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O ENTARDECER

O ENTARDECER

A PARTIR DE HOJE, NÃO VOU MAIS:

Censurar os erros do passado ... 

Passarei a minha vida a limpo e farei deles a minha aprendizagem ... 

Paciência ...

Continuarei errando, porque só erra quem faz;

 

Criticar ou tentar modificar alguém ...

Mudarei, apenas, as minhas atitudes.

 

Vou mudar para melhor, sabe porquê?

Ganho eu e quem me ama também;

 

Abrir mão dos meus sonhos ...

Lutarei sempre para que eles aconteçam.

Mesmo que eu leve uns bons tombos, vencerei os meus mêdos e continuarei correndo atrás do melhor para mim;

 

Colocar a minha felicidade nas mãos de alguém ...

Vou ser feliz de qualquer jeito.

De preferência, amando quem me ama, tem preocupações comigo e torce para me ver feliz;

 

Passar a vida esperando pelo que desejo que aconteça ...

Vou aproveitar hoje mesmo, enquanto o amanhã não chega.

Aprenderei a curtir cada momento com o que de existe bom, aqui e agora;

 

Ficar com pena de mim pelos meus problemas e tropeços ...

Agradecerei a Deus a minha força e por ter sobrevivido a eles.

Lembrarei sempre que dificuldades, em vez de  castigo, são o melhor estímulo à minha criatividade;

 

Ser pessimista e pensar no pior ...

Ocuparei o meu tempo com algo útil, que me divirta ou que possa ajudar alguém.

Vou esperar pelo melhor, valorizar cada amigo e cada coisa boa que aparecer na minha vida;

 

Despejar os problemas nos ombros dos amigos ...

Aproveitarei a presença deles para me alegrar. (Quando muito, vou vou pedir um colinho ... )

Saberei respeitar e preservar os meus amigos, e, com tanto carinho e benquerença, nunca me sentirei só.

 

Querer ser modelo de perfeição ou copiar o dos outros ...

Vou-me aceitar como sou, e dar o melhor de mim em tudo o que fizer.

Acima de tudo: amar, amar, amar ...

Todos começando por mim!

A PARTIR DE HOJE, VOU VIVER PLENAMENTE, SEM MEDO, E MUITO FELIZ.

                           

 

 

 

 

 

A morte lenta

 

Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista

3:40 Quinta-feira, 4 de Fev de 2010

 

Parece que Portugal está em morte lenta e que o orçamento é a sua declaração de óbito. Mas, ao contrário do que por aí se diz, o putativo cadáver não tem um problema económico irresolúvel. As espantosas quantidades e coincidência dos diagnósticos (e consequentes indicações terapêuticas) que vão surgindo de quase todos os quadrantes ideológicos são a prova disso mesmo. A reforma da administração pública, o abandono da política de grandes investimentos improdutivos e absolutamente supérfluos, a alienação ou encerramento de empresas estatais inviáveis, a reforma da legislação laboral não são, convenhamos, remédios novos nem sequer originais. São apenas algumas das várias medidas de bom senso a que a esmagadora maioria dos economistas portugueses seria capaz de prestar o seu entusiástico apoio. Não é pois de escassez de diagnósticos ou de remédios de que morrerá o paciente.

Observemos então o problema de outra perspectiva. É um anátema, bem sei, comparar os problemas económicos do País aos das empresas. Mas quando nos questionamos sobre a capacidade dos portugueses para implementar, na prática, as reformas económicas de que o País desesperadamente precisa, é interessante perceber que, felizmente, esta capacidade existe no tecido empresarial privado do País. Se é certo que boa parte das grandes empresas do regime vive à sombra tutelar do Estado e espera encontrar neste a resposta para todos os seus problemas, não são poucas as pequenas e médias empresas que dependem, para escapar a mortes bem mais rápidas do que a que se anuncia para a República, exclusivamente de si mesmas, da capacidade dos seus empresários e gestores para tomar medidas difíceis e da dos seus trabalhadores para aceitar sacrifícios. E se durante o ano horribillis de 2009 muitas ficaram pelo caminho, outras tantas deram provas de uma resiliência e de uma coragem que muita falta faria noutras paragens.

