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O ENTARDECER

O ENTARDECER

ESTRUTURAS DO ESTADO E VIDA NA ALDEIA

O sistema político autoritário de Portugal não democrático, foi classificado por H. R. Trevor-Roper como conservantismo clerical: «[...] o herdeiro directo do conservantismo aristocrático, derrotado pela burguesia liberal na segunda metade do século xix [...] A Rerum Novarum continua a ser a sua carta régia. [E exemplifica] o ideal conservador da década de 90, no mesmo século: um Estado ordenado, hierárquico, não democrático, corporativo.» 4 Tal como foi esclarecido nos capítulos anteriores, Portugal tornou-se uma eficiente ditadura mercantil sob Salazar e Caetano. A filosofia de Leão XIII, modificada por Pio XI, forneceu a base ideológica para o estabelecimento de um Estado dominado pelas élites mercantis e pelos banqueiros. Este regime era explicitamente «antidemocrático, antiparlamentar e antiliberal» 5 . O objectivo primário dos seus dirigentes era o de estabelecer a ordem e a estabilidade e a procura da ordem e da estabilidade, quer política quer economicamente, ficou a ser a sua marca característica. Sob o Estado Novo, Portugal foi organizado segundo uma série de unidades geográficas dispostas hierarquicamente. A unidade política mais pequena era a freguesia. As freguesias variavam de tamanho e podiam compreender um certo número de lugares, aldeias e vilas. Uma cidade abrangia diversas freguesias. Cada freguesia tinha um órgão de administração local — a junta de freguesia. Um certo número de freguesias contíguas constituíam um concelho, dirigido pelo presidente da câmara, nomeado pelo governo central, e por um conselho municipal (a câmara municipal).