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O ENTARDECER

O ENTARDECER

CATIVAÇÕES SEM DESMENTIDO

O recurso a cativações para reduzir o défice abaixo das metas definidas, foi criticado pelo Bloco de Esquerda.
O Bloco de Esquerda (BE) criticou hoje o recurso a cativações para reduzir o défice abaixo das metas definidas, com o ministro das Finanças a garantir que a despesa cativa em 2018 será inferior à deste ano. “As cativações têm sido muito acima do que tem sido habitual. As cativações não têm servido para cumprir metas do défice, têm servido para ultrapassar essas metas e isso não é aceitável quando temos tantos serviços com subfinanciamento crónico”, afirmou a deputada bloquista Mariana Mortágua, no debate da proposta de Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), que decorre hoje na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.
NOTAS- A propaganda feita pelo governo à redução do famigerado défice público, foi nos noticiários levado ao extremo.
Afinal, um governo pode fazer cativações, só em que condições? Como é possível haver uma aprovação das contas públicas, sem uma clara explicação aos portugueses porque são canceladas obras, retidos pagamentos, ou seja, feitas cativações, quando os governos anteriores também o poderiam ter feito? E não fizeram porquê? Porque razão a oposição não lhe indicou este caminho?

Se o não fizeram terá sido, só por motivos procedimentos de ética política? Nunca vi qualquer satisfação governamental, sobre este e outros assuntos controversos! Com a Aprovação das Contas não se brinca. E em vez de se fazer de um ministro das finanças um herói a ser desafiado pela União Europeia, tudo isto deveria ter sido explicado aos portugueses. Em toda a actividade governamental tem haver o máximo de clareza. Só assim se estima o povo e se acredita a governação nacional.

UMA CAUSA NACIONAL

 

O mal já está feito e o País continua a arder! Este é o clamor da Igreja pedindo medidas adequadas à extrema situação de hoje, que vai arrasando a vida e a continuidade deste cantinho que nos abriga!

“Por favor, usem os poderes de que estão empossados a bem do sossego deste pobre povo. Usem esse poder não olhando aos interesses partidários mas, acima de tudo, como servidores do país e do seu povo. Tudo o resto é efémero. Nada há mais poderoso e eficaz que um povo inteiro unido pela mesma causa!

Chegou a hora do país inteiro gritar bem alto: “basta de fogos florestais”. Basta de tantos fogos a destruírem um País multissecular! Este País está a arder, há semanas, meses, anos e séculos numa calamidade impiedosa. Hoje é pior do que qualquer das outras crises anteriores!”

Sem esquecermos o assalto ao Paiol em Tancos, não podemos esquecer-nos das famosas parcerias público privadas, nas quais se admitem (privados ou privadas), sem qualquer escrúpulo! Nas escolas, saúde, transportes etc., esta palavra (privados), causa muitos engulhos aos políticos de esquerda! Os pagamentos do Estado para estes senhores privados das PPP, durante os próximos vinte anos atingem 19 mil milhões de euros sem juros! Quem os assinou em nome do Estado é, ou será sempre, quem gere aquelas ditas empresas privadas! Quem ler com frequência a nossa imprensa, detecta amiúde coisas como esta:

 “De 1 de Janeiro até meados de Agosto foram contabilizadas 11 537 ocorrências de fogo florestal que destruíram 166 mil hectares de floresta, mais 48 mil hectares ardidos que em igual período do ano passado! Meu Deus, quanta madeira ardida e, mesmo assim, a nossa economia ainda crescerão 2,8% neste ano?

Enquanto importará tão grande volume de madeira ardida? Quem suportará tais custos o dono, ou o País que deixará de receber boa quantia pela sua não exportação!

Mais de 17 milhões para os lesados de Pedrógão Grande. Fora os outros que faltam.

Os heróis de tudo isto são sem dúvida os nossos bombeiros. Em tão grande quantidade de operacionais qual a percentagem de bombeiros voluntários versus municipais?

No final de contas não será de estranhar tantos incêndios. Não poderemos esquecer que este País é um verdadeiro matagal! Nele nada se limpa, nem sequer um simples quintal! As terras que há anos eram lavradas, gradadas, alquevadas e seguidamente semeadas, já o não são! Terá isto, alguma influência na taxa de crescimento da nossa economia? Enquanto tudo estiver debaixo da inteligência e saber de certos doutores, decerto não tem! Mas o matagal será cada vez maior, para já não falarmos do “maldoso e criminoso eucalipto da direita”!