O que falta então a Portugal para que escape à sua anunciada "morte lenta"? É, bem sei, um cliché repetido vezes de mais. Mas não deixa por isso de ser verdade. Portugal não tem um problema económico insolúvel. O País não tem escassez de diagnósticos nem de remédios. Portugal não tem, sequer, falta de quem os possa aplicar com eficácia e coragem. Mas Portugal tem, isso sim, um problema político sério. Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista. Portugal tem uma democracia débil e refém de máquinas partidárias que sacrificam qualquer tentativa de regeneração ou de mudança do status quo à desesperada ânsia de auto preservação da sua imensa mediocridade. Portugal tem, por via dessa sufocante pulsão uniformizadora da sua partidocracia, uma total incapacidade de atrair ou de gerar elites e lideranças políticas com verdadeira vontade e capacidade reformista. E sem lideranças, ça va sans dire, não há atracção dos melhores, não há mobilização de energias, não há capacidade de passar dos diagnósticos à acção.

Se alguma coisa nos condenar à morte lenta não será a economia. Será a política. E é bom não esquecer que se o inferno são os outros, a política somos nós.

A ÉTICA NA POLÍTICA

 

A crise política actual, sem fim e sem precedentes, sugere algumas reflexões sobre o problema da ética na política. Nenhuma profissão é mais nobre do que a política porque quem a exerce assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. A actividade política só se justifica se o político tiver espírito elevado e as suas acções, além de buscarem a conquista do poder, forem dirigidas para o bem público. Um bem público que poderá variar de acordo com a ideologia ou os valores de cada político, mas do qual sempre se espera que busque com prudência e coragem, o interesse geral dos cidadãos e do seu país.

A ética, na sua responsabilidade e ação, deve nortear qualquer político, pois ela levará em consideração as consequências das decisões que o político adoptar. A imoralidade quanto aos meios é aquela que resulta de os meios utilizados serem definitivamente condenáveis. A imoralidade quanto aos fins é aquela que se materializa quando falta ao político a noção do bem-público; ainda que o seu discurso possa afirmar valores, ele realmente busca apenas o seu poder ou o seu enriquecimento, ou ambos. Neste caso configura-se o político oportunista, que não tem outro critério senão quanto aos meios para o seu próprio interesse. Há certos casos, em que a imoralidade é apenas em relação aos meios, outros, apenas quanto aos fins, mas geralmente é sempre uma imoralidade tanto nos meios como nos fins, o político sempre usa de quaisquer meios para atingir os seus fins pessoais. Neste caso, temos a imoralidade absoluta, o oportunismo radical.

Quando pensamos nos principais responsáveis por uma crise moral, o que vemos é que poucos foram imorais apenas em relação aos meios, utilizando meios condenáveis como a corrupção e o suborno, mas mantendo-se fiéis aos seus valores e objetivos. A maioria porém, é constituída por políticos que traíram todos os seus compromissos e passaram a adoptar políticas económicas que, até ao dia anterior, criticavam veementemente. Não agiram de acordo com a ética da responsabilidade ou mesmo com a ética de Maquiavel, mas de acordo apenas com o seu interesse, ao se envolverem com os poderosos ou com os que pensam serem os poderosos, aqui e no exterior. O seu único objectivo era, e continua a ser, a sua permanência no poder. Alguns desses políticos acabarão por perder o poder em episódios dos mais lamentáveis da nossa história, mas continuarão a fazer campanha como se não fossem os responsáveis por nada. Mentindo sempre que isso der jeito. Esse tipo de política, porém, tem vida curta nas democracias autênticas. Todavia para o povo traduzem-se, em geral, em muitos anos de penosos sacrifícios para ele próprio!

 

 

A COMPETÊNCIA DA AVALIAÇÃO

 

dono de um talho foi surpreendido pela entrada de um cão dentro da loja.  

Enxota-o mas o cão volta a entrar. Volta a enxotá-lo e repara que o cão traz um bilhete na boca.  

Apanha o bilhete e lê: 'Manda-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor? ' Também repara que o cão tem na boca uma nota de 50 euros.  

