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O ENTARDECER

O ENTARDECER

A NOITE SOCIALISTA

 

Com a excepção do intermédio cómico Barroso/Santana, o PS governou Portugal nos últimos quinze anos. Portanto, o PS é o principal culpado pelo estado comatoso da nossa economia. Isto não é uma questão de opinião, é uma questão de facto. Quinze anos são quinze anos, e os resultados desta longa noite socialista estão aí: dívida incontinente, défice incontrolável e incapacidade crónica para crescer a uma média europeia. A tormenta que estamos a viver em 2010 não resulta da mediática crise internacional de 2008-2010, mas sim da silenciosa crise portuguesa que começou a emergir em 1999. A publicidade enganosa de José Sócrates não pode apagar este facto: nos últimos dez anos, Portugal saiu da rota de convergência com a Europa; na última década, a Europa e o mundo conheceram um crescimento ímpar, mas Portugal passou ao lado dessa prosperidade. Aliás, nós estamos a atravessar o período mais negro da economia portuguesa desde o tempo em que o meu avô 'proibia' a minha avó de ir à 'farmácia'.

Com Guterres e Sócrates, o PS continuou a linha de fomento fontista iniciada por Cavaco Silva (o socratismo é uma espécie de cavaquismo 2.0). Em consequência, este cavaquismo cor-de-rosa viciou o país nas obras públicas, criando assim a contradição mortal da nossa economia: Portugal aceitou fazer parte do euro, do mercado europeu e da globalização, mas, em simultâneo, viciou-se nas obras públicas, aquelas coisas faraónicas que não são exportáveis. Isto é o mesmo que ir para o duelo do "O.K. Corral" com uma fisga a fazer de Colt 45. Ao jogar com as armas erradas, a economia portuguesa transformou-se numa linha de montagem de dívida: os governos socialistas pedem dinheiro aos malvados especuladores para depois distribuírem esse dinheiro pelos benfazejos construtores civis, os arautos da modernidade socrática. Desta forma, Portugal, que devia estar concentrado nos mercados externos, tornou-se um ensimesmado estaleiro de obras.

A não ser que o dr. Jorge Coelho surpreenda o mundo com a invenção da 'obra pública exportável', Portugal não pode continuar a apostar neste capitalismo de betão. De uma vez por todas, as construtoras civis têm de sair do centro da nossa economia. Esta longa noite socialista tem de acabar. Portugal não merece ser o Alabama socialista da confederação europeia.

UM MUNDO SEM DESTINO

Para detetar muitas das causas que nos levaram ao atual estado de austeridade, nem será preciso fazer a famosa descida ao fundo do poço. Muitas delas foram fruto de uma revolução desfasada nos conceitos e totalmente fora de uma realidade que levou o mundo a caminhar por vias diferentes, muito diferentes. Estamos a pagar o preço por não termos caminhado por uma democratização sem revanchismos nem excluídos, antes, de mão dada com todos tal como fizeram os nossos vizinhos espanhóis. Eis pois, aquilo que se fez e não devia ter sido feito; Das chamadas “conquistas da Revolução” – nacionalizações, reforma agrária e controle operário – a terceira nunca existiu de facto, a segunda deixou uma marca profunda no Alentejo, a primeira moldou o destino da economia e da sociedade portuguesa até aos dias de hoje, no mau sentido.

As nacionalizações, a seguir ao 11 de Março que foram da responsabilidade da ala militar ligada ao PCP, no MFA, são, ainda, nos tempos que passam, um enorme sorvedouro de recursos financeiros e uma fonte de sacrifícios para os portugueses, sem esquecer a fonte de instabilidade sindical e social que as deixam ser. Em todo este problema de saber quem detém a posse das empresas, há um outro que não pode ser esquecido por dizer respeito aos seus trabalhadores. Eles são, foram e continuarão a ser o maior capital dessas mesmas empresas e do país e nessa condição viram-se confrontados com difíceis adaptações e uma nova realidade na estabilidade do emprego.No ato das nacionalizações, que foram atos revolucionários, a primeira ação era regra geral o saneamento selvagem de toda a estrutura de comando ou até técnica. Muita gente de lágrimas nos olhos viu ser-lhes retirado o trabalho e os direitos adquiridos. Normalmente eram substituídos por outros , por vezes alheios às empresas, nomeados nunca por desempenhos ou qualidades demonstradas.  Ascenderam a tais posições de relevo na estrutura dessas empresas, mais como comissários políticos. A qualidade pedida era que fossem de esquerda de preferência ativistas políticos e antifascistas. Nesta situação as empresas foram-se deteriorando, adoecendo até se verem forçadas a estender a mão aos cofres do Estado. Os salários começaram a estar em perigo todos os meses, foram poucos os casos de encerramento com despedimento coletivo. Mas é destas cinzas que renasce a vida, a fénix renascida. Passa por aí a nossa salvação-

UM Bico-de-obra

 

As estatísticas do desemprego são assustadoras. A destruição de postos de trabalho nunca foi tão acelerada, mas a realidade ainda consegue ser pior do que aquilo que contam os números oficias. Entre Outubro de 2008, o mês em que a economia real começou a ser contagiada pela crise financeira internacional, e Outubro do corrente ano o número de desempregados inscritos no IEFP passou de 400 877 para 517 5216. 

Mas muitas mais pessoas foram atingidas pelo flagelo neste período. Como revela hoje o CM, uma das razões para que as estatísticas de desemprego não sejam ainda piores é o recurso às reformas antecipadas. Trata-se de uma tábua de salvação para quem tem descontos e idade suficiente, apesar da penalização da pensão por cada ano que falta até aos 65 anos.

Em Outubro, o número de pessoas desempregadas que recorreram à reforma antecipada já ultrapassava as 80 mil, o que significa que, se não existisse este mecanismo, o número oficial de desempregados já estava em patamares inadmissíveis. Em situação mais dramática estão as pessoas sem emprego com mais de 45 anos ou 50 e poucos, que o mercado de trabalho considera velhos, mas que são muito novos para ter acesso à reforma antecipada. Essa geração e os jovens à procura do primeiro emprego são as principais vítimas desta crise.

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto - 09 Dezembro de 2009 - 00h30

 

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