Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O ENTARDECER

O ENTARDECER

QUER SER FELIZ?

 

 

Por que é que, pra ser feliz,
É preciso não sabê-lo?

Fernando Pessoa

 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.  
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.  
Se achar que precisa voltar, volte!  
Se perceber que precisa seguir, siga!  
Se estiver tudo errado, comece novamente.  
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.  
Se perder um amor, não se perca!  
Se o achar, segure-o!  

______________________________________________________

Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem.
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham, esquecem...
Não me ouves, e prossigo. 
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.


Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso. 

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.


Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil
Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,  
Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoa que desconheço, que já vi mas não viu.  
São felizes, porque não são eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,  
Vivem entre vasos de flores,  
Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,  
Cantam sempre, sem dúvida.  
Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.  
Assim tem que ser onde tudo se ajusta — 
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?  
Quais outros? Não há outros.  
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,  
Ou, quando se abre,  
É para as crianças brincarem na varanda de grades,  
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.

Os outros nunca sentem.  
Quem sente somos nós,  
Sim, todos nós,  
Até por mim, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei...
Um nada que dói...

Fernando Pessoa

O DISCIPLINADOR

LEI 2105 de Salazar – 

No ano de 1960 foi publicada uma lei no “Diário do Governo” da República Portuguesa, com a assinatura de Américo Tomás e António Oliveira Salazar, que disciplinava as remunerações recebidas pelos gestores públicos, conforme descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro “Salazar e os milionários”, publicado pela Quetzal em 2009.

 

Essa Lei destinou-se a moralizar aquilo que hoje é um autêntico ‘regabofe’ após o 25 de Abril de 1974, pois a classe politica do regime dito “democrático” do país actual é mais privilegiada (muito mais) do que a anterior e criou inúmeros cargos ministeriais e gestores públicos que recebem prémios e bónus escandalosos, além de seus salários chorudos, que são um autêntico escândalo e provocação para o povo português que está a braços com uma enorme crise económica e cujos sacrifícios servem apenas para encher os bolsos dos que sempre dominaram pelo poder do dinheiro.

 

Dizia, em resumo, a Lei 2105 de 6 de Junho 1960 que ninguém que ocupasse lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro ou do que o Presidente da República Portuguesa. A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no “Estado Novo” de Salazar que tirou o país da crise nos anos 30. Catorze anos depois desta lei “fascista” ter sido aprovada, o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril de 1974, pegou na mesma lei e, através do Decreto-lei 446/74, de 13 de Setembro, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Porém, o que se passou depois disso é o que se vê no país actual, cada vez mais desigual, em que os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres, contrariamente ao que se pretendia e prometia sempre em cada campanha eleitoral.

 

De resto, alguém escreveu a este respeito o seguinte:

 

“Ao lermos a legislação (portuguesa), dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do “fascismo” (Lei 2105) ou do “comunismo” (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) pois ganha a monstruosidade de 420.000 €/mês, um ”pouco” mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365.000 €/mês”. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do Orçamento (agora aprovado) e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa”. (Vasco Garcia – Prof. Catedrático)

 

Enfim talvez devêssemos todos assinar uma petição para ressuscitar a velhinha Lei 2105 de 1960, assinada por António Oliveira Salazar, aquele que governou o país 40 anos e morreu pobre!

 

Rui Palmela

A Despoluição da Regueira

 

Era de há muito uma das grandes necessidades desta terra pelos inconvenientes ambientais que uma situação de poluição, no seio da população, acarreta.

Também constituiu uma arma de arremesso político, durante anos, das oposições contra os responsáveis em exercício.

Cientes destas razões, a Junta de Freguesia, em colaboração com os SMAS e os Bombeiros locais, levaram a cabo uma operação de Despoluição da Regueira, eliminando um a um, os pontos causadores do problema e, em seguida, procedeu-se a uma lavagem a jacto de agulheta, para eliminar os focos de contaminação.

Ficou por fazer o nivelamento do leito, de modo a evitar que a água empoce e vá estagnando, provocando pragas de insectos, e a não consolidação das barreiras laterais.

O facto acabou por passar despercebido, até aos habituais detractores, sempre mais inclinados a dizer mal do que a reconhecer o mérito das soluções conseguidas.

A QUINTA DA CARDIGA

A Quinta da Cardiga

A sua história

Esta Quinta é bem representativa da nacionalidade portuguesa na medida que já existia quando se deu a independência de Portugal. Na Quinta da Cardiga, a poucos quilómetros da cidade de Tomar, em Portugal, encontrava-se um pequeno reduto templário. Em 1169, o primeiro rei português, D. Afonso Henriques doou-a aos Templários, para que estes ali erigissem um castelo e, segundo consta, assim o fizeram. Sucederam-se vinte e três Mestres na poderosa Ordem que ia somando terras e bens, na região de Soure e Pombal, que fora seu anterior território, na de Castelo Branco e Idanha, até ao Fundão e nesta de Tomar, com limites a sul na Quinta da Cardiga e no Castelo de Almourol – ao todo perto de 3700 quilómetros quadrados de domínio

Portal Gótico - Palácio da Quinta da Cardiga

A Quinta da Cardiga, onde se encontra edificado um torreão do século XII (data da fundação da Nacionalidade Portuguesa) e posteriormente foi convento dos monges da Ordem de Cristo, é o local onde, á margem da corrente do Rio Tejo, o visitante poderá regressar aos primórdios dos seus antepassados.

Extinta esta Ordem, o domínio passou para os Freires de Cristo, sendo sucessivamente doado a várias ordens até ao século XIX quando foi comprada por diversos particulares. A Quinta da Cardiga é hoje, apenas, uma das mais notáveis propriedades do País.

 

         A Torre de Menagem 

Tendo pertencido aos frades do Convento de Cristo tem ainda hoje como símbolo da casa a Cruz de Cristo. O conjunto arquitectónico é interessante pela mistura de estilos, a que não falta uma torre e um portal manuelino. A Cardiga, com a sua sobranceira Torre de Menagem ainda estoicamente de sentinela é hoje uma das magníficas quintas com imponente solar como muitas outras do concelho, no reinado de D. Manuel I.

Mais tarde, tornou-se uma quinta modelo, situada no Concelho da Golegã, com casas de habitação com jardim, horta, capela, cavalariças, cocheiras, casas para criados, albergarias, lagar, oficinas e muitas outras dependências e actividades.

Na abordagem desta Quinta vai procurar dar-se uma ideia clara do que foi a Cardiga durante e após o domínio que sobre ela exerceram duas das maiores Ordens Religiosas-Militares que existiram no nosso país: os Templários e a Ordem de Cristo.

A primeira aquando da reconquista Cristã e a segunda aquando dos Descobrimentos.

Porém não deixará também de ser abordado o seu percurso até aos dias de hoje.

O castelo da Quinta da Cardiga, juntamente com o castelo de Ozêzere, a torre da Atalaia e o Castelo de Almourol eram postos de vigia da milícia do Templo.

Tal importância tinha a Quinta da Cardiga que em 1550, D. João III autorizou o seu irmão a proceder à mudança do percurso do rio Tejo, fazendo-o passar pela Cardiga. Em 1580, Filipe II, vindo das Cortes de Tomar a caminho de Lisboa, descansa na Cardiga.

A capela da Cardiga oferece-nos um admirável retábulo de pedra figurando a Senhora da Misericórdia com o seu manto de pura feição renascentista. O majestoso palacete, ladeado por elegantes torreões circulares, rematados por cúpulas, guarda no seu interior um dos três núcleos importantes de pintura primitiva portuguesa, existentes no distrito de Santarém.

