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O ENTARDECER

O ENTARDECER

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DOS MÉDICOS

 

O trágico balanço da epidemia do ébola à escala transcontinental e do surto de Legionella que aflige o nosso país, colocaram o mundo da medicina e, muito especialmente, o universo hospitalar na mira dos holofotes da opinião pública e do ansioso escrutínio das populações.

Fazendo uma leitura atenta do Código Deontológico da Ordem dos Médicos, fico logo a remoer o artigo n.º 4, embora saiba que a terminologia jurídica é, muitas vezes arrevesada, por alguma razão:

“Artigo 4.º” – INDEPENDÊNICIA DOS MÉDICOS

  1. O médico, no exercício da sua função, é técnica e deontologicamente independente e responsável pelos seus atos. Não podendo ser subordinado à orientação técnica e deontológica de estranhos à profissão médica no exercício das funções clínicas.
  2. O disposto no número anterior não contraria a existência de hierarquias técnicas institucionais legal ou contratualmente estabelecidas, não podendo em nenhum caso um médico ser constrangido a praticar atos médicos contra a sua vontade.

Tudo isto causa naturalmente alguma perturbação em qualquer cidadão de bons costumes, principalmente quando se lembra da figura respeitável do “ João Semana”. Esta figura, historicamente inapagável, também tinha o seu “Código Deontológico”, virá a talho de foice recordar alguns desses seus princípios. Filmado em São João da Pesqueira, no magnífico cenário do Douro, é um retrato de Portugal do século XIX. João Semana é o guia que nos conduz do Portugal antigo ao Portugal moderno que então começa a surgir, hesitante e medroso.
Sendo o palco da ação desta série a aldeia mítica que Júlio Diniz criou, o nosso médico, fascinado pela ciência mas que se deixa submeter às antigas tradições de curandeiros e bruxos, faz a ligação com o mundo urbano, colocando no interior da ação as inquietações que começavam a agitar as elites culturais da época. 

É certo que o “João Semana” não passa de um personagem de romance. Mas se a Doença e o Socorro não têm rosto, os doentes e os médicos têm. Será com os olhos desse rosto que se olharão, e dirão dos seus sentimentos mútuos, para se entenderem sobre as decisões médicas. Porque, frente a frente, e solidários, ambos se ligam no amor à Vida. Chegados aqui, importa saber qual a atitude dos médicos perante uma requisição civil, decretada nos termos da lei? Numa data festiva e fria, deixariam os nossos médicos as suas férias em climas mais temperados, para acudirem ao pesadelo nos hospitais repletos de gente sofredora nos corredores? Pensando no João Semana, seria necessário fazer requisição civil, para eles acorrerem ao alívio dessa dor, em gente tão desesperada e tão debilitada?

 António Reis Luz

    

AS MATILHAS DE MEDÍOCRES

 

O nosso herói nasceu em Buenos Aires. Foi o que hoje chamaríamos de uma personalidade multidisciplinar. Médico, catedrático, estudioso de psicologia, filosofia e

sociologia. Conferencista, polémico, independente das correntes políticas da sua época, ataca a falta de idealismo de seu tempo.

O Homem Medíocre trata de uma análise do carácter humano em função das suas desigualdades. Além disso, do entorno social que produz a que ele chama de mediocracia, o regime em que somente os medíocres triunfam. Para que a sociedade dê o salto qualitativo, capaz de fazê-la pular a cerca das limitações impostas pela conjuntura, é necessário que apareçam os forjadores de ideais, as lideranças carismáticas que a história produziu em nomes como Lincoln, Gandi, Washington, Sarmiento, etc.

A sua crítica impiedosa aos desvios da sociedade do seu tempo, aponta para a necessidade de superação dos defeitos morais que impedem a formação de ideais, tais como o servilismo, a rotina e a hipocrisia.

"Até hoje, nunca houve uma democracia efectiva” escrevia José Ingenieros em 1913. ”Os regimes que adoptaram esse nome foram uma ficção. As supostas democracias de todos os

tempos foram confabulações de profissionais para se aproveitarem das massas e excluírem os homens eminentes. Sempre foram mediocracias. A premissa da sua mentira foi a existência de um ‘povo’ capaz de assumir a soberania do Estado. Não existe tal coisa: as massas pobres e ignorantes não tiveram até hoje capacidade para governar: apenas trocaram de pastores”.