Avia o cão e põe-lhe o saco de compras na boca.  

Impressionado e, como estava para fechar, resolve seguir o cão.   O cão desce a rua, chega aos semáforos e, com um salto, carrega no botão para ligar o sinal verde. Aguarda a mudança de cor do sinal, atravessa a estrada e segue rua abaixo.  

O talhante estava perplexo! 

O talhante e o cão caminham pela rua, quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.   Vira-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Repetiu o acto mas ninguém lhe abre a porta.  Contorna a casa, salta um muro e, numa janela, começa a bater com a cabeça no vidro várias vezes, retornando para a porta.  

De repente, aparece um tipo enorme a abrir a porta e começa a bater no cão.  

O talhante corre até ao homem, tenta-o impedir de bater mais no cão e diz-lhe bastante indignado: 'Óh homem, o que é que está a fazer? O seu cão é um génio! ' 

O homem responde: 'Um génio? Já é a segunda vez esta semana que o estúpido do cão, se esquece da chave! '. 

  1. Moral da história: Podes continuar a exceder as expectativas, mas... a tua avaliação depende sempre da competência de quem avalia

 

INFORMAR OU DESINFORMAR?

 

Num mundo em plena transformação e sedento de justiça e de paz, somos convidados à militância a tempo inteiro. Nenhum de nós está dispensado do compromisso individual e ou coletivo em ordem à construção duma sociedade mais justa e, consequentemente, mais humanizada e mais desenvolvida. Diz-nos a história que temos de continuar a lutar pela democratização das relações de trabalho, pela solidariedade entre gerações, pela igualdade entre mulheres e homens, por uma maior justiça social e acima de tudo pela verdade. Lutar só não chega, pode até fazer-nos retroceder se não formos coerentes no caminho a seguir, e não desfizermos tudo que for bom só para sermos notícia!

Fala-se de notícia porque a tomada de consciência da população, na sua grande maioria, passa pela atitude desta maravilhosa arma. A comunicação é um elemento básico da sociedade em geral, particularmente, a televisão.

Para não nos perdermos nos dias de hoje, vale a pena recuar um pouco, e analisar as coisas na sua perspetiva. Vejamos em síntese, duas notícias de 2007 e 2008:

- ESTADO IMPUNE – “As tensões políticas, criadas à volta do poder judicial, agravaram-se nos últimos tempos, sendo a justiça alvo de ataques injustos. Estas ofensivas, estrategicamente concertadas com a minúcia da arte de um relojoeiro, são conscientes e têm uma finalidade política muito precisa. O nosso relojoeiro político, aos poucos, vai descaraterizando os valores da justiça, e retirando condições objetivas ao exercício da função”. (.)RUI RANGEL -10-09-08

COMENTÁRIO COLOCADO NA INTERNET

 

GRUPO DE TEATRO DE QUEIJAS

Bruno Vicente (IP: 83.132.149.18) disse sobre O Mercado de Queijas na Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010 às 18:14:

 

Caro António Reis Luz,

o meu nome é Bruno Vicente, sou Presidente da recém criada PALCODISSEIA Associação Cutural de Queijas. Funcionamos há cerca de 3 anos nas instalações do centro paroquial. Ora andava eu a fazer uma pesquisa de espaços em queijas que pudessem ser utilizados para desenvolvermos as nossas actividades, mormente teatrais, quando me deparo com este seu texto. É um cenário triste e desolador mas para nossa infelicidade, é bem real. Queijas é um dormitório onde nada acontece, com dois mamarrachos bem no seu centro (igreja e mercado) que servem rigorosamente para nada, a primeira tem vindo a afastar cada vez mais os fiéis do seu seio, o segundo... É aquilo que você descreve!
Bem, fica a partilha do desagrado e a espera de dias melhores

 

ATÉ PARECE QUE A JUNTA RESOLVE ALGUM PROBLEMA…… quem gosta de QUEIJAS e percebe o que se passa nesta TERRA e muito lutou por ela, ri, a bom rir, saber que alguém fala da JUNTA como se ela pudesse resolver alguma coisa

 

