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O ENTARDECER

O ENTARDECER

AS MÃOS DOS NOSSOS IDOSOS

No século XV, numa pequena aldeia perto de Nuremberga, vivia uma família com vários filhos. Para haver pão na mesa, o pai trabalhava cerca de 18 horas diárias, nas minas de carvão ou em qualquer outra coisa que aparecesse!

Dois dos seus filhos tinham um sonho: Queriam dedicar-se à pintura, mas sabiam das dificuldades para o pai lhes pagar os estudos numa Academia.

Em muitas noites de conversa, trocando impressões, os dois irmãos chegaram a um acordo: tirariam à sorte qual dos dois iria começar os quatro anos de estudo na Academia.

Enquanto isso, o outro iria trabalhar para pagar os estudos do irmão estudante. Quando o estudante terminasse os estudos, invertiam-se as posições.

 

Assim foi e Albrecht, propôs começar a vender as suas obras para pagar os estudos do irmão. Deste modo, os dois chegariam a artistas famosos!

As obras de Albrecht, rapidamente se começaram a valorizar. Regressado à sua aldeia, a família realizou-lhe uma ceia festiva. Albrecht, levantou-se e disse:

“ Agora, meu irmão, chegou a hora da tua vez. Sim, agora podes ir para Nuremberga e por quatro anos pagarei os teus estudos.”

Todavia, o irmão levantou-se e choroso, balbuciou:

“ Não meu irmão, não posso ir para Nuremberga. É tarde para que tal possa acontecer! O trabalho nas minas destruiu as minhas mãos. Cada osso dos meus dedos quebrou-se pelo menos uma vez. A artrite na minha mão direita tem piorado muito, de tal modo que não consigo levantar o copo, para o teu brinde.

As minhas mãos não me permitiriam traçar linhas suaves, ou trabalhar com o compasso, ou com o pergaminho! Já não poderia manejar a pena ou o pincel.

Não irmão, para mim é já muito tarde, mas estou muito feliz que estas minhas mãos disformes tenham servido para que as tuas, agora, cumpram o nosso sonho.

Mais de 450 anos se passaram desde esse dia. Hoje as gravuras, óleos, aguarelas, entalhes e demais obras de Albrecht Durer, podem ser apreciados nos museus ao redor de todo o mundo.

Para render homenagem ao seu irmão, Albrecht desenhou as suas mãos mal tratadas, com as palmas reunidas e os dedos apontando o céu. Muitos outros, começaram a chamar-lhe; “ MÃOS QUE ORAM”.