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O ENTARDECER

O ENTARDECER

BLOGOSFERA E IMPRENSA GRATUITA

Os jornais gratuitos são o único meio de comunicação em Espanha, e parece que no resto do mundo, que conquistam novos leitores.

Os jornais gratuitos, sustentados somente pelos anúncios (será?), conquistaram para as notícias e artigos de opinião, gente que até agora não comprava jornais, com regularidade. Este parece ser o tipo de negócio dentro dos órgãos de informação, que continuará a crescer. A blogosfera com toda a sua comunidade e conteúdos, forma já hoje, um apreciável conjunto composto por quem faz, por quem disponibiliza e por quem lê, e vai conquistando as elites. Trata-se de gente que quer inovar e dificilmente se deixar amarrar.

Esta intensa atividade da Internet, vai conquistando leitores, transferindo-os para si de outros meios de informação, acabando por os ir esvaziando.

As audiências da rádio mantêm-se estáveis, mas a compra de revistas parece em queda.

A imprensa diária das bancas considera os jornais gratuitos uma “ séria ameaça” e embora não se preveja a sua extinção até final da década, ninguém sabe como será dentro de poucos anos.

Hoje, à volta de 70% das notícias publicadas nos nossos jornais são da responsabilidade das agências de informação e ou dos gabinetes de imprensa. As funções dos jornalistas têm deixado de ser ativas na sua tradição. A presença das “Agências de Informação” no controlo da informação, retirou-lhe a diversidade de opinião e colou-lhe uma formatação que satura o leitor. As notícias são todas iguais!

Os órgãos de informação, mediando somente entre as Agências de Informação e os leitores, limitam-se a uma atitude passiva, aceitando a notícia formatada pelas agências de informação, fazendo os jornalistas assessorias políticas e empresariais no âmbito de gabinetes de Imprensa.

Nesta situação passiva a que se remetem, os jornalistas não se encontram tão pressionados, nem tão suspeitos face à promiscuidade, ficando deste modo, tudo isto, para os lados das fontes organizadas de informação. Em países como a Espanha e os EUA a influência destas fontes de informação nos jornais, é muito menor.

As próprias agências portuguesas admitem o seu poder atual de condicionar e influenciar o noticiário dos nossos jornais . Todavia, estes factos, mais a acomodação e passividade da imprensa, estão a abrir crises de representação política e informativa.

De resto, com idênticas crises de representação se está a debater toda a nossa sociedade civil, cada vez mais afastada do pensamento e atitude dos políticos e com menos peso na defesa da sociedade civil. Nota-se uma constante inclinação ideológica na informação disponível, que contagia a opinião pública a favor de preferências de “esquerda” e contamina a sua capacidade de voto democrático, enfraquecendo a nossa democracia.

BLOGOSFERA E IMPRENSA GRATUITA

Por tudo que está escrito para trás, começa a sentir-se nos cidadãos uma enorme vontade de assalto aos meios de informação, visível no desabrochar dos blogs e dos jornais gratuitos. 

Parece, até, ter nascido já o jornalismo do cidadão, em oposição aos políticos e à política, em suma, aos detentores do poder !

É o renascer do desejo da comunidade organizada em rede, abraçada aos valores que lhe são mais caros como a proximidade, a participação e a discussão.

Em boa verdade, uma comunidade cívica é marcada por uma cidadania ativa, com espirito de serviço público e por um tecido social onde reside a confiança e cooperação.

É aberta e transparente mas detesta intromissões, venham de onde vierem, principalmente de uma política estruturada.

A comunidade cívica tem raízes muito ligadas à sociedade civil e as virtudes cívicas alardeadas pela família, a vizinhança, as igrejas e as associações voluntárias em geral. 

Resta, por último, acrescentar aquilo que começa a ser consensual: “ os meios sociais devem ser ainda interativos, apaixonados, livres e promoverem em contínuo o intercâmbio.”

Fazendo, em simultâneo, a denúncia da passividade do jornalismo, do corporativismo, do associativismo e de toda e qualquer promiscuidade com os poderes instalados que tendencialmente os pretendem dominar na mira do voto.

Colaborar sim, mas sem muitas festinhas ou namoros, porque o poder é corrosivo.