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O ENTARDECER

O ENTARDECER

O MAU E O BOM GOSTO MISTURAM-SE!

Um país de opereta”

“ Sem se perceber bem a origem do mal, o país afunda-se a pouco e pouco, num atoleiro. Os sinais são inúmeros e vêm de toda a parte: do universo do futebol, do mundo da política, da relação dos portugueses com a televisão. A mediocridade banalizou-se, tornou-se normal. O mau gosto alastra. A honra das pessoas perdeu valor. (...) Devo dizer, com toda a sinceridade, que não vejo maneira de mudar este estado de coisas.Não sinto que haja energias suficientes para inverter a situação. Há uma espécie de anomia, de conformismo, que puxa o país para baixo.

Perderam-se as referências. Já não se identifica a mediocridade, o mau e o bom gosto misturam-se, confunde-se a esperteza com a falta de carácter, a ambição com o oportunismo. Portugal afunda-se num charco. A salvação já não é colectiva: é individual.”               

Expresso 21 Set. 2002    

 

OS PORTUGUESES E OS PARTIDOS

Vejamos o que pensam os portugueses dos nossos partidos políticos e da Assembleia da República. Os resultados das sondagens de opinião pública mostram a sensibilidade que as pessoas têm e que anda perto da realidade, quando muito pecando por defeito.

 

 “ OS PARTIDOS políticos e a Assembleia da República são as instituições em que os portugueses menos confiam, ainda menos do que nas seguradoras, revela um estudo sobre a imagem dos serviços públicos encomendado pelo Ministério da Reforma do Estado.

Dados que o Ministério de Alberto Martins interpreta como “ preocupantes do ponto de vista da qualidade da democracia”. E novos “ motivos de preocupação com a saúde do sistema político “ são encontrados quando se avalia o nível de identificação com os partidos: “ Para 53,7 % dos inquiridos não há nenhum partido político do qual cada um se sinta próximo “ . Nesta sondagem realizada pelo Centro de Sondagens da Católica ainda se conclui que as Forças Armadas, a comunicação social e a banca são, em contra partida, as instituições que mais merecem a confiança dos inquiridos “ .                      

Expresso 05 Outubro 2001

 

Em ordem decrescente os resultados foram: Forças Armadas 2.36, Comunicação Social 2.34, Banca 2.17, Ordens Profissionais 2.13, Administração Publica 2.11, Patronato 2.08, Tribunais 1.98, Sindicatos 1.95, Grupos Económicos 1.89, Seguradoras 1.88, Assem. Da Republica 1.86, Partidos Políticos 1. 49!

A credibilidade atingiu um nível tão baixo entre os portugueses, que alguma coisa tem que ser feita. Será que os mais altos responsáveis da nação não se apercebem disto?

A realidade é sobejamente conhecida, mas os responsáveis de todos os quadrantes mais não têm feito do que, como em gíria se diz, assobiar para o lado.

MAIS UMA FUNDAÇÃO

A fundação PREVENÇÃO E SEGURANÇA

 

A relação de Lopes Barreira com a FPS começou com a sua presença na reunião de 2 de Fevereiro de 1999, na sede dos Bombeiros Voluntários de Oeiras, onde os fundadores decidiram instituir um órgão para a prevenção e segurança rodoviária. Na segunda acta da FPS Fernando Lopes Barreira já participou como presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Segundo fontes próximas do processo, a relação de Barreira com Tomé Falcão, presidente da fundação, e Armando Vara, ex-ministro do Desporto e ex-secretário de Estado-Adjunto de Jorge Coelho na Administração Interna, começa precisamente em Bragança, o distrito onde nasceram os três. A amizade de Lopes Barreira com Armando Vara e Tomé Falcão facilitou o convite a Barreira para ser um dos membros fundadores da FPS. 

PRECISAMOS DE NOVOS CAMINHOS E SOLUÇÕES

COMO MUDAR A POLÍTICA “

“ Os políticos resistem o mais possível às mudanças, só as admitindo quando já é demasiado chocante tudo continuar na mesma.

 

“Visão 09.05.01

“O recrutamento de governantes revela que não existe uma elite preparada e disponível para exercer o poder. Ou seja: “ já se anda a rapar no fundo do tacho “. 