 

Aliás, todo o espólio do recheio da casa da Cardiga constitui uma grande contribuição para o estudo das artes decorativas.

 

Esta quinta possui ricos painéis de azulejos.

 

A monumental quinta situada junto ao Tejo e que pertenceu aos Templários e Ordem de Cristo, preserva elementos quinhentistas (portal manuelino) e azulejos seiscentistas e setecentistas.  

 

Possui uma torre ameada envolvida por antigas construções, designadamente claustros, capela, celeiro e pequena colunata rematada por cúpula semiesférica. Esta Quinta tinha um importante porto fluvial, cujo tráfego fazia parte do sistema de comunicações e transporte de mercadorias entre o interior do Ribatejo e Lisboa.

A Cardiga acaba por ficar ligada, historicamente, aos Descobrimentos Portugueses através de grandes Comendadores da Cardiga.

- 1416- Frei Gonçalo Velho é Comendador da Cardiga.

- 1460- Frei Gonçalo Velho é investido no cargo de primeiro capitão das ilhas de Santa Maria e de São Miguel.

 - 1500- Descoberta do Brasil por Pedro Alvares Cabral.

          Afonso Furtado de Mendonça é Comendador da Cardiga.

 - 1520-(cerca de) Nuno Furtado de Mendonça, genro de Pedro Alvares Cabral, sucede a seu pai no cargo de Comendador da Cardiga e sua mulher D. Isabel de Castro, sobrinha do afamado herói da Índia, Afonso de Albuquerque.

 

 

A Natureza Pura

 

Os estudiosos normalmente preocupam-se em analisar a acção e influências que o homem exerce sobre o meio em que vivem.

Concordo e reconheço a importância desse conhecimento. Todavia a análise e o estudo do inverso não será menos importante, antes pelo contrário. A influência do meio ambiente sobre o Homem é decisiva na formação do seu carácter e da sua personalidade, nomeadamente no período da infância e adolescência. Depois fica.

O que se passa nos grandes centros urbanos é certamente diferente daquilo que se passa na vivência diária de uma quinta. Nesta não existem factores, como nas cidades, que desliguem ou afastem as pessoas da forte influência da natureza.

Nas grandes cidades talvez que sejam mais determinantes outros coisas como, clubes desportivos, associações culturais e o próprio ambiente familiar, onde as pessoas são obrigadas a recorrer pois a rua é só de passagem.

O que quero mesmo realçar tem a ver com a vivência das pessoa que nasceram e cresceram numa quinta muito especial como a Cardiga, com uma história riquíssima. A rua aqui não é passagem é o espaço de liberdade. A História que se lê nas centenárias pedras do castelo é o orgulho que nos vai perseguir a vida toda. A natureza é o amigo, mas também o desafio e a aventura. O espaço mais amplo é a transparência porque nele tudo é claro mesmo quando chega o escuro da noite. 

 

O Tejo moldava a Natureza

 

A grande paixão na quinta era em primeiro lugar o rio Tejo. Havia nele fascínio e mistério, que a todos desafiava.

O Tejo era contido todo o ano por extensas margens de salgueiros e canaviais, chamadas de marachas, com excepção das grandes cheias, hoje quase inexistentes pela grande capacidade de acumulação de água das barragens construídas nos últimos cinquenta anos.

De resto tudo no dia-a-dia na Quinta representava um desafio. Desafio que era preciso vencer sozinho. A natureza é amiga mas lança desafios para nos ajudar e preparar para a nossa própria defesa.      

O porto fluvial estava equipado com batelões, barcos a motor e fragatas.

No inverno com as grandes e medonhas cheias todas as embarcações eram recolhidas no leito manso de uma ribeira.

As águas do Tejo quando estavam baixas, no verão, deixavam aparecer belos areais. O sítio onde a ribeira desaguava no rio era o mais belo e apetecido. Havia relva no chão e muitas amoreiras com óptimas sombras para descansar. No meio deste espaço estava um frondoso chorão. Este lugar era conhecido pela «beira do Tejo» e servia para os banhistas e campistas descansarem e conviverem. Era a praia possível para muitas famílias dos arredores, nesta zona interior.

Naquele tempo a água que corria neste rio era completamente límpida, com muito peixe .                 

As primeiras incursões até ao leito do Tejo ocorriam com a chegada dos dias quentes e eram de jovens , normalmente estudantes em grupos à procura da frescura do rio. Vinham ver como estavam as coisas mas só mais tarde se decidiam pela entrada na água. 

A roupa era trocada no meio dos canaviais e aí guardada sem receio. Começavam deste modo os mergulhos no Tejo. O sítio mais profundo era exactamente onde a torrente esbarrava na muralha do palácio. Era aí, no pego, que os mais audazes mergulhavam. Os outros procuravam as águas mais baixas. Apesar disso todos os anos o Tejo fazia as suas vítimas entre os jovens menos avisados ou afortunados. Estes acontecimentos, onde toda a gente se conhece, eram profundamente sentidos. O luto era para todos sem excepção. Logo que o corpo era encontrado traziam-no para a margem onde ficava a aguardar os trâmites legais. Por alguns dias o rio era motivo de profundo respeito e não havia banhos para ninguém. Curiosamente estes acidentes ocorriam quase sempre no entusiasmo dos primeiros mergulhos.

Nas noites cálidas de verão e depois do jantar, as famílias desciam até à “ beira Tejo”. Sabia bem apanhar o fresco da noite, que vinha do rio, e os mais faladores ajudavam a passar a noite. Numa dessas noites ocorreu um fenómeno que marcou quem o presenciou!

Por cima das cabeças das pessoas, a alguns metros de distância, passou uma grande bola em fogo ! A cauda era muito comprida! Desviou para a direita e desapareceu no meio de um choupal. No dia seguinte procuraram-se vestígios daquele grande objecto luminoso mas sem qualquer êxito.

 

Em Pleno Esplendor

 

Naquele paraíso a magia era constante nas quatro estações do ano!  No inverno essa magia tinha o acento tónico no medonho. A natureza engrossava a voz e punha o semblante fortemente carregado.

O volume das águas do Tejo aumentava de forma assustadora, em dois ou três dias, por força das primeiras chuvadas, mais persistentes.

A torrente tornava-se forte e impetuosa e a água ganhava uma cor barrenta! Troncos de árvore eram vistos a descer o rio ao ritmo da torrente. Por todo o lado as águas das chuvas descobriam atalhos e mais logo, todas desaguavam no rio, vindas de longe. De tanta água receber o caudal transbordava as margens que ladeavam o leito do rio. Nem os enormes salgueiros e a sua densa ramagem a podiam suster. Era impressionante ver a cavalgada das águas sempre em busca de cada vez mais espaço. A vida animal, sempre desconfiada, apercebia-se da avalanche e refugiava-se como podia, mais longe ou mais alto!

Rapidamente a paisagem verdejante desaparece e fica submersa por um extenso mar que galga muros , estradas , pomares , colinas e toda a planície a perder de vista!

Do alto do castelo a nossa vista só alcançava água. As noites caíam pouco depois das cinco e eram longas, muito longas e medonhas. O silvo do vento forte acompanhado do barulho da intensa chuva a cair, compunham uma sinfonia para a noite toda. A seguir á chuva de dias, numa bela manhã iria aparecer o sol radioso. Mesmo assim as águas do rio continuavam a subir até estacionarem por dois ou três dias. Havia de seguir-se o seu abaixamento, normalmente com muita lentidão, que deixava nas paredes e muros uma linha horizontal castanha que marcava a máxima altura daquela cheia.

