nos relógios de bolso, tais como corda automática, sistema à prova de choque e outras.1800 - É inventada a pilha eléctrica, por Alexandre Volta.1830 - Pela primeira vez um pêndulo é accionado pela electricidade pelo físico Zamboni, de Verona.1839 - Com a invenção do telégrafo foi possível transmitir sinais de hora.1840 - Lord Grimthorpe inventa o escape a gravidade, concebido especialmente para o Big-Ben de Londres.1842 - Adrien Philippe inicia a fabricação dos seus relógios de bolso, com corda pela coroa.1856 - Louis Clement François Breguet idealiza um dispositivo electromagnético, para carregar a corda dos relógios.1865 - George Fréderic Roskopf inventa o escapamento económico, com âncoras de pinos.1875 - Surge o primeiro despertador na Alemanha.1880 - O casal Curie descobre as qualidades piezoeléctricas do cristal de quartzo.1884 - Vinte e cinco países aceitam o meridiano de Greenwich como o ponto inicial na escala dos meridianos para o cálculo das longitudes. A Libéria adopta - o somente em 1972. Thomas Alva Edison descobre a emissão termoiónica, efeito de Edison, que permitiu a criação da válvula eletrônica.1891 –

Este assunto será de novo analisado quando for abordado o desenvolvimento ocorrido no século XX, desta vez comparando o ritmo das suas incontáveis descobertas técnicas com a lenta evolução sustentada acontecida nos milhares de anos entretanto decorridos, ou seja,  até ao inicio do citado século.

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