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O ENTARDECER

O ENTARDECER

PODERES INSTALADOS

César das Neves defendeu que os governos cortam pensões e salários em vez de enfrentar as entidades estatais

Os grupos instalados têm um poder enorme em Portugal e nenhum governo conseguiu até hoje enfrentar as entidades do Estado. A afirmação é de João César das Neves e foi feita durante uma conferência que decorreu ontem na Universidade Católica sobre o Orçamento do Estado para 2014. Ali o economista também disse que "só não critica o governo porque outros ainda fariam pior".

Os grupos instalados "não são os ricos", acrescentou, "esses também existem mas são poucos. O problema são aqueles que conseguem manter uma série de benefícios, como por exemplo os funcionários públicos que não podem ser despedidos". O professor universitário considerou ainda que a economia vai estagnar para o ano e que o desemprego vai voltar a subir, reconhecendo por isso que houve um ajustamento.

"O problema tem a ver com o facto de não se conseguir meter de novo a pasta de dentes no tubo. Não se pode mesmo reformar o Estado nem eu estou a prever que se vá reformar o Estado porque é impossível mexer nas entidades instaladas", reiterou.

César das Neves lembrou que para que o ajustamento negociado com a troika tivesse sido feito como foi acordado ainda seria preciso cortar mais 2 mil milhões de euros, "o que poderá pôr em causa o regresso de Portugal aos mercados. "Quando a troika nos visitou em 2011 estava prevista uma redução da despesa pública de 15,7 mil milhões de euros. Em 2014 não conseguiremos muito provavelmente chegar aos 13,1 mil milhões de euros, o que faz com que ainda seja preciso cortar mais 2 mil milhões."

O professor universitário lembrou que o acordo previa que o maior corte tivesse ocorrido logo no primeiro ano, com dois cortes menores em 2012 e 2013, e um quarto, ainda mais pequeno, em 2014. No entanto, a consolidação orçamental começou por ser feita pelo lado da receita e só agora o executivo cortou na despesa.

ORÇAMENTO NÃO IA À ORAL O Orçamento do Estado para o próximo ano, tal como está, dificilmente iria a uma oral da Católica, onde a nota varia de sete a 14 valores, pelo menos para alguns dos oradores da conferência.