 

 

 

Os bons e os maus:

 

 

O novo maniqueísmo da política portuguesa

Todos os dias o Governo decide. Quero dizer, “decide” e reincide. Com uma pressa inusitada. Umas vezes a reboque do BE, nas questões fracturantes, não vá o diabo tecê-las. Outras vezes, numa mistura de algum revanchismo e precipitação, como é o caso das medidas sobre avaliações no sistema público de educação (sobre estas conto escrever um post). Outras ainda, acelerando o ritmo da reversão de algumas medidas de austeridade fiscal e de rendimentos, mesmo que ainda sem Orçamento para 2016. Além disso, apressa-se a eliminar o quociente familiar no IRS. E os feriados aí estão, frescos e repristinados, com a ironia de esta união das esquerdas incluir os religiosos. Também sem sabermos quanto é que nos calha pagar, o Executivo tenta manter a TAP maioritariamente nas mãos do Estado e reverte as subconcessões na área de transportes. Rápido foi também na resolução do BANIF sobre a qual, porém, se deve aguardar o resultado da Comissão Parlamentar de Inquérito para dilucidar muitas dúvidas e algum nevoeiro explicativo.

Não discuto a bondade de algumas destas tomadas de posição, em particular a progressiva eliminação da sobretaxa no IRS e a reposição dos salários na função pública, bem como a redução em 50% da CES sobre os pensionistas (a única que coincida nos programas do PS e do PàF). Ou o aumento do salário mínimo nacional.

Fui crítico de muitas medidas injustas tomadas pelo Governo de Passos Coelho. No entanto, o que me parece é que, agora, tudo está a ser feito com óbvia correria e ligeireza, com aquele sabor populista e algo ingrato para o anterior Governo, que, concorde-se ou não, permite agora a Costa a habilidosa reversão de decisões que foram tomadas no âmbito de um programa de ajustamento (por sua vez, imposto por uma anterior governação socialista). Entretanto, Sampaio da Nóvoa agradece e Marcelo Rebelo de Sousa tacticamente acompanha. A Europa está cautelosamente apreensiva e os investidores desconfiam sobre o modo como o Estado age entre Governos, ziguezagueando entre decisões e “desdecisões”.

O resto, o difícil e estrutural, aguarda. Talvez siga dentro de momentos, depois de esgotado o foguetório e a publicidade das boas medidas.

Nesta propaganda, incute-se a ideia que, de um lado, estão os bons, do outro lado, os maus, ou seja a nova versão maniqueísta da política portuguesa. E se alguma medida menos simpática for tomada, a culpa não será deste Governo dos bons, mas antes dos maus. Um acordo para governar tão impressivamente gizado na generosidade dos bons, mas com a necessidade de obter a condescendência dos maus para o que não interessa aos bons (como no Orçamento rectificativo).

Por - António Bagão Félix

NÃO SERÁ POR ACASO

 

Sim, não será por acaso que num país cheio de problemas muito graves, outros casos de somenos, ocupam os jornais e televisões durante mais de uma semana! Convêm passar o tempo e pôr as pessoas a “pensar”!

Um destes últimos casos pode ser o da vacina do sarampo. Em tempos, nenhuma criança se vacinava, e lembro-me de irmãos e amigos de irmãos, todos acossados e deitados na cama, com o velho sarampo.

Qualquer país vive, bem como a sua população, da riqueza criada pelo próprio país. Tal riqueza tem de dar para tudo, até para vacinas!

Não será difícil perceber que tal riqueza, é em grande percentagem, oriunda da actividade da economia privada e especialmente do norte de Portugal! A função pública, com actividades importantes, tem mais vocação para gastar a riqueza arrecadada pelos grandes e pequenos empresários!

Em pleno 2016, ainda há bem pouco, podíamos ler: “ O nível médio de escolaridade do patronato em Portugal é inferior ao dos trabalhadores. Segundo os números do EUROSTAT, organismo oficial de estatística da União Europeia, 113 mil patrões (55,8% do total), no ano passado, tinha apenas o ensino básico, contra um milhão de assalariados, 1,6 milhões de trabalhadores (45,5%) com o mesmo grau de ensino. Segundo a mesma fonte, 45 mil patrões (22,4%) tinham o ensino secundário, contra um milhão de assalariados (27,3%) com o mesmo nível médio de ensino.

