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O ENTARDECER

O ENTARDECER

A MÁQUINA DA VERDADE

 

A proposta que se deixa, é que meditem nesta frase, que parece ser mais do que isso, é uma mensagem a ser entendida, vinda de quem mais não pode dizer.

Vamos continuar a reunir bocadinhos da realidade que, mesmo muito dispersa, tanto nos pode ajudar a gizar, mesmo que fantasiosamente, uma explicação lógica para tantas coisas que nos parecem estranhas.

 

“ Sociedades secretas “

 

“ (.....) Uma sociedade aberta é, por definição, uma sociedade transparente.

Não obviamente, como às vezes se confunde, do ponto de vista da privacidade dos indivíduos, mas na perspetival de que todas as relações e contratos assumidos devem ser públicos. É, além disso, uma sociedade na qual os valores, sejam eles os da liberdade e fraternidade ou os do catolicismo não estão e nem podem estar ameaçados, precisamente porque é uma sociedade aberta, onde se respeitam as convicções individuais, que não prejudiquem o conjunto.

Desse ponto de vista, a confidencialidade da maçonaria ou do «Opus Dei» é claramente contraditória com a própria sociedade. Enfim, fará tão pouco sentido como um partido clandestino. E se é que as leis impedem, pelo menos em Portugal, a atividade partidária de, por exemplo, militares e magistrados, por que razões não podem controlar, ou verificar, a sua filiação em organizações não partidárias, mas com sérias influências na esfera social e política?

Claro que tudo isto é mais complicado do que parece na simples exposição de princípios. Em Portugal sabe-se que muitos dos problemas políticos no interior dos partidos passam pela existência de solidariedades maçónicas ou do «Opus Dei». Mas também é certo que existem teias construídas nos sindicatos, nos antigos alunos de uma Universidade, nos clubes desportivos, nos ex-membros de organizações de juventude e, seguramente, de diversos modos mais ou menos incontroláveis.

Os próprios estados de sociedades abertas e democráticas não se sentem, aliás, suficientemente seguros para prescindirem, por exemplo, de organizações secretas, como os serviços de informação. Porque admitem a existência de ameaças, internas ou externas, cuja prevenção é necessária.  

Do mesmo modo, há quem entenda que determinados valores podem estar em perigo, podem ser postos em causa, razão pela qual vêem a necessidade de uma organização de «guardiães», um autêntico núcleo duro, secreto ou discreto, capaz de resistir e enfrentar os inimigos desses valores e, simultaneamente, disposto a ocupar os principais lugares da sociedade para os promover. (….) “.  

 

                     Expresso - Henrique Monteiro. “