 

Atingida a normalidade no rio ficava visível ao longe, uma extensão muito grande toda coberta por uma espessa camada de lama. Esse lamaçal com o tempo irá ficar transformado num infinito conjunto de polígonos originados pela lama que gretava ao secar. Futuras chuvadas acabarão por proceder à lavagem e transporte para o rio de grande parte deste precioso composto. O que fica na terra é um óptimo fertilizante.

 

Com a chegada do sol abre-se um novo ciclo de vida e um aumento do frio. Instintivamente vamos buscar mais uma manta para a cama. De manhã quando se chega à janela para espreitar o dia ficamos deslumbrados. Os telhados do casario à volta estão todos brancos. Ao sair de casa a aragem matinal é fria e deixa o nariz e as orelhas gelados. A vida não pára e toda a gente anda em movimento, até os catraios de sacola às costas lá ia para a escola. Pelos caminhos de terra batida ou simples carreiros , sem pararem e com  botas cardadas. Lá iam partindo a água gelada das poças. À noite, dentro de casa, toda a gente se aquecia à lareira. Lenha era aquilo que não faltava.

 

Os trabalhadores, não residentes, deitavam-se nas camas das camaratas para se aquecerem, enquanto deixavam ao lume da cozinha, toda a noite, a roupa molhada pelos dias chuvosos. No dia seguinte era preciso levantar cedo e a roupa para vestir tinha que ser a mesma.

No final do dia, os outros trabalhadores das redondezas lá iam a pé até casa, não sem que a noite lhes caísse no caminho. Aqueles que pernoitavam no dormitório (poucos e de mais longe), também dispunham de uma cozinha geral. Uma mesa comprida e uns bancos corridos e o lume a queimar lenha. era tudo o que tinham.

  

Todos se apressavam a pôr ao lume o seu pote de barro com três pés. Estavam pretos de tanto ir ao fogo. Depois iam vagueando entre o banco e a chaminé, espreitando se os poucos feijões já se podiam comer. De vez em quando tiravam dos alforges pendurados na parede, um estreito tubo de vidro com azeite, e deitavam no pote umas poucas gotas. Mexiam o magro sustento com colheres de pau, após o que provavam. Voltavam a tirar dos alforges uma colher muito gasta e segurando a cabeça com uma mão lá iam comendo com a outra.

Quase não falavam. Quando acabavam seguravam a cabeça com as duas mãos e ficavam imóveis até se irem deitar. Talvez estivessem a pensar na vida e na família que estava longe. Mais tarde lá iam nos seus tamancos feitos de madeira até ao dormitório.

 

Com mais ou menos cheias, eram assim os invernos na Cardiga para os trabalhadores rurais.

 

Com os borbotes pequenos e verdes a rebentarem nos ramos das árvores, percebia-se que estava a chegar a primavera. Na terra o rebentar das ervas e plantas, fazia levantar a camada de lodo que as cheias lá deixavam. Ouvem-se os pardais nos telhados e outros bebem água nas poças mais teimosas. Mais tarde andarão entretidos a fazer o ninho.

As extensas vinhas das terras mais baixas, saem das cheias cobertas de fina camada de lama.

 

As embarcações protegidas durante o inverno nas águas calmas da ribeira, voltam ao seu lugar no porto fluvial. Esta estação do ano é na quinta um crescendo de vida! As canas e os salgueiros empertigam-se e ficam viçosos de verde. Não tarda que os trabalhadores se apurem na poda das árvores e vinhedos. Manadas de bois puxavam os arados na preparação das sementeiras, enquanto atrás as alvéloas de pernas finitas e cauda comprida, depenicavam os vermes trazidos à superfície.      

As trepadeiras que cobriam as extensas paredes do palácio não tardarão a florir. No verão serão o esconderijo e dormitório da passarada.

 

O palácio é considerado património nacional e a sua construção remonta a tempos desconhecidos. O mesmo acontece com o castelo. Lendas antigas relacionam-nos ao Almourol, Templários e Convento de Cristo. Incorporada no palácio existe uma linda capela com ricos vitrais. Entre um dos lados do palácio e o rio ficava um lindo jardim e ao lado deste uma estufa com plantas exóticas.

 

A Páscoa era o ponto alto da primavera. Todas as famílias vestiam a sua roupa melhor e iam à missa, na capela, que se enchia. Os donos conviviam com todos os trabalhadores e participavam com as crianças na festa da procura dos ovos de Páscoa escondidos nos arbustos da horta.

Havia ovos de todas as cores.

Aproveitando o labirinto existente, faziam-se jogos e distribuíam-se prendas pelas crianças presentes.

Nos campos já tudo era verdura e floria. Papoilas e malmequeres brancos e amarelos eram a perder de vista!

As roseiras enroladas às muitas árvores da avenida de entrada, landoeiros, transmitiam-lhe um colorido vistoso e alegre!    

Aos poucos, as águas do rio deixavam de ser barrentas e tornavam-se límpidas. A sua torrente arrastava as ramagens dos salgueiros que assentavam na água. Adeptos da pesca à linha vinham das terras vizinhas. Existiam também os outros quase profissionais, que com os seus barcos pretos em forma de meia-lua percorriam o Tejo estendendo as suas redes.

Outros aprestos como os “covos”, “tarrafas” etc. Ajudavam os pescadores a ganhar a vida. O peixe assim recolhido era vendido nas terras ribeirinhas que não eram abrangidas pela venda de peixe do alto mar.

  

Algum tempo depois outro evento anual fazia acorrer à Cardiga muita gente das redondezas. Falo da 5ª Feira da Ascensão ou “dia da espiga”. Vendedores ambulantes apareciam manhã cedo e montavam as suas bancas. Vendiam refrescos, pevides, tremoços, sanduíches, bolos etc. Outras pessoas vendiam os típicos ramos deste dia, chamados da “espiga”. No rio fragatas enfeitadas passeavam as pessoas a troco de quase nada. Todos entoavam cantigas populares.

 

Tudo isto ao longo dos anos haveria de conquistar o coração das populações das redondezas que, de facto, nutriam grande simpatia e respeito por esta Quinta da Cardiga sabiamente gerida durante séculos pelos Cavaleiros do Templo e da Ordem de Cristo.

Socialmente e numa época em que nenhuns direitos havia para aqueles que trabalhavam na vida do campo, tinham eles deixado a semente do respeito pelos outros, que induziria os futuros e mais significativos donos da Quinta, a fornecerem assistência médica, colónia de férias etc., e outros cuidados sociais, até aí inexistentes no Portugal de então.

 

Por esta altura da 5ª. Feira da Ascensão já se podiam comer alguns frutos maduros. As searas tinham a cor amarela da sua perfeita maturação. As hortas tinham de tudo pois a natureza era pródiga, ajudada pela qualidade das terras e pela abundância de água para rega. Ao cair da noite esvoaçavam morcegos por todo o lado e nas noites quentes do fim de Maio as crianças corriam atrás dos pirilampos que em ziguezague se escapavam pelos ares.

O potente sino que se fazia ouvir em toda a quinta, badalava agora mais cedo e mais tarde, era a hora de verão. O sino marcava há anos o inicio e o fim da jornada de trabalho diário e também no rebate a fogos. No pino do sol, no verão, passava a tocar quatro vezes ao dia em consequência do calor e da necessária “sesta”.

 

O andar pachorrento dos carros de bois carregados de cereais indiciava o começo desse verão. Os boieiros, também eles pachorrentos, talvez por contágio, com o aguilhão e a espaços, picavam os animais com algum comprometimento. O trabalho da ceifa era feito por homens afogueados pelo calor intenso.

 

Era este o tempo das violentas trovoadas. Por vezes mais que uma por dia ou em simultâneo provenientes de lados opostos. Os raios iluminavam o céu que antes se tinha tornado escuro. Por antecipação um homem, sempre atento, molhava o chão onde os pára-raios ligavam à terra.

