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O ENTARDECER

O ENTARDECER

EM CULTURA

 

E CONSEGUIMOS MUITO

Começámos com o sonho da Feira Cultural na rua e em Queijas, porque quisemos esquecer que um ser humano dificilmente realiza durante a sua vida, tudo aquilo com que sonha. Contudo, tivemos um esboço, para tal sonho que passaremos a descrever: Com palavras amargas, o senhor presidente da Câmara de então e de agora, lembrou o tardar de um projecto de rua que fosse popular, cultural e saboroso, como se diz hoje. Havia nisto, uma tentativa, de reconquistar uma dinâmica há muito arredia de Oeiras, se é que alguma vez esteve seriamente presente. A do TURISMO. Parente pobre, entre os três gigantes turísticos, como o é, por razões diferentes, Lisboa, Cascais e Sintra.

Oeiras pode e deve ter uma palavra nessa matéria. Não o turismo das belezas naturais de Sintra ou das praias de Cascais. Mas um turismo feito de acolhedores recantos naturais, de equipamentos e áreas aptas ao desporto e ao lazer, de mais modelares instalações hoteleiras, do recuperado património arquitectónico e sobretudo de uma consciente e inovadora acção cultural, que marque pela diferença e qualidade.

Apresentar em Queijas, no início deste século, um “Feira de Pintura”, nuclearmente da região, foi a PROPOSTA e SERIA O SONHO.

Esta proposta que consciencializamos ser arrojada, na presença e conhecimentos perfeitos dos condicionalismos de motivação alheia aos meios e exigências culturais e artísticas, específicas da natureza da tarefa assumida, das dificuldades em despertar o interesse do meio para a arte amadora, feita por pintores das associações culturais regionais, ou outras, que neste território radicam.

Responsabilidade consciente e entusiasticamente aceite. Um ensaio polémico, bem o sabemos, alicerçado na forte vontade de fazer esta terra crescer e ser conhecida pela sua ligação a uma nobre causa, como é a das artes. E o nosso concelho também.

Sonho que será realidade construída “pedra a pedra”, com controvérsias, cepticismo, críticas e tantas, tantas vezes, tendo por “argamassa” o sangue e suor do artista.

Alguma inspiração fomos bebê-la empiricamente aos pintores da era impressionista. Como a eles, assaltanos a vontade de vir para a rua, não à procura de um novo conceito de cor, mas para desfrutar do clima ameno e temperado que é o nosso e comungar com toda a população da festa da arte, feita ou exposta em clima de música, ao ar livre, e porque não, castanhas assadas e cachorros quentes.

Terão, pois, razão todos aquelas pessoas que no futuro nos visitarem e disserem em voz alta: “isto também eu faria”. A isto, diremos: “Ainda bem junte-se a nós”! Participe connosco neste convívio humano com a Arte e a Natureza.

Organizar uma “Feira de Arte” na rua não é tarefa fácil, mas acreditamo-lo, também não é assim tão transcendente. Tais eventos podem ser vistos em vários países do mundo, com condições atmosféricas mais desfavoráveis e ambientes humanos menos receptivos.

O realce que se pode dar a uma tela depende muito do seu equipamento, da incidência da luz e da inspiração dos artistas. Mas, tudo isso é ultrapassado no dobro, quando inserido numa festa colectiva, resultante da partilha entre o artista e o público.

A cor é elemento marcante na Pintura, por ser um factor determinante no despertar da nossa sensibilidade, mas, nada, nem ninguém, consegue evidenciá-la como a luz directa do sol.

A simplicidade dos artistas amadores e a sua diversidade de origens, vão emprestar às obras expostas, ou a trabalhar, uma mutação contínua de formas, de expressões e estilos.

Esta “Feira de Arte” será, pois, um pouco de toda a história das várias épocas, desde o Romantismo, passando pelo Existencialismo, até ao Realismo, porque o artista amador é o povo e, como tal, assimilou o essencial,  mesmo empiricamente, das correntes filosóficas e literárias da expressão artística.

Lá estarão nas telas dos nossos amadores, sentimentos como a Candura, a Melancolia, as Sombras Crepusculares e o Amor.

De um modo Existencialista aparecerá o feio, o monstruoso, o mesquinho, o hediondo, e pela mão o Realismo terá a expressão artística, a necessidade de melhor condição humana.

Surgirá também, por certo, a criação Abstracta, sempre inovadora, transmitindo ao público a sua mensagem mais ou menos perceptiva.

O nosso objectivo global é, pois, uma mescla de finalidades, todas elas altruístas e na linha do serviço à causa pública, mas acreditamos que o mais sublime será, pela vivência continuada, permitir que cada um aprenda a captar a mensagem que o artista nos dirige.