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O ENTARDECER

O ENTARDECER

OS CHAVÕES

 

“NEOLIBERAL “transformou-se num insulto ideológico. Quem insulta fica satisfeito, quem é insultado não percebe o que lhe chamaram."

HÁ UMA FORMA PREFERENCIAL de atacar o processo de reformas que o Governo procura levar a cabo. Por um lado, usa- se o chavão «neoliberal». Serve para diminuir a dimensão social das reformas e para apoucar o adversário político. Por outro lado, invoca-se a globalização. (.)

Expresso 10 Agosto 2002

Mesmo depois do que lemos, não deixa de ficar uma convicção profunda de que para a maioria das pessoas as palavras liberal e neoliberal continuam a representar alguma complexidade. Desde o fim da ”Monarquia Absolutista” e daí até aos nossos dias, o significado da palavra «liberalismo» tem servido à política, ao social, à religião etc., mas sempre com oscilações acentuadas e às vezes até contraditórias.

Quanto ao “ neoliberalismo “, poderá significar uma nova versão do liberalismo, mais atualizada, mas de qualquer forma sempre com muita confusão para ser digerida pelos não intelectuais ou , quem sabe , até mesmo por eles.

Sem neologismos de qualquer tipo, o que o mundo precisa de facto, é que a sociedade seja mobilizada, de modo a impor princípios ao comportamento do Estado e dos cidadãos.

Porque a finalidade da sociedade é servir o Homem, e não contrário.

Nesse sentido, não basta inventar “Cimeiras” cheias de boas intenções, enquanto os problemas da humanidade vão aumentando todos os dias as suas já dramáticas dimensões.

 

Assim, o desafio da nossa época será conseguir ajudar a fomentar o progresso económico e social, alterar comportamentos e conceitos, de modo a alcançar uma conduta universalmente válida, para uma sociedade global.

Nessa sociedade, a dignidade da pessoa humana tem de ser garantida pela proteção dos valores morais, pela defesa da justiça, da liberdade pessoal e pelo respeito dos diferentes grupos e classes sociais.

Julga-se que só através da humanização do Mundo é possível tornar a nossa vida mais digna e mais feliz. Na minha opinião, o grande desafio que os órgãos de comunicação social têm pela frente, deve caminhar neste sentido.

Com simplicidade, informar as pessoas. Lutar contra os chavões. 

Num país como o nosso, com 47% de iliteracia, seria importante explicar, com simplicidade, a todas as pessoas, para onde vão e porque para lá vão. Os chavões que se tem vindo a referir, em nada favorecem a existência de uma atmosfera transparente que permita às pessoas acreditarem na sociedade em que vivem. Também, para poderem votar com qualidade e não com o coração, enganando-se sempre, culpando os menos culpados e dando de bandeja o poder aos corruptos, bem-falantes!

O que parece mais atroz, é não se perceber, (a maioria das pessoas), como é que estas burguesias, neoburguesas, hiperburguesias, elites nacionais e transnacionais, se movimentam.

Esse é o segredo que ninguém quer revelar, nem tão pouco desmascarar. Porquê tanto medo em ser claro? Como é que tão subtilmente, mas de forma tão eficaz se manipulam as verdadeiras alavancas da economia e do poder financeiro e político.

Como que se conciliam tantos e tão diversos interesses? Pelo medo?

Diz-se que tudo se deve à capacidade de manipulação da informação, da comunicação social e da gestão do capital, do trabalho e das matérias-primas.

Que se diga abertamente onde assenta essa capacidade de manipulação, de modo a que todos, sem exceção, entendam de uma vez por todas.

Esse deve ser o papel mais importante de qualquer comunicação social e muito principalmente dos governos e partidos.

Continuar a tratar as pessoas como mentecaptos, dando-lhes futebol e pouco mais, não conduzirá a bom porto.

“O senso comum é uma coisa terrível, não percebe nada de leis ou de direito. Só percebe de justiça e injustiça. É um olhar lúcido, sem escaninhos jurídicos tortuosos. E por vezes vê longe o cidadão comum! “