 

Os santos populares eram também motivo para festejar em conjunto com os vizinhos e amigos. Lenha não faltava e alegria também não. As alcachofras estavam mesmo à mão. Com mais ou menos jeito todos saltavam à fogueira.

 

O verão já se fazia sentir e nos dias que se seguiam a fogueira era outra e chamava-se eira. Homens de chapéu preto na cabeça e lenço vermelho no pescoço alimentavam sem cessar aquelas grandes máquinas que separavam as sementes para um lado e a palha para outro. Dava prazer ver os fardos tão bem atados e moldados. Levar os sacos de cereais e os fardos era trabalho novamente destinado aos bois e às enormes mulas. O celeiro e os palheiros irão ficar cheios para mais um ano.

 

Na Cardiga tudo era aproveitado no estrito rigor dos ensinamentos colhidos e melhorados durante várias gerações. O ciclo económico tem regras a cumprir. A abundância de água permitia manter, através da rega, a alimentação de alguns animais, bem viçosa. Nas regadeiras corria água muito limpa por todo o lado.

 

Menos que nas redondezas, o calor era imenso. Sufocante!          

 

O verão ia acabando e dando origem ao Outono com a azáfama das vindimas. Novamente os carros passavam pachorrentos transportando uvas brancas e pretas. Eram dias e dias com o mesmo ritual.

Na adega o trabalho era igualmente intenso até á fermentação completa do mosto. Depois eram as provas e envasilhamento do precioso líquido. O vinho da Cardiga era consumido e apreciado por todo o país, sempre rotulado com a Cruz de Cristo.

 

Sem se dar por isso já estávamos no Outono. O sentido decrescente que nos transmite esta estação ,  dá-nos alguma sensação de menos alegria ou mesmo alguma tristeza, são os motivos aparentes, outros poderão existir.

É certo que esta estação tem muito de verão e muito de inverno. De si própria tem o antipático cair da folha, os dias mais pequenos , a chuva, o frio .

A Quinta era invadida por ranchos de homens e mulheres vindas das Beiras para a apanha da azeitona, uma importante tarefa sazonal que punha de novo os carros a transportar toneladas de azeitonas para o lagar. Laborava por vários meses de dia e de noite.    

O azeite produzido era de muito boa qualidade com consumo garantido.

 

Com a chegada da primavera tudo recomeçava...  .

 

As Relações Humanas

                    

As relações humanas vividas na “Quinta da Cardiga”  eram seguramente diferentes de qualquer outra realidade. O relacionamento entre a  já larga família proprietária da Quinta e os trabalhadores e suas famílias, eram não só de respeito mútuo, mas também, de estima e saudável entreajuda. A palavra solidariedade tem aqui perfeita aplicação. Em situações difíceis ou mais complicadas os donos da Quinta davam o seu apoio a qualquer pessoa. No sentido inverso os moradores sentiam, como seu, todo e qualquer infortúnio que atingisse a família que lhes assegurava emprego e apoio social e humano.

 

A figura do “ Feitor ” no desempenho das suas funções emanava calma, serenidade e respeito. Normalmente eram homens de poucas falas , menos risos, mas credores da simpatia de todos os meios sociais envolventes e de todos que na Quinta ganhavam o seu sustento. Contando com as famílias a comunidade residente rondaria o meio milhar de pessoas. Alguns empregados, os que assumiam maiores responsabilidades, vivam junto ao palácio. Umas doze famílias. Os outros, com emprego fixo, viviam num lugar muito próximo chamado de São Caetano.

 

A grande força de trabalho era, de algum modo, flutuante e residia nas aldeias e lugarejos das redondezas. Ninguém recorda conflitos ou grande azedume entre os habituais moradores na Quinta ou mesmo no lugar de São Caetano.

Problemas graves de saúde , ou mesmo falecimentos, eram casos que só de muito em muito longe aconteciam, mas que todos sentiam como seus. Neste lugar não podia haver indiferença, a solidariedade estava sempre presente. O contacto com a natureza incutia em toda a gente franqueza, lealdade e um forte sentimento de respeito para com o próximo.

 

Na escola da Quinta os alunos eram poucos e a brincadeira dos recreios fazia-se na estrada e nos olivais em redor. O exame ou a prova, como na altura se dizia, tinha que ser feita na Sede de Concelho que ficava a uns cinco quilómetros de distância. Para o efeito a Quinta punha à disposição um carro puxado a cavalos. Nele seguiam a professora e os alunos.

Muito poucas eram as crianças que podiam continuar para além da 4ª. Classe, como de resto acontecia por todo o país.

 

 

O Orgulho numa História

 

Decerto que não existem em Portugal muitas quintas que se possam orgulhar de ter uma História tão completa, tão interessante, e sobretudo ininterrupta, ao longo da vida do nosso país .

A Quinta da Cardiga, situada no coração do Ribatejo, talvez vinda da pré-história atravessou a Monarquia sobreviveu ao Liberalismo, passou pela República, ultrapassou o 25 de Abril de 1974 e embora combalida continua de pé nos dias de hoje.

Se analisarmos a Quinta no tempo, podemos rebuscar as origens do seu nome (do latim CARDICA, talvez lugar onde abundam cardos) e dos seus primeiros habitantes e traçar as etapas por que passou esta Quinta ao longo dos séculos, ao longo dos vários reinados, e até durante várias gerações de algumas famílias que a possuíram, quando tal foi possível.

 

No espaço, procurando estabelecer uma ligação entre os homens que habitaram a Cardiga e as suas marcas deixadas no terreno; quer construções, quer culturas agrícolas, algumas das quais, como é o caso da vinha , dos cereais e da oliveira , ainda hoje persistem.

Por força da Revolução Liberal ocorrida em Portugal em 1820, logo em 1834- Joaquim António de Aguiar decreta a extinção das ordens religiosas e a nacionalização das suas casas e bens.

Inicio da venda em hasta pública dos bens nacionais e em 1836- A Quinta da Cardiga é arrematada na Junta da Crédito Público por Domingos José de Almeida Lima.

Em 1867- Os Herdeiros da família Lima vendem a D. Maria Arrábida Lamas a Quinta da Cardiga.

Em 1898- Os Herdeiros de D. Maria Arrábida Lamas vendem a Quinta da Cardiga a Luís Adolfo de Oliveira Von Sommer (descendente do anterior Luís Sommer que em 1831- veio da Alemanha ,  para servir como alferes no Regimento de Lanceiros da Rainha) .

Em 1929- Morre Luís Adolfo de Oliveira Von Sommer. Os seus familiares continuam a exploração da propriedade.

Na entrada do novo século - A Quinta da Cardiga, uma das mais importantes do Ribatejo, continuava na posse dos descendentes de Luís Sommer.

 

Mas da última vez que visitei a Cardiga ela estava quase irreconhecível. Não tinha gente, estava abandonada e desprezada. Não havia flores, carros de bois a passar, jovens a caminho do rio Tejo!

Recordo muita gente boa que dedicou toda a sua vida àquela Quinta e que já não vivem, mas sei, que onde estiverem continuam com a Cardiga no coração que já não bate! Só podem pairar, por cima daqueles mil anos de História, contemplando as paredes dos palheiros, lagares, vacarias e do palácio sempre imponente.

 

O castelo ainda parece um soldado em sentido.

 

Falando das etapas deste lugar de orgulho e monumento do imaginário nacional, que ninguém sabe quando veio ao mundo, mas que foi muito antes da formação de Portugal, podemos marcar- lhe como influências e períodos de evidência na sua longa existência a era dos Templários.