- SAÚDE MILIONÁRIA –

 

AS Parcerias público-Privadas (PPP) no setor da Saúde vão custar ao Orçamento do Estado, nos próximos 30 anos, 5643.3 milhões de euros, verba semelhante ao investimento previsto para a construção do aeroporto de Lisboa, em Alcochete. Com os contratos de construção de dez novos hospitais e de gestão de dois centros de saúde, os cofres públicos terão uma despesa média anual de 188,1 milhões de euros. Por isso os negócios da área da saúde têm atraído cada vez mais o interesse dos grupos económicos privados. CM 08-09-08 –

Fácil é de perceber que diariamente, qualquer governo ou ministro estão permanentemente debaixo de pressão da comunicação social e das manifestações de rua!

Nos últimos tempos foi possível ver muitos enfermeiros e enfermeiras, manifestando-se contra o governo, alegando demasiado trabalho e cansaço! Chegaram ao limite de falar em muitos milhares de novos enfermeiros que seriam necessários admitir! Estamos na presença de bons gestores, talvez até melhores que enfermeiros! Só não dizem é quem lhes irá pagar. Claro que seria o povo, com mais impostos. Dada a nossa vocação turística, temos muita gente (turistas) no verão em certas regiões e a forma de resolver tudo isto nunca será com mais admissões, mas gerindo o contingente de enfermeiros que existe nas áreas do país que fornecem ao Algarve e litoral turistas no verão, e distribuindo também as suas férias. A reforma do Estado está por fazer devido, exatamente, aos interesses em jogo.

AS DÍVIDAS DOS MAUS POLÍTICOS?

 

SÃO A RAZÃO DE SER DA AUSTERIDADE?

AS DÍVIDAS SÃO PARA IR PAGANDO?

Antes da “Austeridade” já o País estava destruído! Estamos há muito a tentar colocar as contas públicas no máximo com um défice dentro dos 3%, como prometemos fazer no dia em que entrámos para a União Europeia! Esquecemo-nos dos compromissos, só nunca nos esquecemos de receber e gastar (mal) as ajudas financeiras. O que assusta, é como vamos pagar a dívida pública, que é 120% do PIB, é só fazer as contas….

Mais a despesa das PPP dos últimos dez anos, que se vão vencendo por muitos mais anos!

“As derrapagens dos vários défices anuais, já custaram 77 mil milhões de euros!”

Nos últimos dez anos, o Estado português gastou mais 77 mil milhões de euros do que devia e a dívida disparou.

Os défices orçamentais acumulados pelo Estado desde 2006 até este ano já totalizam 52,5 mil milhões de euros, segundo dados da Deloitte, o que perfaz uma média do desvio das contas públicas de quase 5% do PIB anual neste período. Apesar de diversas medidas extraordinárias para mascarar o défice real junto da Comissão Europeia ou da troika, nos últimos anos, a realidade é que a “fartura” do buraco nas contas do Estado é a principal razão para a subida da dívida pública portuguesa, que está hoje a atingir o limite do sustentável e irá ultrapassar os 120 % do PIB já em 2013.

Cada vez que o Estado regista um défice (gastou maios do que recebeu) este tem de ser financiado com o recurso à dívida. A tendência do desvio nas contas do Estado tem acelerado nos últimos anos. Entre 2001 e 2005, os sucessivos défices resultaram numa dívida acumulada de 24,5 mil milhões de euros, refere a Deloitte. Na última década, os diversos executivos gastaram mais de 77 mil milhões de euros do que deviam. Um valor que é responsável por quase metade da dívida actual do país (180 mil milhões de euros). O Governo já anunciou que vai centrar-se no corte de despesa em 2014, uma redução que será feita sobretudo nas prestações com pessoal, duas componentes que representam mais de metade da despesa do Estado.

  1. G. – SOL

A GRUTA DA ROCHA

 

E foi o segundo acto da tragédia que, se não imolou vidas humanas, a poucas terá deixado sem graves prejuízos.

Para completar o pânico que se apodera de muita gente que, durante dois inesquecíveis dias, caminha pelas estradas e caminhos sem rumo certo. Não terá sido possível alertar inteligentemente as populações que se sabia correrem risco? Não sabemos, mas o que afirmamos é que tudo isto foi trágico!”              

