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O ENTARDECER

O ENTARDECER

A DEUS O QUE É DE DEUS

A DEUS O QUE É DE DEUS

 

Pintei este crucifixo e ofereci-o à Igreja, mas tenho dúvidas que os políticos possam  servir-se de Deus em campanhas eleitorais! António Reis Luz

William Douglas

Artigo 1

DEUS NA POLÍTICA: CRISTÃO VOTA EM CRISTÃO?

William Douglas, professor de Direito Constitucional e escritor.

Multiplicam-se as críticas à citação de Deus na política. A primeira crítica é que por ser o Estado laico, não deve haver referência à religião. Tese errada. Estado laico é aquele que não opta por uma linha religiosa em detrimento das outras. Logo, excluir Deus do cenário não é ser laico, é ser estado confessional ateu. Os ateus são bem-vindos, mas os cristãos idem.

Em eleições anteriores quiseram depreciar Dilma por ser ateia, e isso foi criticado. Agora querem depreciar Marina por ser da Assembleia de Deus, e tem que haver igual repulsa por tal viés de preconceito religioso. Cada candidato(a) deve ser avaliado(a) pelo "conjunto da obra". A orientação religiosa não é o suficiente para escolher ou rejeitar um candidato, mas também não é correto ignorar que tal orientação indica valores. É legítimo que uma pessoa escolha um candidato cujos valores coincidam com os seus.

O fato é que há movimentos querendo impedir que haja bancadas ou voto com base no viés religioso. Repito: querer calar quem fala em Deus é mordaça, e querer colocar tais assuntos restritos ao interior dos templos é criar guetos. Isto não é admissível em uma democracia nem no Estado laico. Gueto é coisa de nazistas.

As pessoas escolhem seus candidatos como querem: por serem do Vasco ou do Flamengo, por serem ruralistas, ou gays, ou artistas, até palhaços admitem sem nenhuma grita (e Tiririca me fez sorrir, pois não se soube de ter recebido nada ilícito nos últimos quatro anos. Parabéns para ele). O que se insinua é que as pessoas podem escolher votar por qualquer motivo, menos pela fé. Isso tem nome: preconceito, perseguição religiosa, violação dos direitos humanos.

Outra crítica é feita à enorme quantidade de candidatos padres e pastores. Vi charges com Deus "dizendo" que Ele não autorizou o uso de Seu nome. Aí, me perdoem, mas parece haver um equívoco: o problema não é citar Deus, o problema é citá-Lo sem seguir Suas orientações. O problema não é pastor ou padre candidato, mas sim se ele se comporta, ou não, de acordo com a fé que diz professar. A Bíblia diz "aparte-se da iniquidade todo aquele que professa o nome do Senhor" (2 Timóteo 2.19).

Eu quero candidatos que se apartem da iniquidade. Se for para seguir esse único versículo da Bíblia, já terá o meu voto. Ele não receberá propina nem dará contratos para amigos e parentes, não deixará superfacturarem obras e não escolherá para os cargos apenas os apadrinhados (que, por não precisarem estudar nem trabalhar, em geral são incompetentes).

O desafio de cada cristão eleitor é evitar aquele que APENAS DIZ que é cristão, é achar e votar naquele que se COMPORTA como cristão. Não basta o rótulo. As Escrituras trazem exemplos de governantes que foram sábios pela ajuda de Deus: José do Egito, Salomão, Daniel, Neemias. São ótimos exemplos para o Brasil de hoje. Li que um pedido de pastores era o veto de uma lei que impedia som alto depois das 22 horas. Não sei se é verdade, mas se for, alerto: não é para isso que precisamos de cristãos na política. Não é para cuidar de interesses menores, ou pessoais, ou para ter o direito de incomodar terceiros.

O cristão, como qualquer cidadão, vota pelos motivos que bem quiser. Se quiser votar em cristão, isso é um direito. O que mais falta hoje na política e no governo são valores que a Bíblia recomenda: honestidade, justiça, serviço ao próximo, repúdio à defraudação. São valores que diversos não cristãos também acalentam. Logo, que todos escolham quem demonstra seguir tais valores, que todos votem em quem se comporta com decência.

Não cristãos não podem querer impedir que cristão vote em cristão, assim como seria errado um cristão querer impedir que ateu vote em ateu, ou ruralista em ruralista, ou ativista em ativista. E cristãos e não cristãos irão bem melhor se seguirem os valores que tantos ateus e teístas de todas as sortes defendem: governantes honestos, que sirvam ao público ao invés de se servirem do público. Eu sou cidadão e voto como quiser. Usando este direito, escolho votar em quem se comporta como cristão.