Quanto ao ensino superior, apenas 44 mil patrões tinham este grau de escolaridade (21,7%), e em 997 mil de trabalhadores, existem (27,2%) de licenciados.

Tudo isto quando: “Uma das prioridades do CNAPEF é que as escolas e os agrupamentos possam desenvolver o programa de Educação Física desde o pré-escolar ao 12.º ano, de acordo com as reais potencialidades do aluno. Neste momento, os representantes dos professores de Educação Física estão a ter reuniões com o Ministério da Educação para definirem em conjunto as competências essenciais da disciplina, tal como está a ser feito para as outras cadeiras.”

Dada a prioridade na obtenção de riqueza, para atacar os graves problemas de Portugal; economia, idosos, emprego, infância, exportações, crescimento, saúde etc.,  seria de convidar os melhores empresários a darem, também, aulas nas escolas e universidades de Portugal?

Isto, apesar de se saber que existem qualidades natas, ou seja, há coisas que já nascem com as pessoas e não se ensinam!

A VERDADE É DURA DE ROER

 

POR FAVOR NÃO CONTINUEM A ENGANAR OS PORTUGUESES

No actual Sistema Político os governos não enxergam para além das eleições seguintes e só de soslaio olham para as próximas gerações. Por exemplo, o desequilíbrio demográfico é assunto de somenos, que não dá azo a mediáticas conferências às horas dos telejornais. O interior e a coesão social é para esquecer!

 

Ora, o Modelo Económico actual está esgotado, e tem por base três grandes pilares:

1 - Excessiva presença do Estado na economia;

2 - Investimento público, como "motor" da Economia;

3 - Construção e atribuição de direitos e regalias sociais, de forma generalizada, sem qualquer análise e sem preocupação de sustentabilidade económico-financeira.

 

A Saúde, Educação, Segurança Social, etc., ou seja, o Estado Social que temos, obriga-nos a esquecer e repudiar a propaganda de Sócrates e da sua pretensa paixão por este Estado Social. Está tudo em queda livre, melhor dizendo sem sustentabilidade, depois da volumosa dívida que ele criou ao país com o seu investimento público (PPP) e a excessiva presença do Estado na vida económica nacional. Tudo acrescido do envio para reformas e pré-reformas de milhares de portugueses desempregados e sem idade para conseguir emprego ou reformar-se.

 

Em plena campanha, lá continua ele apregoando o Estado Social numa altura em que já se verifica a inversão da pirâmide etária da população, com evidentes consequências para a sustentabilidade da própria Segurança Social nacional.

 

Sem considerar a quebra na natalidade, o Governo dá mais uma facada nos auxílios às famílias. Desta vez, a facada é no coração dos apoios sociais, no abono de família, algo que se reputa de essencial. Fazendo ouvidos moucos às verdades de Medina Carreira, está-se nas tintas para a insustentabilidade das contas públicas portuguesas. E o peso crescente das despesas sociais no Orçamento de Estado não é sustentável numa economia que ele pôs estagnada. A conclusão desta análise é que os portugueses, serão obrigados a rever as suas expectativas em relação às prestações, salários, reformas ou outras, que irão receber do Estado.

É perante esta realidade económica e social, que José Sócrates atirou para as costas da futura geração uma dívida monstruosa sem se preocupar com a impossibilidade dela, não vir a ter o actual e famoso Estado Social, que ele tanto apregoa, para ganhar as eleições e os respectivos votos, continuando a gastar à “tripa forra”. A isto chama-se desonestidade.

António Reis Luz

 

 

Degradação dos Salários

 

A economia portuguesa está a sofrer uma gradual e preocupante desvalorização salarial. A tendência é mais acentuada NOS EMPREGOS PRIVADOS, já que no Estado, o Governo e a maioria parlamentar de esquerda, eliminaram os cortes que atingiam os funcionários públicos. Há meia dúzia de anos falava-se da tragédia dos mil euritas, jovens qualificados dificilmente conseguiam emprego acima daquele patamar. A degradação a que se assistiu nos últimos anos foi tão grande, que agora os mil euros até já se tornaram um sonho distante para milhares de jovens qualificados. Na vida real das empresas privadas, o limiar do salário é cada vez mais o diapasão que pauta os ordenados.