“Os maiores teóricos do ideal democrático foram, na realidade, individualistas e partidários da selecção natural: perseguiam a aristocracia do mérito contra os privilégios das castas. A igualdade é um equívoco ou um paradoxo, conforme o caso. A democracia foi uma ilusão, como todas as abstracções que povoam a fantasia dos iludidos ou formam o capital dos falsos.

O povo estava distante dela.“

“As matilhas de medíocres novatos, atadas pelo pescoço com a correia de apetites comuns, ousam denominar-se partidos. Ruminam um credo, fingem um ideal, arreiam fantasmas consulares e recrutam um exército de lacaios. Isso basta para disputar abertamente cargos e privilégios governamentais.

O REINO DA PODRIDÃO

 

Não confundir nunca pura maldade com traição. Por vezes andam juntas, mas podem andar sozinhas. A maléfica vai mais longe, invoca Lúcifer, fala com corvos, enfeitiça reinos e belas herdeiras... Mas qual é a verdadeira razão de tanto trabalho? Merece a pena condenar um bebé à morte só porque não se foi convidado para o seu baptizado? A verdadeira razão é encontrar e juntar-se com a traição.

Não é o tormento de saber que “queria, mas não queria”, mas agora já quer. Ela sabe que ataca quem a ajudou e que, depois, se submete aqueles que transportam em si, o signo de mandar nos outros. Sem direito a renúncia!

É uma pena que a vilã mais requintada de toda a TRAMA seja a menos sofisticada.


Toda a cabra que se preze sabe que a vingança é um excelente motivo para cometer actos pérfidos, horrendos, reprováveis e malcheirosos. Toda a cabra que se preze sabe também da importância de mandar nas vozes que tantas vezes fazem eco nas cabeças mais despenteadas. Porque “ o ataque sórdido” não é (só) maluqueira, a nossa “Virgem” teria dado uma excelente cabra se não fosse precisamente isso, doida. É doida mas não VIRGEM, PORQUE AMANHÃ VOLTA A PECAR. Tantas vezes quantas forem precisas.
A VIRGEM que vimos despertar do nada tem maldade, sede de vingança, é invejosa, mentirosa, retorcida, silenciosa e conhecedora dos medos angelicais que disfarça. É uma cabra de livro? O problema é que não é dela este ódio sobrenatural. A verdadeira cabra deste filme não está morta e chama-se ASSALTO. A URDIDURA não passa de um fantoche tresloucado, de uma pobre velha histérica perseguida por um fantasma que a domina, que se lhe mete na cama e lhe molha os sonhos. É o monstro que traz no corpo, a ofensa. É o ataque a quem é competente, honesto, amigo transparente e se endireita com os monstros da escuridão. A nossa VIRGEM OFENDIDA sabe de tudo isto e mais ainda, mas tem de obedecer a Lúcifer. Tem de trair os justos, porque se não, nunca haverá lugar para ela no reino da podridão.

O VALOR DA DIGNIDADE

 

Um psicólogo fingiu ser varredor durante 1 mês e viveu como um ser invisível.
O psicólogo social FB da Costa vestiu
durante 1 mês a farda de varredor e varreu as ruas da Universidade de São Paulo, onde é professor e investigador, para concluir a sua tese de mestrado sobre Invisibilidade Pública'. Ele procurou mostrar com a sua investigação a existência da 'invisibilidade pública'uma perceção humana totalmente condicionada pela divisão social do trabalhoonde se valoriza somente a função social e não a pessoa em si; quem não esteja bem posicionado,sob este critério, torna-se uma mera sombra social, praticamente invisível. Constatou que, aos olhos da sociedade, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis e sem nome'.
Ele trabalhava apenas meio-dia como varredor, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas, mas garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples
'BOM DIA', que nunca recebi como varredor, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o investigador. Diz que sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. “Os meus colegas professores que me abraçavam diariamente nos corredores da Universidade passavam por mim e não me reconheciam por causa da farda que eu usava.”
-O que sentiu, trabalhando como varredor?
Uma profunda angústia.
Uma vez, um dos varredores convidou-me para almoçar no refeitório central. Entrei no Instituto de Psicologia para levantar dinheiro, passei pelo piso térreo, subi as escadas, percorri todo o segundo andar, passei pela biblioteca e pelo centro académico, onde estava muita gente conhecida. Fiz todo esse percurso e ninguém EM ABSOLUTO ME RECONHECEU. Fui inundado de uma indescritível tristeza.- E depois de um mês a trabalhar como varredor? Isso mudou?
Fui-me habituando a ser ignorado. Quando via um colega professor a aproximar-se de mim, eu até parava de varrer, na esperança de ser reconhecido, mas nem um sequer olhou para mim.

