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O ENTARDECER

O ENTARDECER

CULTURA COLETIVA DE UM POVO

CULTURA COLETIVA DE UM POVO

Há já dezoito anos que ingressei na volvo, empresa sueca bem conhecida.

Trabalhar com eles é uma convivência deveras interessante. Qualquer projeto aqui demora dois anos a concretizar-se, mesmo que a ideia seja brilhante e simples. É uma regra.

Os suecos debatem, debatem, realizam “n” reuniões, ponderações, etc.

E trabalham com um esquema muito mais “slowdown”. O melhor é constatar que no fim, isto acaba, sempre, por dar resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

RESUMINDO:

1 – A Suécia é do tamanho do estado de São Paulo (Brasil).

2 – A Suécia tem apenas dez milhões de habitantes.

3 – A sua maior cidade (Estocolmo) tem apenas 500 000 habitantes.

Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Devo dizer que não conheço nenhum outro povo com uma cultura coletiva superior à dos suecos. Vou contar-vos uma pequena história, para ficarem com uma ideia:

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Estávamos em Setembro, já com algum frio e neve. Chegávamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da potra de entrada (são dois mil empregados que vão de carro para a empresa). No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tão pouco no segundo ou no terceiro. Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei-lhe:

“Vocês têm aqui lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o parque vazio estacionas o carro mesmo no se extremo …

E ele respondeu-me com simplicidade:

“É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Não te parece?

Imaginem a minha cara! Esta atitude foi o bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

Nota Final: Compare-se este conceito de um cidadão sueco com permanentes atitudes e conceitos, que podemos analisar no PORTUGAL de hoje!

Por exemplo: Gente com emprego certo, bom salário, que faz manifestações de rua ilegais esquecendo outra gente sem emprego, sujeita a despedimentos sumários ou até; milhares de pessoas que pagaram as suas reformas e tiveram de deixar de comprar medicamentos necessários à sua saúde, por terem sido escandalosamente reduzidas etc. Tudo para salvarem o seu país de uma bancarrota que a todos submete a uma profunda “austeridade”.