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O ENTARDECER

O ENTARDECER

NÃO TER ONDE CAIR MORTO!

 

A notícia de que uma família endinheirada não tinha um único bem em seu nome elucidou-nos sobre o tipo de sociedade em que vivemos, aonde chegámos. Juristas conceituados garantem que é perfeitamente legal um cidadão, ou cidadã, ou mesmo uma família não ter qualquer bem em nome próprio. Nunca tinha colocado a questão da ausência de bens no quadro da legalidade, mas no da necessidade. Acreditava que pessoas caídas na situação de sem-abrigo, refugiados, minorias étnicas não enquadradas como algumas comunidades ciganas podiam não ter nada em seu nome, mas até já ouvira falar no direito a todos os cidadãos possuírem uma conta bancária, um registo de bens, nem que fosse para prever uma melhoria de situação no futuro. Considerava tal um ato de reconhecimento da cidadania ter em seu nome o que pelo esforço, ou por herança era seu. Chama-se a isso “património”, que tem a mesma origem de pai e de pátria, aquilo que recebemos dos nossos antecessores e que faz parte dos bens que constituem a entidade onde existimos.