 O Independente 21 Junho 2002

 

Existe em Portugal uma organização denominada “Sedes” que muito se tem esforçado na procura de novos caminhos e de soluções para os problemas que atormentam a nossa sociedade. Só que não é nada fácil essa tarefa!

 

TEMOS DE SABER CAPTAR ÉLITES

“ SEDES DE RENOVAÇÂO “

 

“Naquele quarto andar da Duque de Palmela repetem-se as cabeças grisalhas, parcas em cabelos e certezas de um Portugal melhor. Mesmo assim, ali estão, como noutros tempos, dispostos a estudarem o pântano e sobre ele descobrirem uma réstia de fertilidade. Foi na passada terça-feira à noite que a Sedes – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social – voltou a organizar um debate desta vez sobre “ A situação política e económica nacional após as eleições autárquicas “. Na mesa, António Barreto, Pedro Ferraz da Costa, e Rui Manchete, moderados por Rui Vilar. Entre todos alguns traços comuns: a geração, a participação cívica, e uma certa lucidez que o desencanto, o humor e a inteligência favorecem. Sem grandes descobertas ou ideias luminosas a aflorarem todos se interrogavam: Que resposta para tamanha paralisia? “ Encontrar gente muito mais nova “ alguém, entretanto acrescentou: “ É difícil que os partidos o façam “.

Depois da perda do Ultramar, o País ainda não encontrou uma mística, um rumo, alguma coisa não preenchida com a sucedânea da Integração Europeia. O que fazer? Esgotado o tempo do debate, uma voz firme ouve-se no fim da sala. Uma mulher. De talvez 40 anos, pede para falar. Apresenta-se Sofia Galvão, advogada, ali pela primeira vez porque se inscreveu na Sedes. Entre outras considerações... Prossegue:” Há um problema de captação de elites porque os partidos não querem fazê-lo. Querem manter a mediocridade em que se movem. As elites terão de vir de outras formas de apuramento como seja de organizações que a sociedade civil impõe à política. Como a Sedes “.

 

O INDEPENDENTE 21-12-2001

AR FRESCO NA EDUCAÇÃO

 

Sempre que um novo ministro da Educação toma posse, nasce uma esperança. Uma esperança, ainda que ténue, na alteração radical daquilo que tem sido o Ministério da Educação nas últimas décadas, independentemente do Governo ou do ministro que o geriu. As primeiras declarações públicas de David Justino reforçam essa esperança. O novo responsável pela Educação disse, de facto, meia dúzias de coisas que, a serem aplicadas, não deixarão de ser importantes melhorias no sistema. Desde logo, falou na autoridade nas escolas, na autoridade dos professores, palavra e conceito que é preciso reintroduzir no léxico educativo. Depois, defendeu que não é necessária tanta especialização no ensino secundário- e menos ainda no básico, como é óbvio -, o que parece ainda do mais elementar bom senso. Disse ainda: não é a brincar que se aprende, mas sim a trabalhar, coisa que poderá arrepiar os cabelos a certos pedagogos que têm a mania que são modernos, mas que fica demonstrado pelo grau de insucesso escolar em que somos praticamente recordistas (além de que, como frisou o ministro, não é a brincar que se cria a necessária responsabilidade e ética dos trabalhos que serão necessários no futuro dos nossos jovens).   

(...) Disse ainda DJ que as ideias relativistas e pós-modernas que se infiltraram nos programas escolares são, em boa parte, responsáveis pela inexistência de autoridade, de espirito de trabalho ou de cultura científica em muitas escolas de Portugal.

E, de facto se persistirmos, em conjunção com algumas teorias pretensamente inovadoras das ciências da educação (por sua vez influenciadas por uma sociologia bacoca), em afirmar, por exemplo, que todos os saberes se equivalem, que tudo resulta de construções sociais, que não pode haver uma escala de valores definível, chegamos rapidamente à bambochata em que se tornou a educação. 

É um conjunto de ideias que mina a autoridade, que destrói a melhor tradição do conhecimento e que – em última instância – cria gerações de analfabetos sem referências nem valores.”            

 

Expresso 27 Abril 2002

 

Não será nunca demais, insistir na educação que temos dado aos nossos filhos e aos nossos netos, vai para um quarto de século.