Armando Esteves Pereira – CM – 15-11-2016      

SEM GRAVATA NÃO

 

Um árabe cheio de sede atravessava o deserto há várias horas quando ao longe vislumbrou uma banca.
Na esperança de lá ter água, acelerou o passo.  
 Uma hora depois chega finalmente e aproxima-se

- Boa tarde, tem água?

- Não, a única coisa que tenho são gravatas para venda.  Gravatas ?   Quem é que compra isso no deserto ?

- Olhe que estão em promoção, cinco euros cada uma

- Quer comprar ?

- Claro que não !   Estou cheio de sede e o que eu queria era água

- Tenho aqui umas que combinam com a sua túnica...

- Não quero nada disso, já disse !   Quero é matar a sede OK.  Mas olhe, depois daquela duna ali, se virar para Oeste encontra um oásis a cerca de 4km.

- A sério ?!

- Garantido !

- Então vou-me pôr a caminho.

Passadas cinco horas e já rente à noitinha, o árabe volta ao local da banca das gravatas:

- Então, encontrou o oásis ?

- Encontrei.

- Então?

- O cabrão do porteiro diz que não se pode entrar sem gravata.


 

 

 

 

 

CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL

 

Apresentação do Governador Vítor Constâncio do Boletim Económico - Março de 2002, em 30 de Abril de 2002

 

AJUSTAMENTO ECONÓMICO E CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL

A publicação deste Boletim Económico constitui uma oportunidade para realizar uma primeira apreciação do comportamento da economia portuguesa no ano passado usando os dados por enquanto disponíveis. Um primeiro balanço da evolução da economia permite-me identificar três grupos de problemas que defrontamos neste momento:

  • Uma desaceleração da actividade económica, que partilhamos com o resto da Europa, mas que tem factores internos próprios;
  • Uma difícil situação orçamental que requer uma redução significativa do défice em pouco tempo;
  • Um défice estrutural de competitividade a que temos que fazer face com novas soluções que alterem o lado da oferta da economia, de forma a vencer os desafios que nos coloca o alargamento da União Europeia.  

HÁ GENTE QUE TENTA CONFUNDIR AS COISAS

 

Apresentação do Governador Vítor Constâncio do Boletim Económico - Março de 2002, em 30 de Abril de 2002

 

AJUSTAMENTO ECONÓMICO E CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL

A publicação deste Boletim Económico constitui uma oportunidade para realizar uma primeira apreciação do comportamento da economia portuguesa no ano passado usando os dados por enquanto disponíveis. Um primeiro balanço da evolução da economia permite-me identificar três grupos de problemas que defrontamos neste momento:

  • Uma desaceleração da actividade económica, que partilhamos com o resto da Europa, mas que tem factores internos próprios;
  • Uma difícil situação orçamental que requer uma redução significativa do défice em pouco tempo;
  • Um défice estrutural de competitividade a que temos que fazer face com novas soluções que alterem o lado da oferta da economia, de forma a vencer os desafios que nos coloca o alargamento da União Europeia.  

INTRODUÇÃO

Em todo e qualquer país, em todas as sociedades civis, há um fio condutor que assegura o seu progresso e a sua existência. Este fio condutor é composto fisicamente de duas realidades diferentes ; uma de natureza humana e outra de natureza sobrenatural. Esta última representa o seu passado e os milhares de pessoas que o serviram, mas que já morreram. A natureza humana representa aqueles que estão vivos e a representam.

 

Este fio condutor obedece a regras inscritas, talvez, na natureza. Aquela parte do fio de condição humana pode aguentar esforços de distensão rápida ou mesmo de estagnação ou compressão, mas nunca de rupturas. De qualquer modo, deve estar sempre atenta à componente a que chamei de natureza sobrenatural, muito extensa, que representa aqueles já desaparecidos, ou seja, o passado do país e da sua sociedade civil.

