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O ENTARDECER

O ENTARDECER

Quem foi Joaquim de Fiore?

Segundo a historiadora Rossato (2004)  “Joaquim de Fiore foi poeta, artista e visionário” também considerado um místico, teólogo e filósofo da história, foi o fundador da ordem monástica de San Giovanni em Fiore , monge nascido no ano de 1130 (ou 1135) na região da Calábria gozava já durante a sua permanência na Ordem de Cister de uma fama de “homem santo” e de ideias bastante controversas, foi por esse prestígio que não demorou muito para que abandonasse a congregação e criasse sua própria Ordem (Delumeau, 1997). As suas ideias baseavam-se principalmente na sua teoria dos tempos da cristandade: três idades (quadro 1)   do mundo correspondentes à trindade do cristianismo, o tempo do Pai que teria começado antes da graça com Adão, teve seu apogeu com Abraão e terminou com o nascimento de Cristo , o tempo do Filho que é o da graça , inicia-se com o Rei Orzias , floresce com João Batista e Jesus e estaria próximo do fim , e o último dos tempos o do Espírito Santo que seria o da graça maior , teria começado com São Bento e frutificaria em breve com o retorno de Elias e terminaria com o Juízo Final. Segundo Rosato (2004)  é importante ressaltar que no sentido radical das palavras Joaquim de Fiore não é milenarista por que não fala sobre a duração deste último período e nem é messianista pois não fala sobre a volta do messia, estes conceitos mudam constantemente na sua migração e são reinterpretados a cada nova escala da expansão do seu pensamento e seguidores “joaquimismo”. Fiore fala sobre “um período de descanso da terra” que o vai caracterizar como místico e foco de contestações ao ser citado postumamente   (Delumeau, 1997).

As suas colocações têm merecido, ao longo dos séculos, o estudo de dezenas de acadêmicos e de teólogos. Um exemplo recente é que em 1982 foi criado, na Itália, o Centro Internacional de Estudos Joaquimitas e nas Irmandades do Divino Espírito Santo, nos Açores e em comunidades açorianas no continente americano encontramos, atualmente, um reduto destas ideias. 

 

O joaquimismo apresenta uma maior dificuldade de se pesquisar em português, mas o que se publicaram, basicamente, nos esclarece que suas raízes estão nos textos bíblicos e no Torá e a partir desta informação foi que entramos no campo específico do interesse das religiões. Se ponderarmos que o judaísmo e o cristianismo são as duas religiões predominantes na formação do ocidente, e tem suas divisões do mesmo tronco teológico com crenças predispostas ao milenarismo e ao messianismo fica mais claro o impacto do pensamento também na nossa cultura. Para ambos “o mito escatológico (.) se diferencia dos demais pela pregação de uma purificação e não de uma nova conceção, e este paraíso devolvido não terá mais fim “. O tempo circular da eterna destruição reconstrução dá lugar ao tempo linear sem repetições. Além do mais se insere o componente messiânico articulado com o fim do mundo e a chegada do paraíso. Sobre este aspeto é preciso distinguir entre o que o místico calabrês disse e a sua "posteridade" entendeu, e como foram traçados itinerários filosóficos e religiosos que chegam até aos nossos dias ligados a pensamentos religiosas. O Padre de Lubac que procurou estudar as pegadas do joaquinismo no decurso dos séculos, afirma que "a história da posteridade espiritual de Joaquim é também, e na maior parte, a história das traições ao seu pensamento". Em 1263, no Sínodo de Aries, a Igreja Católica Romana julgou parte das suas doutrinas como hereges e recentemente fez menção ao seu VII centenário de sua morte.