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O ENTARDECER

O ENTARDECER

“ OS PARTIDOS “

Por uma cultura de desapego à cor partidaria. PR ouviu duras críticas ao funcionamento dos partidos. Que não só subscreveu como apoiou.

João Morgado Fernandes

DN 3-11-2002

No sistema português, as máquinas partidárias têm um peso atrofiante e excessivo.

Pedro Norton de Matos

Visão 30-01-2003

 

A forma como os partidos têm funcionado tem-se vindo a degradar ao longo dos anos e é perfeitamente castradora da qualidade. A maioria dos portugueses, principalmente os de maior capacidade política e de mais nobres intenções, não tem paciência para uma vida partidária que, ao funcionar nos moldes tradicionais, exige, acima de tudo, vocação para tarefas menores e não para a defesa de convicções.

Muitos com poder, e que estão investidos, conhecendo igualmente o cerne do problema, nada fazem de concreto no sentido da sua urgente revitalização, dentro dos valores inquestionáveis de um regime democrático! Antes, fingem pensar que está tudo mais ou menos bem. 

A reforma do sistema político estará mais na mudança e organização interna dos partidos, do que em qualquer processo legislativo.

É muito frequente ouvir-se falar, relativamente aos partidos, em expressões como, “Sensibilidades”, “Famílias”, “ Tendências” e outras, que como é de supor, a maioria das pessoas traduzem à letra.

Será mesmo assim tão simples?

Parece mais favorável que haja correntes nos partidos, assumidas como tais, o que é muito mais saudável do que insinuações sobre a existência de «clãs», de «famílias», etc.”

Será de crer não poder haver qualquer mal, em um simples cidadão fazer tentativas para compreender o mundo em que vive.

Só assim, ele pode de facto ser um bom cidadão, empenhado e cumpridor. Quem vota é o povo, e salvo se todo o processo eleitoral for uma autêntica farsa, deve fazê-lo com um mínimo de convicção, a bem de todos.

Tomemos por exemplo uma simples frase, retirada de um livro à venda:

 “A importância das práticas e redes clientelares incrustadas nos partidos.“   Quais são as redes clientelares? Têm alguma coisa a ver com os grupos, fações, barões, «lóbis», etc. Se têm, quais os seus efeitos na prática e nos comportamentos éticos dentro dos partidos? Esta é, pois, uma prática sistemática dentro dos partidos, da qual colhem proveito figuras importantes do nosso país, alguns com fama de seriedade e muito prestígio. Não é possível encontrar justificações técnicas, mais ou menos elaboradas ou fundamentadas para tal, pois a motivação é só uma: a defesa de interesses. Grandes e pequenos. Quando a fera mata a presa para a comer, tarde ou cedo irão aparecer os abutres e outros predadores a aproveitar os restos, que para eles são um rico manjar.

Os interesses têm, assim, um leque muitíssimo variado, que vão dos poderosos aos pequenos e mesquinhos interesses. Parece ser evidente que os grandes são a razão de ser das fações, dos barões, dos grupos, das tendências, dos lóbis etc. Os pequenos são a pequena corrupção local, os lugares nas juntas, nas câmaras, a proteção no emprego, o emprego para o filho ou filha etc.

Os interesses servem para motivar e comprar os indivíduos de mais baixa formação moral. Com este quadro, dentro de um partido não pode haver valores. Haverá somente um quadro negro de imoralidade, impossível de caber em quaisquer tipologias do quadro Panebianco.

 

 Os militantes que não desistam de ser honestos, aqueles que se conduzam por valores, ou até outros que insistam em pensar nos problemas das populações, são pura e simplesmente esmagados.

Não é por acaso que Portugal continua na cauda da Europa, apesar das ajudas comunitárias.