Com toda esta permissividade educativa, temos estado a hipotecar o futuro do País e a credibilidade do nosso presente! O poder sindical, interfere demasiado na “educação” paga por todos os portugueses, sem nada poderem dizer! Mesmo sendo os seus filhos os prejudicados. Em Portugal, há milhões de pessoas com muito mais direito a falar (protestar) que os os professores, do ensino oficial português

VALORES IGNORADOS

 “ A Batalha do Comportamento “

 

É na área do comportamento que se trava a batalha mais importante do desenvolvimento. Sem as virtudes do civismo, o homem não é capaz de viver de bem consigo, de conviver respeitosamente com os outros e de se integrar na comunidade de trabalho. Por mais que preguem os paladinos da liberdade absoluta, sempre será preferível ver as crianças rodeadas de educadores, a vê-las mais tarde rodeadas de polícias. Um condenado à morte dizia no momento fatal: «Nunca tive ninguém que me dissesse; “ não faças isso!“.

Como prova de que não estamos no bom caminho, basta atentar no seguinte.

São várias as etapas da desresponsabilização, decorrendo a primeira do apregoado direito de cada pessoa fazer o que quiser. É assim normal, as pessoas embriagarem-se, drogarem-se, prostituírem-se, etc, etc., e ninguém ter nada a ver com isso. Não há satisfação a dar à família, à comunidade, nem aos poderes constituídos.

Temos depois, como segunda etapa, o direito à comiseração geral.

Os que se embrenham em qualquer marginalidade, diz-se, têm direito à compreensão e à tolerância da colectividade. E os apóstolos desta compreensão insurgem-se contra aqueles que ousam censurar os marginais, mas não se abeiram deles a cuidar das suas «feridas», antes se perdem a proclamar que tais situações são fruto das desigualdades sociais, fazendo disso bandeira nas suas disputas ideológicas, perante o silêncio de grande parte da comunidade.

Surge, a seguir, o direito à solidariedade.

Exige-se que o Estado e as instituições da área social cuidem destas pessoas. E pondo-se de lado o tratamento das causas, passa-se a tratar, quando muito e se é possível, dos efeitos. É que tratar das causas prende-se com os valores da dignidade humana e isso é coisa proibida nas sociedades onde se cultiva o direito de cada um fazer o que quiser.

Esta é a terceira etapa da desresponsabilização e porventura aquela que entroniza a marginalidade na vivência da comunidade. Acresce, por fim, imagine-se! a subtileza de os infelizes ainda terem direito ao apoio de muitos que se opõem àqueles que são pela sua responsabilização . Coitados, eles marginalizaram-se por culpa de todos os outros e não por culpa deles! E não ´e adequado complexar os infelizes!

Esta é a etapa da consolidação da desresponsabilização. E lá vamos assim a caminho da desresponsabilização geral.                                              

Quem é que não reparou já na desresponsabilização de altos responsáveis da governação e administração do país?

Esses senhores fazem, nos seus postos de trabalho, o que querem, como querem, e nunca são responsabilizados. Não são demitidos, mas apenas deslocados para outros cargos. E se são governantes, aguarde-se por novas eleições para passarem a deputados. Quem é que os não vê nas bancadas da Assembleia da República?!

Expresso 15-06-02

DEMOCRATICAMENTE IMPENSÁVEL

Votar à esquerda e à direita “, talvez, sempre no partido do coração, não é democrático. Ignorar quem governou bem ou quem governou mal, é democraticamente impensável.

Um povo amadurecido politicamente, tem coragem para votar no melhor candidato ou na sua alternância se for o caso.

Votar sistematicamente por simpatia no mesmo partido, é um mau serviço prestado à democracia.

Tomemos o exemplo da “ Internacional Socialista “ que depois do fim triste da “Internacional Comunista“ era a esperança de muita gente de esquerda. Hoje, as figuras mais destacadas desta organização interrogam-se sobre os seus desígnios e a bondade da sua ideologia.

Isto, enquanto muita gente vota cegamente no seu partido do coração sem sequer se informar sobre quem é o candidato que opõe!