No dia seguinte de manhã era a desolação total. O autor destas linhas foi testemunha do pavoroso rescaldo na margem direita do JAMOR, da Rocha ao Estádio Nacional, onde as águas ainda quase tapavam as enormes árvores daquela área desportiva!

Por ali jaziam meio enterrados na lama, seis cadáveres e muitos animais trazidos pelas fortes enxurradas. A Gruta da Rocha ficou quase toda enterrada na lama e no Santuário os vidros estavam todos partidos. Altares e imagens destruídos, as paredes e tectos do Santuário com enormes rachas por onde escorria água no dia seguinte. Umas dezasseis barracas da modesta gente da Rocha, foram levadas pelas fortes e largas torrentes do JAMOR.

O forte do Carrascal, onde tantas vezes, durante a noite, o autor comandou a sua guarda em tempos de serviço militar obrigatório, viu os seus paióis enterrados no chão, serem infiltrados pelas águas da chuva originando uma explosão em cadeia.

Com estragos tão avultados a que urgia pôr cobro, como poderia nos tempos mais próximos alguém pensar nas próximas festas de 1968, até aí primeiro objectivo da Irmandade.

Tudo se alterou e as vontades viraram-se por inteiro para tão grandes, como urgentes, trabalhos de recuperação dos enormes estragos. Em primeiro lugar acudindo aos desalojados que na Rocha eram cerca de vinte famílias sem-abrigo. As portas do velhinho Santuário abriram-se então para albergar tanta gente de mãos vazias, os seus filhos e os parcos haveres não engolidos pelas águas em fúria.

Só depois a Irmandade pensou na recuperação dos estragos no Santuário e áreas circundantes tão duramente atingidas.

Foram tempos de duras canseiras, de muito bater a portas amigas, de empresas da região e autoridades locais, para aos poucos e poucos se conseguir reaver e reconstruir o muito que se tinha perdido.

Só assim foi possível, em Fevereiro de 1968, inaugurar dezassete casinhas em «LUSALITE» e nelas alojar outras tantas famílias que ainda dormiam no Santuário.

Face a tanto sofrimento e canseiras de ordem social, a Irmandade ponderou, e com toda a justeza, fazer chegar ao conhecimento público, não ser possível levar a efeito nesse ano de 1968, a tradicional romagem de fim de Maio, no Santuário da Rocha.

A actividade da Irmandade foi crescendo de ritmo e podia-se ler em cuidado opúsculo tornado público para anúncio das festas de 1969, a seguinte nota de abertura:

" Para quem queira sinceramente descerrar as pálpebras não é possível deixar de verificar a grande transformação porque tem passado a nossa Rocha nos últimos dois anos: o jardim passou de MONTUREIRA a ambiente verde, limpo, sadio e a luz felizmente chegou; o venerando templo acusa o sacrificado dispêndio de largas dezenas de contos de réis, que ao menos susterá a impressionante por que acelerada marcha que vinha fazendo para a ruína, conquanto ainda esteja longe de alcançar o pleno restauro; o ambiente pobre e abandonado das míseras habitações que por lá ainda restam infelizmente, pode ser algo atenuado com a apressada e provisória solução das «LUSALITES» que a nossa Irmandade fomentou com alguns auxílios oficiais e particulares.

Era pois, chegada a hora de as nossas bem antigas Festividades se restaurarem, dever máximo e grave que à mesma Irmandade incumbe, desde a primeira hora da sua existência, (19/09/1883) segundo os seus Estatutos".

(….) Não esperamos nenhuma outra recompensa terrena, senão que todos que até nós vierem se há-de admirar e comprazer. Todos à uma deveremos, convicta e euforicamente, assim o cremos, exclamar: - Temos finalmente, e com toda a verdade, umas Festas! É o que mais cordialmente possível a todos deseja, “A Irmandade".

O forte do Carrascal explodiu

 

E foi o segundo acto da tragédia que, se não imolou vidas humanas, a poucas terá deixado sem graves prejuízos.