A Charola

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS

   

 Os Templários que conseguiram escapar ao destroço causado em Soure pela arremetida muçulmana de 1144 juntaram-se, na primavera de 1147, à hoste que o nosso primeiro Rei preparava para a conquista de Santarém. Movia-os, simultaneamente, o seu dever, próprio de frades militares, e o desejo de libertarem os seus confrades caídos em poder do inimigo por ocasião daquele ataque e para ali trazidos em cativeiro.

Realizada a conquista, D. Afonso Henriques recompensou-lhes a eficiente colaboração dando à Ordem do Templo os rendimentos eclesiásticos da terra conquistada; mas logo meses depois, integrada também Lisboa na posse cristã, o sacerdote inglês Gilberto, primeiro bispo da restaurada diocese lisbonense, contestou a validade daquela doação, travando-se demorado litígio, que só terminou mais de dez anos depois, quando D. Afonso Henriques harmonizou os desavindos, cedendo ao prelado o benefício que disputava e doando aos Templários, na pessoa do seu Mestre, então Gualdim Pais, o castelo de Cera (hoje Ceras) com o seu vasto termo. O diploma régio de concórdia, lavrado em Fevereiro de 1159, definindo o âmbito das terras doadas, limitava-as por uma linha que partindo do Zêzere em leste-oeste na direcção de Murta, a acerca de seis quilómetros ao norte de Cera, seguia a Freixianda, e daqui rodando ao sul e  a sul-sudoeste alcançava, primeiro, um certo lugar de passagem do curso médio do Nabão (então chamado Tomar) onde a estrada romana de Santarém a Coimbra atingia esse afluente do Zêzere (et inde venit ad portum de Thomar qui est in strata de Colimbria ad Santarém), e depois um vau da subafluente ribeira de Ourém (et inde per portum de Ourens), que o Prof. Rui de Azevedo crê situado entre Ceiça e Chão de Maças. Custeando assim o termo de Leiria, a linha divisória seguia ao ribeiro de Bezelga, e, sucessivamente inflectida a sueste e a leste acompanhava aquele modesto veio de água, afluente do Nabão, e depois este até à sua confluência no Zêzere (et inde per lombum de Santarém... ad Bezelga et descendit ad Thomar et inde in  Ozezar); finalmente, o curso do Zêzere para o norte até ao lugar indicado como inicio da delimitação, balizava por leste a região doada, de configuração vagamente circular e cujo circuito se alongava por cerca duns 90 quilómetros.

 

                                

                                                      Castelo dos Templários

Após um ano de estadia no castelo de Cera, reconheceu Gualdim Pais que ele não reunia as condições apropriadas para servir de sede da Ordem, e resolveu edificar, com esse fim, um castelo em lugar que lhe pareceu mais adequado, e esse foi um outeiro na margem direita do Nabão e em cujo sopé se estendia viçosa planície apropriada a profícuo povoamento humano.

Começou a construção no dia 1 de Março de 1160 conforme consta de inscrições que perduram no castelo, de cujo conjunto embora mutilado pela invasão de outras edificações e afectado pelas habituais causas de ruína, ainda resta o suficiente para bem se conhecerem as peças componentes. Adaptada às condições tipográficas, uma muralha de forma irregularmente angulosa, guarnecida de torreões, de acesso ao terreiro geral, dentro do qual descentradamente para nordeste se situa, em plano mais elevado, o terreiro da alcáçova, de configuração escutiforme com o vértice voltado ao sul, e dentro do qual se ergue, quase encostada à respectiva muralha circundante, a torre de menagem.

              Pelo mesmo tempo se construiu a célebre charola, mais tarde adaptada, com mutilações, a capela-mor dum mais vasto templo, e decerto também se edificaram as primitivas instalações conventuais que serviram de residência aos monges-cavaleiros da fundação desse núcleo construtivo.

              Entretanto, e dando cumprimento a uma das obrigações inscritas na carta de doação do castelo de Cera, e seu termo, a de promover neste o povoamento e consequente desenvolvimento económico, Gualdim Pais logo procurou criar na subjacente planície marginal do Nabão um núcleo populacional a que foi dado como denominação o nome então dado aquele rio, o de Tomar; e para incentivar a concentração de povoadores e o seu enraizamento no local, já em 1162 lhe concedia os direitos inscritos em foral, doze anos depois reformado em termos de adequada aplicação.

              Não tardou que a esses começos de vida outras vicissitudes viessem somar-se, inaugurando gloriosamente a história do castelo de Tomar, Em 1190 o emir de Marrocos, lacube Ibne Iúçufe, desembarcado em Tarifa com importantes forças, a que logo se juntaram as da Espanha muçulmana, marchou para ocidente com o fito de conquistar Silves, notável prado do Algarve muçulmano que D. Sancho I no ano anterior conquistara; deixando ali algumas tropas sitiantes, logo se dirigiu com o grosso do seu poderoso exercito para a linha do Tejo, que transpôs a montante de Santarém, tomando o Ribatejo até Tomar, a cujo castelo deu sucessivos assaltos durante seis dias, sem obter a desejada rendição dos Templários, que heroicamente o defendiam. Desistindo então do intento, ordenou o emir a retirada; não, porém, sem deixar assoladas as terras circunjacentes, cujos habitantes foram em parte mortos, ou em grande número levados como cativos.

              Mantiveram-se os Templários ao serviço da Coroa nas campanhas militares que contra muçulmanos ele travou dentro e fora de Portugal nos séculos XII e XIII, até que, extinta em 1312 a Ordem do Templo pelo papa Clemente V, como remate da iníqua perseguição movida contra os seus membros pelo monarca francês Felipe – o Belo. D. Dinis acautelando para a Coroa os bens dos Templários portugueses obteve em 1321 a bula pontifícia de criação duma nova Ordem militar, a de Cristo, na qual, segundo se crê, alguns daqueles ingressaram. Estabelecida como sede do novo instituto a vila de Castro Marim, já em 1338, ou data muito próxima, ela foi transferida para Tomar, cujo castelo passou à guarda dos cavaleiros da Ordem de Cristo, como o estivera à dos Templários, e eles o mantiveram fiel à causa portuguesa, personificada no Mestre de Avis, D. João, quando nos fins daquele século se abriu a crise dinástica decorrente do falecimento de D. Fernando em 1383 e subsequente sucessão de sua filha, infanta D. Beatriz, então casada com o monarca espanhol João I, ao trono de Portugal.

Esteve alerta o castelo de Tomar quando por esta vila apressadamente passou com a sua hoste, em Janeiro de 1384, o consorte de D. Beatriz, a caminho de Lisboa, no malogrado intento de conquistar a capital portuguesa, que determinara essa primeira invasão. No verão do ano seguinte, de novo o castelo de Tomar se inseriu na campanha luso-castelhana, visitado decerto pelo ex-Mestre de Avis, já então Rei D. João I de Portugal, que, vindo do norte para enfrentar a segunda invasão castelhana, nessa vila concentrou uma parte das forças militares levadas à vitoriosa batalha de Aljubarrota.

              Ao tratar do glorioso passado do castelo de Tomar, uma palavra deve ainda acrescentar-se, memorando inserir-se nela o facto de relacionar-se, em certo aspecto, com a actividade ultramarina do Infante D. Henrique, pois este, na qualidade de Governador da Ordem de Cristo, ali teve casa sua.

              Quantas vezes, sem dúvida, subira o glorioso Infante, meditando nos seus graves problemas, aquelas muralhas, já então sem eficiência militar, mas onde ecoavam três séculos da gloriosa história de Portugal.

