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O ENTARDECER

O ENTARDECER

LÓBI À ANTIGA

 

Segundo a lenda, um homem terá sido mordido por um lobo, em noite de lua-cheia. Em consequência disto, esse homem passou a transformar-se em lobisomem todas as noites que esta lua aparece. No caso de este homem morder uma pessoa, esta passará a possuir o mesmo feitiço!

A lenda do lobisomem tem, provavelmente, origem na Europa do século XVI, embora traços da mesma apareçam em alguns mitos da Grécia Antiga. Neste, como em muitos outros casos, permanecemos agarrados ao lóbi à antiga portuguesa. Certamente por este facto, a palavra lóbi tem para nós um sentido pejorativo!

Na europa mais desenvolvida, a palavra lóbi assume a forma de um contrapoder indispensável ao exercício de uma plena democracia. É de resto, um recurso de pressionar aqueles que elegemos a prestarem atenção aos interesses de quem os elegeu. É uma profissão regulamentada, com um código de ético claro, publicado aliás no site do Parlamento Europeu.

Por cá, dentro ou fora do parlamento, a palavra «interesses» também está injustamente mal cotada. E isso é injusto, porque ainda falamos de «interesses económicos» como se não fossem legítimos, quando o são. Os lobistas são o braço armado da sociedade civil. Até o Vaticano tem um lobista. Quantos lobistas estão acreditados no Parlamento Europeu neste momento? Mais de 4800 aproximadamente, sendo que o limite é 5 mil. Mas não é só no PE, existem em todas as outras organizações europeias.

Em Portugal, infelizmente, ao fim de quase 40 anos de democracia, ainda não entendemos nada disto! Ou melhor, não quisemos entender. Preferimos o pedido, a cunha, ou o tráfico de influências que não tem nada de transparente. Nisto, como no resto, temos medo da transparência, e esta é uma das razões do lodaçal onde nos encontramos!