Para completar o pânico que se apodera de muita gente que, durante dois inesquecíveis dias, caminha pelas estradas e caminhos sem rumo certo. Não terá sido possível alertar inteligentemente as populações que se sabia correrem risco? Não sabemos, mas o que afirmamos é que tudo isto foi trágico!”              

No dia seguinte de manhã era a desolação total. O autor destas linhas foi testemunha do pavoroso rescaldo na margem direita do JAMOR, da Rocha ao Estádio Nacional, onde as águas ainda quase tapavam as enormes árvores daquela área desportiva!

Por ali jaziam meio enterrados na lama, seis cadáveres e muitos animais trazidos pelas fortes enxurradas. A Gruta da Rocha ficou quase toda enterrada na lama e no Santuário os vidros estavam todos partidos. Altares e imagens destruídos, as paredes e tectos do Santuário com enormes rachas por onde escorria água no dia seguinte. Umas dezasseis barracas da modesta gente da Rocha, foram levadas pelas fortes e largas torrentes do JAMOR.

O forte do Carrascal, onde tantas vezes, durante a noite, o autor comandou a sua guarda em tempos de serviço militar obrigatório, viu os seus paióis enterrados no chão, serem infiltrados pelas águas da chuva originando uma explosão em cadeia.

Com estragos tão avultados a que urgia pôr cobro, como poderia nos tempos mais próximos alguém pensar nas próximas festas de 1968, até aí primeiro objectivo da Irmandade.

Tudo se alterou e as vontades viraram-se por inteiro para tão grandes, como urgentes, trabalhos de recuperação dos enormes estragos. Em primeiro lugar acudindo aos desalojados que na Rocha eram cerca de vinte famílias sem-abrigo. As portas do velhinho Santuário abriram-se então para albergar tanta gente de mãos vazias, os seus filhos e os parcos haveres não engolidos pelas águas em fúria.

Só depois a Irmandade pensou na recuperação dos estragos no Santuário e áreas circundantes tão duramente atingidas.

Foram tempos de duras canseiras, de muito bater a portas amigas, de empresas da região e autoridades locais, para aos poucos e poucos se conseguir reaver e reconstruir o muito que se tinha perdido.

Só assim foi possível, em Fevereiro de 1968, inaugurar dezassete casinhas em «LUSALITE» e nelas alojar outras tantas famílias que ainda dormiam no Santuário.

Face a tanto sofrimento e canseiras de ordem social, a Irmandade ponderou, e com toda a justeza, fazer chegar ao conhecimento público, não ser possível levar a efeito nesse ano de 1968, a tradicional romagem de fim de Maio, no Santuário da Rocha.

A actividade da Irmandade foi crescendo de ritmo e podia-se ler em cuidado opúsculo tornado público para anúncio das festas de 1969, a seguinte nota de abertura:

" Para quem queira sinceramente descerrar as pálpebras não é possível deixar de verificar a grande transformação porque tem passado a nossa Rocha nos últimos dois anos: o jardim passou de MONTUREIRA a ambiente verde, limpo, sadio e a luz felizmente chegou; o venerando templo acusa o sacrificado dispêndio de largas dezenas de contos de réis, que ao menos susterá a impressionante por que acelerada marcha que vinha fazendo para a ruína, conquanto ainda esteja longe de alcançar o pleno restauro; o ambiente pobre e abandonado das míseras habitações que por lá ainda restam infelizmente, pode ser algo atenuado com a apressada e provisória solução das «LUSALITES» que a nossa Irmandade fomentou com alguns auxílios oficiais e particulares.

Era pois, chegada a hora de as nossas bem antigas Festividades se restaurarem, dever máximo e grave que à mesma Irmandade incumbe, desde a primeira hora da sua existência, (19/09/1883) segundo os seus Estatutos".

(….) Não esperamos nenhuma outra recompensa terrena, senão que todos que até nós vierem se há-de admirar e comprazer. Todos à uma deveremos, convicta e euforicamente, assim o cremos, exclamar: - Temos finalmente, e com toda a verdade, umas Festas! É o que mais cordialmente possível a todos deseja, “A Irmandade".