Convento de Cristo

                          

                                                       A Igreja do Convento de Cristo

O Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, forma com o castelo templário um conjunto monumental único no seu género. O Castelo foi fundado em 1160 por Dom Gualdim Pais, Mestre provincial da Ordem do Templo em Portugal, e dentro das suas muralhas viveram as primeiras gentes de Tomar. O coração da fortaleza, a Alcáçova, com a torre de menagem, foi construído a Oriente; o lugar místico, a Igreja octogonal Templária, foi construído a Ocidente. Com o extermínio da Ordem pelas perseguições de Filipe, o Belo, Rei de França, os Templários encontraram, em Portugal, a continuidade da sua sagrada missão de Cavalaria.

                                               

Com a expansão da fé cristã e do reino, também a sede da Ordem de Cristo se dilata. Os séculos e a história de Portugal vão deixando, na arquitectura do Convento, testemunhos do tempo e dos homens que lideraram os destinos de Portugal. Durante o governo do infante D. Henrique foram construídos dois claustros góticos no Convento. Com D. Manuel, a igreja templária é prolongada para Ocidente por uma construção que serviria o Capítulo da Ordem. Profusamente impregnada pela simbologia dos Cavaleiros de Cristo, esta construção aloja na sua fachada ocidental a famosa Janela da Sala do Capítulo, de Diogo de Arruda (cerca de 1510). Mais tarde, D. João III pretende fazer profundas mudanças na Ordem, alterando as suas Regras e transformando os Cavaleiros em monges contemplativos; é a partir deste reinado que se iniciam importantes trabalhos de ampliação do Convento, com vista a consumar a Reforma da Ordem. Esses trabalhos vão continuar através de vários reinados, até ao século XVIII, deixando marcas de diversas tendências artísticas. O Convento de Cristo encerra no seu conjunto arquitectónicos testemunhos da arte do Românico, templária, do Gótico e do Manuelino, ao tempo das Descobertas, do Renascimento joanino, do Maneirismo, nas suas várias facetas e, por fim, do Barroco, presente em vária ornamentação arquitectónica.

                                    

                                                      Claustros

Os claustros são góticos, com estrutura de arcadas quebradas sobre colunas grupadas. Já a nave manuelina de espaço unificado está coberta com abóbada rebaixada. As janelas, frisos e platibandas têm corpo manuelino com decoração vegetalista, enquanto a planta do conjunto monacal quinhentista parece inspirar-se na do Ospedale Maggiore, em Milão.

Iniciado nos anos 50 do século XVI, provavelmente por Diogo de Torralva, o Grande Claustro reflecte a paixão de D. João III pela arte italiana. Escadas em espiral ocultas nos cantos conduzem ao Terraço da Cera.

O Claustro da Lavagem é quadrangular de dois pisos; o Claustro do Cemitério é quadrangular, com um piso com cinco tramos por ala. O Claustro da Micha é quadrangular com quatro alas, enquanto o dos Corvos é também quadrangular, mas com duas galerias de dupla arcada separadas por contrafortes. Por último, o Claustro de D. João III é ainda quadrado, com chanfros nos ângulos. O Refeitório é rectangular, com abóbada de berço com nervuras formando caixotões quadrados. O Dormitório está disposto em cruz, com dois grandes corredores. Existem ainda o Claustro da Hospedaria e o Claustro de Santa Bárbara, quadrado, com quatro arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso.

                                

                                                          A Charola

O núcleo do mosteiro é a Charola do século XII, o Oratório dos Templários. Tal como em muitos dos seus templos, baseia-se na Rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém, adaptada pelo Infante D. Henrique. Em 1356, Tomar passou a ser a sede da Ordem de Cristo em Portugal, e a decoração da Charola reflecte a riqueza da Ordem. As pinturas e frescos (quase só cenas bíblicas do século XVI) e a estatuária dourada sob a cúpula bizantina, foram cuidadosamente restauradas. Quando foi construída a igreja manuelina, esta ficou ligada à Charola por uma arcada.

 

 

                                                                                                                                           

                                                               

                                                      Janela manuelina do Coro

A Charola, poligonal, é o centro do conjunto de edificações, cominando-as visualmente. A norte e a este estão a Sacristia, os claustros do Cemitério e da Lavagem, as ruínas dos Paços, as Enfermarias e ainda a Sala dos Cavaleiros e a Botica.

A oeste, a igreja, os claustros e as dependências conventuais. A norte pontifica a Portaria Real, entre o corpo das Enfermarias e Hospedaria. A fachada sul está realçada pela arcaria do Aqueduto dos Pegões, apoiada numa plataforma rústica, que corresponde ao corpo do Claustro dos Corvos, Dormitórios e Claustro de D. João III.

 

Planta progressiva do Convento de Cristo.

 

No que diz respeito à planta da igreja, é composta por dois corpos diferentes: a Charola, actual capela-mor, e o corpo da nave, que se adapta ao desnível do terreno para oeste, onde possui três registos assentes num forte embasamento e marcados por frisos decorativos envolventes, com decoração naturalista emblemática manuelina.

No interior, a nave é coberta por uma abóbada polinervada de combados.

 

A Cúpula do Rochedo

 

No sítio do templo de Salomão, onde Cristo pregara e onde Muhammad (P.E.C.E.) fora elevado ao céu na sua "viagem nocturna", Abd Al-Malik mandou construir um edifício que projectasse a espiritualidade do Islão.
A cúpula do rochedo foi construída entre 687 e 692.
O seu projecto foi confiado a um arquitecto de formação bizantina, o local ficou ao cuidado dos mestres construtores Sírios; e os mosaicistas de Constantinopla encarregaram-se da decoração. Esta equipa concebeu um edifício, no centro do Monte do Templo, que se insere na linha da mais pura tradição dos santuários Cristãos e
cujo formato octogonal criava um ponto central.

 

 

 


Cúpula do Rochedo

 

Os Templários tinham um especial agrado pelo octógono sendo a charola do Convento de Cristo disso um exemplo.

 

A Charola Templária de Tomar como imitação deste monumento (Cúpula do Rochedo) lembra também a faceta multi-religiosa dos Cavaleiros de Salomão, já que a sua arquitectura nos dá a sensação do centro do mundo e de ligar o visível e o invisível.

Mesmo depois da extinção dos Templários o octógono continua a ser visível em vários lugares de Portugal.

Castelo de Almourol

Instalado num rochedo no meio do rio Tejo, uma ilha de pedras agrestes e a desafiar a eternidade está o castelo de Almourol envolto num cenário de magia proporcionada.

A ilhota formada pelo rochedo no Tejo, pouco a jusante da sua confluência com o Zêzere, a meia distância entre as vilas de Barquinha e Constância, afloramento granítico a que a diminuta base dá certo aspecto de altitude, apesar dos seus simples 40 metros de altura ergue-se um dos mais típicos castelos portugueses, o de Almourol.

O Castelo de Almourol, no Ribatejo, localiza-se na Freguesia de Praia do Ribatejo, Concelho de Vila Nova da Barquinha, Distrito de Santarém, em Portugal.

Erguido num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere, à época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, actual Região de Turismo dos Templários. Constitui-se num dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo.

 

A Sua História

Antecedentes e toponímia

Embora os autores não sejam unânimes acerca da primitiva ocupação humana deste sítio, acreditando-se que remonte a um castro pré-histórico, a pesquisa arqueológica trouxe à luz testemunhos do período romano (moedas do século I a.C.) e do período medieval (medalhas). Alguns autores, ainda, identificam em alguns trechos na base das muralhas, exemplos do aparelho construtivo de tipo romano.

A partir do século III, o sítio foi ocupado por outros grupos, nomeadamente os alanos, os visigodos e os mouros, estes últimos a partir do século VIII. No século XIII, a fortificação já existia, por eles denominada como Al-morolan (pedra alta).