 

Quem tem a incumbência de tomar decisões se não respeitar esta realidade, ou até rindo dela, pode provocar rupturas de grande dimensão e, muitas vezes, a rutura do tal fio e das realidades e projectos que ele assegurava. Aquilo que foi o esforço de muitos vivos e mortos, acaba por desaparecer pelo efeito da entropia ou seja do lixo avolumado. Isto acontece mesmo que ponham um camião às 10 da manhã a escondê-lo!

 

De certo modo foi isso que aconteceu em Portugal depois da Revolução dos Cravos. Os capitães tiveram muitos seguidores, embora de natureza mais moderada, mas que cometeram e continuam a cometer erros de estratégia na tomada de decisões. Isto acontece pela total desresponsabilização com que se passa uma esponja aos sistemáticos maus decisores.

 

Quando por exemplo se aposta numa revolução informática é preciso saber que tipo de licenciados temos produzido e fazer nascer esta realidade em largo tempo e , enquanto isso, manter a coesão das várias gerações nas suas competências e saberes adquiridos.

 

Num momento em que a nossa adesão à UE levou a drásticas reduções no tecido laboral, por vezes, nos limites da sua quase extinção, casos da agrícultura ou das pescas, teria sido preciso garantir que muita dessa gente atingida, ainda tivesse podido ter sido muito útil ao nosso país. No fundo, poucos países têm tanto mar disponível como nós, e há muitas formas de pescar, e muita riqueza nele por descobrir, para desperdiçar tanto talento e experiência. Na agricultura passa-se o mesmo. Por vezes nem é uma questão de dinheiro, mas sim de respeito pelo Homem. E esta falta de respeito por quem tem valor e se esforçou sem cansaço, desinteressadamente, pelo BEM COMUM, paga-se muito cara em termos de falta mobilização e perda de criatividade.

 

Na cola da globalização temos pela frente novos sacrifícios dessa natureza. O nosso fio condutor como nação de muitos séculos não pode suportar tanto esforço de tracção. Não podemos esquecer como tantas grandes civilizações desapareceram. Não esquecer “As Mil e Uma Noites” duma Bagdade, centro do mundo, e hoje cenário de um caos arrepiante!

 

Todos os  esforços para encontrar o rumo deste país, continuam a cair em cima de uma geração, como outra não houve até hoje em Portugal. Nascida em clima de Guerras Mundiais e Civis( 1920 a 1945 ), quando para tirar um curso médio só estava ao alcance de poucos endinheirados. Porém, nesses tempos, ficava-se a saber bastante na Instrução Primária !

 

Era o saber de uma geração que viu morrerem-lhes os pais depois de uma velhice sem reforma e sem segurança social ou quaisquer apoios estatais .

Lares não havia, nem era de supor vir a haver

Morriam de quê ? Ninguém sabia. Morriam.

Depois de uma vida a trabalhar de sol a sol, sem férias, nem conforto !

Eram felizes quando assim era e davam Graças a Deus !

Morriam olhando os filhos com ar de agradecimento pelas migalhas e alguns beijos recebidos deles.

Dos filhos de então que em simultâneo tiveram que dar carinho e apoio a duas gerações enfraquecidas por razões opostas.

Os seus pais e os seus filhos.

Alguns dos filhos já estudavam para aprenderem um oficio. Mas a grande maioria  trabalhava desde criança!

Para milhares e milhares de pessoas o emprego não aparecia. Esses legalmente ou a “salto “ debandavam outras terras longínquas umas vezes , para as grandes cidades do país outras, onde não conheciam ninguém.

Muitas vezes para morar em barracas, gelados de frio, como nos “bidon ville”, a fim de mandarem para Portugal as suas remessas em dinheiro. Aos poucos o pecúlio ia crescendo, mas o país que não lhes deu a mão, já não podia passar sem ele para comprar o crude para a nossa nova economia, velha em cada dia.

Mais guerras foram aparecendo na Índia, na Guiné, em Angola e Moçambique, em Timor e mais soldados morreram, muitos. Outros ficaram para sempre inutilizados ou sofredores de pesadelos por matarem ou por medo de serem mortos.

 

Nas suas aldeias não havia quem tivesse carro. Na vila só duas ou três pessoas !

 

Milhares morriam prematuramente de tuberculose, também isso pouco importava perante uma esperança de vida tão baixa. Com outras  epidemias outros milhares deixavam filhos órfãos, sem sustento nem qualquer apoio.

