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O ENTARDECER

O ENTARDECER

BARRACAS ERRADICADAS

Valeu a Pena

"Foram 15 anos de luta persistente. Foram 15 anos de um total empenho em levar por diante aquela que foi considerada a principal prioridade das políticas camarárias de Oeiras - erradicar do território municipal todos os bairros de barracas e realojar 5 mil famílias que viviam em condições verdadeiramente indignas.

Muitas foram as vozes que se levantaram, então, classificando essa aposta como "impossível de realizar", tendo sido apontado exemplos similares que existiam em outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa.
Contudo, e passado este tempo, o concelho de Oeiras destaca-se com orgulho de entre os seus pares, com a missão cumprida. No espaço de 15 anos, enquanto outros concelhos se debatiam com enormes dificuldades em concretizar metas similares, o concelho de Oeiras avançava sozinho - ainda não existia o PER - naquilo que viria a ser uma peça fundamental para o seu próprio desenvolvimento, aprendendo a lidar com uma diversificada panóplia de situações, criando soluções de âmbito social, desenvolvendo uma política sustentada de erradicação da pobreza extrema.
Neste dealbar do ano 2002, das 5 mil famílias que viviam em barracas, restam realojar 130, uma acção que irá ser concretizada até Março do próximo ano. E, se esta medida teve como prioridade a erradicação dos bairros de barracas do concelho de Oeiras, ela teve, também, uma acção muito directa e positiva em outros campos. Embora exista quem discorde destas afirmações, o certo é que o realojamento dessas famílias originou, num curto período de tempo - repetimos, "num curto período de tempo" - a resolução de outros problemas, como foram os casos da insegurança, do insucesso escolar, do desemprego, da exclusão social. Há 2 ou três anos, no auge dos processos de realojamento, muitas foram as pessoas que atribuíram aos bairros de habitação social a principal origem da criminalidade, apontando o dedo à Câmara Municipal pelo facto de ela ter construído guetos.
Nada mais errado! Com a construção desses bairros sociais, foi possível - para a Câmara Municipal e para as forças de segurança - detectar e eliminar os principais focos de insegurança, protagonizados por um número reduzido de pessoas, o que não teria acontecido se ainda existissem bairros de barracas e aglomerados degradados. Os acontecimentos que, infelizmente, pontuam em locais perfeitamente identificados, são disso prova bastante. Ainda há insegurança no concelho de Oeiras? Claro que ainda há, e a Câmara Municipal de Oeiras tem consciência disso. Como aconteceu em outras alturas, há que dar tempo para que essas situações se resolvam, quase caso a caso.
Mas, como afirmámos, é uma questão de tempo, já que as forças de segurança estão a trabalhar nesse sentido, como já o fizeram anteriormente, com sucesso. Por outro lado, centenas de crianças que viviam em péssimas condições de habitabilidade, primavam pelo absentismo elevadíssimo às escolas, tornando-se elas, também, presas fáceis na proliferação da criminalidade juvenil. Hoje, essas mesmas crianças estão diferentes, tendo, inclusivamente, altos índices de sucesso escolar. Quanto ao emprego e formação profissional, os índices subiram vertiginosamente nesses aglomerados, o que significa dizer que a autarquia optou bem. Se não, repare-se na forma como se conseguiram atingir estes objectivos.