Não se pode precisar a origem do seu nome, assim como se torna difícil clarificar o significado e a própria grafia do qual são conhecidas variações: Almoriol, Almorol, Almourel, Almuriel. Outros autores estabelecem ligação com o termo Moron, que Estrabão teria referido como cidade situada à beira Tejo, ou com o termo Muriella, que consta da descrição da delimitação do Bispado de Egitânea.

 

O castelo medieval

 

Castelo de Almourol: portão de entrada vista do interior

 

 

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, quando esta região foi ocupada por forças portuguesas, Almourol foi conquistado em 1129 por D. Afonso Henriques (1112-1185). O soberano entregou-o aos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa da então capital de Portugal, Coimbra.

Nesta fase, o castelo foi reedificado, tendo adquirido, em linhas gerais, as suas actuais feições, características da arquitectura templária: espaços de planta quadrangular, muralhas elevadas, reforçadas por torres adoçadas, dominadas por uma torre de menagem. Uma placa epigráfica, colocada sobre o portão principal, dá conta que as suas obras

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS

Gualdim Pais

 

Gualdim Pais foi o quarto Mestre dos Templários em Portugal. Nasceu provavelmente em Amares, nos arredores de Braga, em 1118, filho de Paio Ramires, um cavaleiro nobre do Condado Portucalense, que apoiaria D. Afonso Henriques na rebelião contra sua mãe, D. Teresa, em 1128. 

 

Cresceu na companhia de D. Afonso Henriques, que o ordenou cavaleiro na Batalha de Ourique

 em 1139.

 

Seguiu depois em cruzada à Palestina, onde permaneceu 5 anos, distinguindo-se no cerco a Gaza.

Após o regresso, aparentemente já como templário, combateu nas lutas pela reconquista do território entre Coimbra e Leiria, então a fronteira com as terras sob domínio mouro.

 

Por volta de 1152, D. Afonso Henriques nomeou-o Comandante ou Mestre da Casa da Ordem em Braga (primeiro quartel-general dos Templários).

 

Assumiria, quatro anos depois, em 1156, o cargo de Grande Mestre da Ordem do Templo, com a missão de defender a região entre Soure e a fronteira do Rio Tejo.

 

Sobre a porta principal do castelo de Almourol, uma inscrição epigráfica datada da era de 1209 (1171), menciona, além da naturalidade bracarense de Gualdim Pais e da sua acção militar contra os muçulmanos no Egipto e na Síria, a sua ascensão à chefia da Ordem do Templo em Portugal e subsequente construção dos castelos de Pombal, Tomar, Zêzere, Cardiga e Almourol (...factos domus Templi Portugalis procurator, hoc construxit castrum Palumbare, Tomar, Ozezar, Cardig, et hoc ad Almourol), evidenciando que, naquele ano, o castelo de Almourol se achava, como os demais indicados, já construído.

 

Estátua de Gualdim Pais em Tomar

 

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS

   

 

Roda do Mouchão

 

A Sua História

No local da actual cidade de Tomar já existiram as cidades romanas de Nabantia e Sellium.

Depois da conquista da região aos mouros pelo Rei Afonso I de Portugal, a terra foi doada como feudo à Ordem dos Templários. O Grão-Mestre desta Ordem, Dom Gualdim Pais, iniciou em 1160 a construção do Castelo e Convento que viriam a ser a sede dos Templários em Portugal. O Foral foi concedido por D. Gualdim em 1162. De Tomar os Templários governavam vastas possessões do centro de Portugal, que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. Como muitos senhores das então pouco povoadas regiões da fronteira, aos vilões foram concedidos muitos direitos que não tinham os habitantes do Norte do país. Aqueles que podiam sustentar um cavalo estavam obrigados ao serviço militar em troca de privilégios. As mulheres também podiam ingressar na Ordem, mas não combatiam.

Em 1190 a cidade foi cercada pelo Rei Almóada Yakub de Marrocos, mas os Monges Cavaleiros tiveram sucesso em defendê-la sob comando de Gualdim Pais.

Em 1314, sob pressão do Papa, que queria abolir a Ordem Templário de toda a Europa, o Rei D. Dinis, persuadiu antes o Vaticano a criar a nova Ordem de Cristo. Em 1190 a cidade foi cercada pelo Rei Almóada Yakub de Marrocos, mas os Monges Cavaleiros tiveram sucesso em defendê-la novamente sob comando de Gualdim Pais.

Em 1314, o Rei D. Dinis, persuadiu o Vaticano a criar a nova Ordem de Cristo e transferir todas as propriedades e pessoal dos Templários para esta. Esta Ordem foi sediada primeiramente em Castro Marim em 1319 mas em 1356 regressou a Tomar. No Século XV o clérico Grão-Mestre passou a ser nomeado pelo Papa, enquanto o leigo Mestre ou Governador passava a ser indicado pelo Rei, em substituição de serem ambos eleitos pelos freires. O Infante Dom Henrique foi designado mais tarde Governador da Ordem, e acredita-se que os recursos e conhecimentos desta lhe foram cruciais para o sucesso das suas expedições para África e Atlântico. A Cruz da Ordem de Cristo era pintada nas velas das caravelas que partiam, enquanto todas as missões e igrejas cristãs além-mar permaneceram sob jurisdição do Prior de Tomar até 1514. A ainda existente Igreja de Santa Maria do Olival, com os seus símbolos místicos Templários foi construída como igreja-mãe de todas as novas igrejas construídas nos Açores, Madeira, África, Brasil, Índia e Ásia.

O Infante Dom Henrique foi o primeiro depois de Gualdim Pais a renovar todo o complexo do Convento de Cristo. Além disso desviou o rio Nabão, permitindo drenar pântanos e prevenindo cheias. Deste modo a cidade conseguiu aumentar significativamente de tamanho. As novas ruas foram desenhadas na forma geométrica de hoje segundo as suas orientações.

Em 1438, o Rei Dom Duarte, fora de Lisboa devido à Peste Negra, morreu em Tomar.

Com a expulsão dos Judeus de Espanha em 1492, a cidade acolheu grande numero de artesãos, profissionais e mercadores refugiados. A muito significativa população judaica deu novo ímpeto à cidade, com a sua experiência nas profissões e no comércio. Estes foram vitais para o bom êxito da abertura das novas rotas comerciais em África na época dos Descobrimentos. A sinagoga original, mandada construir pelo Infante Dom Henrique, ainda existe. Durante o Reinado de Dom Manuel II o Convento tomou a sua forma final no novo estilo Manuelino. Com a crescente importância da cidade enquanto mestre do novo império comercial português, o próprio Rei pediu e recebeu do Papa o titulo de Mestre da Ordem. Depois do estabelecimento de um Tribunal da Inquisição na cidade, iniciou-se a perseguição dos judeus e cristão-novos, que chegou a um máximo por volta de 1550. Muitos conseguiram fugir para a Holanda, Império Otomano ou Inglaterra. Centenas de outros foram presos, torturados e executados em autos-de-fé. Muitos mais foram expropriados pois como os bens expropriados revertiam para a própria Inquisição, a esta bastava apenas uma denuncia anónima e a ascendência judaica para expropriar qualquer rico mercador, fosse este Cripto-Judeu ou Cristão-Novo. Com os distúrbios económicos que esta perseguição fanática provocou, a cidade perdeu grande parte do seu dinamismo económico. Ainda hoje são muito comuns os nomes cristão-novos entre os habitantes de Tomar.

Em 1581 a cidade acolheu as Cortes que aclamaram o Rei Filipe II de Espanha como Filipe I de Portugal.