 

A INTERNACIONAL SOCIALISTA

“ A Internacional Socialista tornou-se rígida e arcaica“

 

Tony Blair, bem como outros modernizadores que participaram na sessão de Buckimgamshire, acham que a Internacional Socialista se tornou «ideologicamente rígida e arcaica do ponto de vista organizacional». Os modernizadores neotrabalhistas são de opinião de que a formalidade da Internacional Socialista «inibe as discussões abertas e criativas», especialmente quando se trata de discutir temas considerados heréticos ou de princípio (consoante o ponto de vista) pelos social-democratas. Os tabus que este movimento internacional da Terceira Via quer quebrar são os referentes aos modelos sociais, à privatização dos serviços públicos e à criação de mercados de capitais mais flexíveis. Outras questões-tabu são o crime e a emigração. Nesta área, a Terceira Via Internacional quer importar sem adaptar aos contextos europeus, os debates norte-americanos sobre» guerras culturais».

A este propósito, o artigo que Peter Mandelson publicou esta semana no jornal britânico «Times» é instrutivo.

Nesse artigo Peter Mandelson afirma que «as recentes experiências eleitorais revelam que os partidos do centro-esquerda perdem quando deixam de estar em contacto com os seus eleitores e se recusam a confrontar as questões “culturais».   

A viabilidade das sociais-democracias passa, segundo Peter Mandelson por responder às questões que preocupam o eleitorado como a imigração, o crime e a insegurança económica, e não deixar que terminados espaços sejam ocupados pela direita.”

O INDEPENDENTE 15 – 06 – 2001

 

 

ELEVAR OS NÍVEIS DOS PARTIDOS

É este um problema demasiado importante para, ao lê-lo, poder calar o que penso em matéria tão delicada. Se para tudo, existem hoje " ENTIDADES REGULADORAS", como poderemos admitir e deixar "andar" os Partidos políticos, sem a mínima preocupação com o nível profissional, moral, cultural e de cidadão, como se percebe estar a acontecer com os militantes de cada um?

Estará isto a acontecer em nome da liberdade democrática? Se está, isso constitui um preço demasiado elevado para o país e para as carências que o nosso tem. Também para a própria DEMOCRACIA!

Em primeiro lugar um partido político não pode ser comparado a uma organização cultural, desportiva, etc. Um partido existe é pago pelo Estado para dele saírem pessoas, acima de qualquer suspeita moral e intelectual, que irão dirigir o País, a bem de toda a população.

O problema levantado, não é só de lealdade / liberdade individual! É muito mais lato.

Retirar ao Estado o direito de repor dentro dos partidos (intromissão) um nível compatível com os altos desígnios da nação é, no mínimo, impensável.

Se os partidos são os pilares da República, como admitir deixá-los cair na situação em que estão e que tem sido descrita por gente de muito mérito?

Como pode alguém comandar o País, se foi nomeado para candidato no interior do partido por processos antidemocráticos, se não directamente, pelo menos de forma indirecta, mas com o seu conhecimento? Quem aceita estas situações não tem moral para impor seja o que for aos portugueses!

Altos responsáveis afirmam a existência de “sindicatos de votos”, quotas pagas por outros que não os próprios, atropelos à democracia interna, etc. Sabe-se do afastamento de milhares de portugueses dos partidos por não poderem pactuar com tais situações e o Estado, através dos tribunais não tem o direito e o dever de intervenção? Pode ser perigoso, mas a situação descrita também o é!

Desculpem, mas assim não vamos longe. De facto a qualidade dos governantes tem de ser baixa, para o País ocupar os últimos lugares a nível Europeu.

Comentário para quê? Sem retorno aos valores, não vejo como mudarmos.

O regresso aos valores não se faz de um dia para o outro. Certo.

 

Foram precisos anos para se atingir o caótico estado actual. Correcto!

 

Serão precisos anos para se atingir o mínimo de vivência salutar, baseada nos indispensáveis valores humanos. Mas temos de lutar nesse sentido!

 

Acontecem todos os dias os comportamentos mais execráveis, no domínio da corrupção, do egoísmo, da falta de respeito pelos outros e a generalidade dos cidadãos nem pára para pensar, contínua, aparentemente indiferente!

É assim como nas grandes cidades, uma mãe com um filho ao colo está a ser assaltada e toda a gente, no seu redor, finge que não vê!

Parece que tal situação interessa a muita gente, se reflectirmos convenientemente, não interessa a ninguém.

Quanto à modificação do actual estado de coisas, só sei que ela tem que mudar, como, de facto não sei! Só sei que todos teremos que mudar, a bem de um futuro de melhor qualidade para cada português e cada família! 

 


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