 

Enquanto o tempo passava e o século XX dobrava, Portugal apareceu de repente invadido com milhares de coisas que não existiam.

O mundo também.

Algumas até falavam e noutras podíamos ver o mundo inteiro, primeiro a preto e branco e depois a cores.

Eram tantas coisas que nos deixavam de boca aberta.

Esta geração não se assustou e em pouco tempo já as ligávamos e desligávamos e mais uns meses à frente até as  sabíamos consertar.

Computadores e tudo. Até programar !

Portugal não ficou envergonhado e até tínhamos dos melhores técnicos, segundo diziam os nossos emigrantes de férias em Portugal!

Quando se quer muito tudo se resolve, mas é preciso que acreditem em nós.

Num momento Portugal também ficou cheio de carros, barcos de recreio etc.

 

A sua posse tornou-se banal.

 

Os satélites e as viagens à lua também, não no uso mas nos noticiários !

 

Certo dia num aeroporto ouvi alguém que chegava dizer à mulher que o esperava : viajei de avião para a madeira em serviço e dormi num bom hotel. Nunca esperei. Sinto-me tratado com respeito.

 

Nem tudo foram sacrifícios, esta geração já tinha férias, subsídios, assistência médica, descontava para a reforma e começou a ir ao estrangeiro. Diziam que não havia liberdade mas nem tinha tempo para pensar nisso.

 

A geração de ouro queria era trabalhar e poupar para que nada faltasse aos seus filhos e aos seus pais.

 

De repente, em Abril/74, começaram-nos a dizer para não trabalharmos tanto e para pedirmos aumento do vencimento. Muitos ingenuamente fizeram-no.

No final dos meses os vencimentos começaram a estar em perigo. Havia boato de que era preciso reduzir custos e despedir ou pré – reformar os mais velhos, aqueles que nunca quiseram fazer greve. Aqueles que só queriam que os deixassem trabalhar.

Aos cinquenta anos o António , e o seu primo da Lisnave, que sabia reparar barcos muito grandes, estavam os dois sentados no jardim. Aos poucos vinham chegando cada vez mais e mais.

Foi a ruptura com uma geração de ouro . Tinha de ser ela a pagar a crise, mesmo sem fazer greves.

Naturalmente sentiu-se mal tratada, desprezada até. Hoje, continua a ser ela a pagar e a ser ignorada!

 

Nos bancos do jardim, os reformados e pré-reformados, ouviam coisas como esta: “pelo meu filho soube que na escola dele nenhum miúdo sabia o que era uma lima ou uma grosa. Ninguém sabia a tabuada ou fazer contas. Só sabiam que o Porto era lá do norte,  por causa do jogo do futebol. Tudo isto deve ser da minha cabeça pois, vi num jornal do clube do bairro, que agora estudam muito mais crianças mas, uma olhou para o jornal que eu lia, e não conseguia ler direito”. Era uma das que aumentavam as estatísticas da escolaridade! Depois, o mercado de trabalho não lhes dá emprego porque os mesmos que defendem a escola pública também deram cabo da pouca economia que havia e não puderam nem souberam erguer outra que empregasse tanto licenciado!

 

Noutro banco do jardim podia-se ainda ouvir : “fui visitar os meus antigos colegas de trabalho para lhes contar as coisas estranhas que tenho sabido. Mais valia não ter lá ido, estava um licenciado no meu lugar a fazer contas de somar contando pelos dedos. Ainda me ofereci para o ajudar, mas ele olhou-me com má cara”.

 

Enterraram a geração de ouro nos bancos do jardim prematuramente, e continuam a tirar-lhe dinheiro e regalias que com tanto sacrifício tinham conseguido! Também deram cabo da “segurança social”. Tudo está em perigo!

 

Se calhar tais trabalhadores estavam a mais e deveriam ter morrido mais cedo, como os nossos pais, aos cinquenta anos. Era melhor para todos . Esticaram tanto que partiram o fio condutor !

Agora não encontram remédio para o défice das finanças públicas!

Vão ver que ainda vêm ter connosco para pagarmos a crise ! Certo e sabido, hoje, já nos estão a tirar tudo aquilo que alcançámos com sangue suor e lágrimas!