Durante o Século XVIII Tomar tornou-se numa das cidades industrialmente mais vibrantes de Portugal. O Marquês de Pombal abre em 1789 a Real Fábrica com um mecanismo hidráulico inovador. No Reino de D. Maria I foi fundada outra Fábrica de Fiação por Jácome Ratton. O fluxo do rio era usado para produzir trabalho nesta e em muitas outras indústrias, com as do papel, vidro, sabões, sedas, metalúrgicas e outras.

Tomar esteve sob ocupação militar durante as Invasões Francesas ordenadas por Napoleão Bonaparte, contra a qual se revoltou. Foi libertada pelas tropas luso-inglesas de Wellington.

Em 1834 foi abolida a Ordem de Cristo juntamente com todas as outras ordens religiosas em Portugal no seguimento da Revolução Liberal.

Gualdim Pais

 

Gualdim Pais foi o quarto Mestre dos Templários em Portugal. Nasceu provavelmente em Amares, nos arredores de Braga, em 1118, filho de Paio Ramires, um cavaleiro nobre do Condado Portucalense, que apoiaria D. Afonso Henriques na rebelião contra sua mãe, D. Teresa, em 1128. 

 

Cresceu na companhia de D. Afonso Henriques, que o ordenou cavaleiro na Batalha de Ourique

 em 1139.

 

 

DESPEDIMENTOS COLECTIVOS

Em dois meses houve 83 empresas a fazer despedimentos colectivos

ARQUIVO GLOBAL IMAGENS

PUB

Se a tendência se mantiver, 2016 arrisca-se a inverter o padrão de descida destes casos que se registava desde 2013

Nos primeiros dois meses deste ano avançaram com despedimentos colectivos 83 empresas e o número de trabalhadores afitados ultrapassou os mil. Se o ritmo observado em Janeiro e Fevereiro se mantiver, 2016 arrisca-se a inverter a tendência de descida destes casos, que se registava desde 2013.

Ao longo de todo o ano de 2015 ficaram sem trabalho, na sequência de despedimentos colectivos, 5236 pessoas. E, de acordo com os dados agora disponibilizados pela Direcção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), foram 537 as empresas que usaram este mecanismo para ajustar a força de trabalho à sua atividade económica.

Depois do máximo histórico registado em 2012 (em que 1269 empresas fizeram despedimentos colectivos e foram dispensadas 10 488 pessoas), o recurso a este mecanismo começou a recuar de forma gradual.

Apesar das descidas entretanto observadas, o país ainda não conseguiu regressar totalmente aos níveis registados antes de Portugal avançar com o pedido de ajuda financeira. Em 2015, o universo de empresas com processos de despedimento coletivo foi, pela primeira vez, inferior ao período anterior à chegada da troika, mas esta reversão não chegou ainda ao número de trabalhadores afectados, já que os mais de cinco mil despedidos em 2015 superam largamente os 3462 que perderam o emprego em 2010.

Os dados relativos aos dois primeiros meses deste ano dão conta que as empresas continuam a recorrer de forma expressiva aos despedimentos colectivos, continuando as de pequena dimensão a ser o grupo mais numeroso de empresas que já iniciaram este tipo de procedimento: são 35 num total de 83. De acordo com os dados da DGERT, estas 83 empresas contam com um total de 18 565 trabalhadores, havendo indicação de que pretendem dispensar 969.

Mais de metade destas empresas (43) situa-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que, no seu conjunto querem despedir 498 das 17 614 pessoas que empregam. Segue-se o Porto, com 31 processos de despedimento colectivo, nos quais foi sinalizada a dispensa de 355 dos 782 trabalhadores de que dispõem.

16 DE MARÇO DE 2016    08:45

Lucília Tiago

UMA OUTRA FARMÁCIA

 

Na reunião de Câmara realizada em 20 de Março de 1995 foi aprovado o Programa de Instalação de novas farmácias, uma delas em Queijas.

Face às competências da autarquia não contemplarem abertura de concurso e concessão de alvarás, mas tão só a apresentação da proposta para instalação de novas farmácias, o processo foi remetido à ARS e deste passou para o INFARMED. Uma nova farmácia acabou por ser instalada em Queijas, satisfazendo-se, assim, mais uma pretensão da nossa população.

Em Maio de 98, as Juntas de Freguesia do concelho, são informadas pela CMO, a pedido da ARS, dos procedimentos necessários à organização dos processos de abertura de novas farmácias!

Em reunião de câmara de 23 de Junho de 1999, é decidido que se irá insistir novamente na necessidade urgente da resolução desta situação, apresentando o seu protesto público face à não satisfação das necessidades básicas e legítimas da população e não querendo cair na explicação de que a demora, resulta da protecção de interesses cooperativistas ilegítima de alguns poucos interessados. 

Reforça e mantém o pedido de novas farmácias onde consta mais uma para Queijas.

Apesar de se considerar seis a oito meses o prazo ideal para a conclusão de concursos de abertura de novas farmácias, o INFARMED, admite que não consegue dar resposta.

Uma situação que se arrasta ano após ano e que está a deixar os bairros novos do concelho sem estruturas capazes de responder às necessidades urgentes. A Câmara considera inadmissível e vai pedir audiência à Ministra da Saúde.

O processo para abertura do concurso da nossa segunda farmácia, acaba por passar pela Junta, somente em meados do ano de 2001, para na II série do Diário da República de 19 de Novembro de 2001, se ler: chamamos a atenção para diversas rectificações a listas de classificação finais relativas ao concurso para instalação de novas farmácias nas freguesias de (   ) de Queijas.

Todo este processo tem muito a ver com o Terceiro Mundo. e enquanto os donos das farmácias vão ficando ricos, a população vai ficando sem os serviços que elas prestam, a maioria das vezes com prejuízos materiais, físicos e morais.

Para acudirem aflitivamente aos seus doentes, as famílias gastam o que não têm e perdem o seu tempo em deslocações completamente evitáveis.

Sem comentários.

António Reis Luz

 

IGUALDADE PERANTE A LEI

 

Constituição, política e sociedade

TEMAS

Igualdade

 

Como se distingue o direito à igualdade do direito a não ser discriminado?

 

O senhor primeiro-ministro na sua mensagem natalícia, elegeu “o emprego digno, o salário justo e a oportunidade de realização profissional, como uma das prioridades para 2018”.  

Mais do que um direito fundamental, a igualdade surge, na nossa Constituição, como um princípio estruturante, baseado na dignidade da pessoa humana e no igual valor de todos os cidadãos perante a lei.

Todos os cidadãos são considerados iguais perante a lei, tendo todos a mesma posição em matéria de direitos e deveres. Será que em matéria laboral os trabalhadores da Sociedade Civil estão em igualdade com os trabalhadores da Função Pública? É evidente que não!

Diz-se, que na hora de avaliar um emprego, os portugueses dão maior preferência à segurança laboral do que ao valor do salário. Parece inquestionável que esta opção parece estar correcta. Praticamente ninguém consegue organizar a sua vida nem a da sua família e planear o futuro, sem estabilidade no seu emprego.

Só que no mundo laboral os trabalhadores civis não são beneficiados em todos os campos, segurança, salário, férias etc. Mas, relativamente aos trabalhadores da Função Pública, onde está a IGUALDADE? Será isto constitucional?

Em qualquer resposta, e em termos do campo sexual, as informações de desigualdade na comunicação social, são prementes, mas sobre este caso, não levanta esta incoerência absurda? Bem sei, que teríamos de confrontar a média dos salários entre estas duas realidades (civil vs pública) e estes valores, em termos médios, não aparecem publicados. Porque será? Estranho, ou mesmo muito estranho, sem qualquer dúvida que é! Contudo a desigualdade perante a lei é confrangedora!