Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O ENTARDECER

O ENTARDECER

O CRESCIMENTO ECONÓMICO

 

Na verdade agarrar nesta palavra isolada, nada nos diz, embora seja precisamente isso que fazem os nossos políticos! Assim, existem vários tipos de crescimento económico, cada um com as suas particularidades, por vezes, determinantes. O PIB (produto Interno Bruto) tem no seu crescimento económico, um valor numérico para cada país. Quando se pretende fazer comparações internacionais o método mais eficaz é o método da Paridade do poder de compra. Ainda existem outras formas de cálculo do PIB que usam a taxa de câmbio, considerados menos fiáveis.

Devemos ainda separar crescimento económico de desenvolvimento económico, o primeiro refere-se ao PIB, o segundo prende-se com outros aspetos relacionados com o bem-estar de uma nação, como os níveis de Educação, Saúde e outros indicadores de bem-estar.

Existem várias teorias de crescimento económico: a corrente clássica (Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus), a corrente Keynesiana (Damodar-Harrod, Kaldor), a corrente neo-clássica (Solow), crescimento endógeno (Lucas e Romer), entre outras mais recentes.

Quando a capacidade produtiva de um país está sendo subutilizada, pode-se obter - mediante medidas governamentais de estímulo - por curtos períodos de tempo, um crescimento causado por uma melhor utilização da capacidade produtiva já existente. Mas esse crescimento de curto prazo, apelidado de voo de galinha, não se sustenta se não for acompanhado, simultaneamente, por novos investimentos na produção.

O crescimento económico, quando medido apenas pelo PIB, pode ser muito desigual de um país para outro.

Isso porque taxas de crescimento iguais de PIB escondem grandes variações na melhoria do bem-estar das pessoas e do seu IDH (que é um método padronizado de avaliação e medida do bem-estar de uma população). Para citar um exemplo, Sri Lanka, Trindad e Uruguai, que tiveram o mesmo declínio na taxa de mortalidade infantil, tiveram crescimentos - medidos pelo PIB - completamente diferentes.

Certos tipos de crescimento, que poderíamos chamar de predatórios, (objetivando uma produção exagerada e muito consumismo), podem levar à degradação ambiental e dos recursos naturais de alguns países, como a Indonésia, a Nigéria e a Rússia e a China, o que por sua vez, pode afetar as perspetivas de crescimento futuro sustentável. Não esquecer a previsível escassez de água potável e de crude etc.

O crescimento é um dos fatores fundamentais na redução da pobreza e na melhora do IDH, mas o seu impacto sobre a pobreza pode variar enormemente. O caso do milagre brasileiro, durante a ditadura militar, é sempre citado como uma década em que o país obteve índices recordes de crescimento de seu PIB, sem que isso tivesse contribuído significativamente para diminuir a sua desigualdade económica.

Perguntado sobre o porquê de existirem tantas diferenças no crescimento entre países, disse Vinod Thomas, o novo Diretor do Banco Mundial para o Brasil (2005):

A razão fundamental é a desigualdade do rendimento , que reduz o impacto de qualquer crescimento sobre a pobreza. As ações que diminuem a desigualdade não só aumentam o crescimento, como melhoram o seu impacto sobre a pobreza. Um maior acesso à educação e um ensino de melhor qualidade são fatores determinantes na qualidade do crescimento de um país...

Outro importante fator que afeta a distribuição da renda são as transferências públicas de recursos – através de programas como a previdência social e outros. Políticas que aumentem o efeito equalizador dessas transferências -- tais como mudanças na alocação de recursos visando transferências direcionadas aos mais necessitados -- contribuem para reduzir gradualmente a desigualdade do rendimento.