- E quando voltou para casa, para o seu mundo real, o que mudou?
Mudei substancialmente a minha forma de pensar. A partir do momento em que se experimenta essa condição social, não se esquece

Jamais. Esta experiência mudou a minha vida, curou a minha doença burguesa, transformou a minha mente. A partir desse dia, nunca mais deixei de cumprimentar um trabalhador. Faço questão demostrar ao trabalhador que sei que ele existe, que é importante e que tem valor.- 

Aprendi verdadeiramente, com esta experiência, o"Valor da Dignidade”.

 

O POVO E O MONSTRO

O Monstro – está instalado entre nós, já passa de 40  anos. Veio para ficar? Uma coisa é certa ele apareceu depois do 25 de Abril 74, antes havia problemas mas eram de outro teor.

Sem povo não existe uma única Nação no mundo. Já que os políticos, nada têm feito para matar este monstro, IMAGINEMOS que terá de ser o POVO a fazê-lo.

Como matar este monstro?

Se quisermos fazê-lo, temos de escutar o «País Profundo» e todo o tempo será pouco. De resto, ele povo, é a imensa multidão que paga os esbanjamentos daqueles que nunca são julgados pela sua desonestidade e incompetência.

Que paga uma comunicação social que o vai distraindo! Este povo sente quem o serve e sabe agradecer, mas o poder da manipulação social é grande.

Todas as instituições civis: as famílias, a vizinhança, as igrejas e as associações voluntárias em geral, desde que não estejam “ contaminadas “pelo“ sistema apodrecido! Assim, são estes pequenos, mas muitos, pelotões nos quais a população participa e confia, de onde podem emanar os “alertas” tão necessários para que os poderes instituídos não se desviem do sentir, que é a sabedoria do povo, que elege os políticos. Para que a Sociedade Civil atinja os altos níveis de confiança, tão necessários ao País,temos que nela acreditar. Como?

Ouvindo-a e desenvolvendo mecanismos de captação da opinião geral da população. Nunca lançar ruído sobre ela. Nada de “Pour-Point”.

 

Qualquer político tem de ter esse dom, ou seja, saber intuir e captar essa opinião geral! De outro modo não pode ser político eleito. Isto, nada tem a ver com a famigerada governação por sondagens (manipuladas). Porque conhecer o sentir que vem da população deve servir principalmente como modelo de aferição face às tomadas de decisão justas e não populares. Este é um caminho que se faz andando. Andando depressa.

Precisamos de Homens de Estado que saibam olhar para a vasta multidão de portugueses e, sem medo, lhes afirmar: “Se ninguém precisa de ti, eu venho procurar-te. Se não serves para nada, eu não te posso dispensar.”

 

São estes milhões de portugueses que detêm a opinião geral do País!

São eles que parecem estar sozinhos, mas são de longe a maioria.

São estes milhões de cidadãos anónimos que pagam as portagens daqueles que não as querem pagar!

São estes milhões de portugueses que pagam as propinas universitárias daqueles que também não as querem pagar. Mesmo sem terem filhos, ou tendo-os, cedo começaram a trabalhar!

São eles que pagam pesadíssimos impostos para sustentar quem não os sabe, ou não quer, servir!

São estes milhões, de gente boa, que não tem a defesa das corporações, das organizações secretas, das teias, dos lóbis, dos partidos e dos seus aparelhos, mas que são o Portugal autêntico. Um dia se verá.

Eles são Portugal. Os outros servem-se de Portugal!

 

 

 

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