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O ENTARDECER

O ENTARDECER

ENQUANTO OS OUTROS SUBIAM

Assim, enquanto as outras nações subiam, nós baixávamos. Subiam elas pelas virtudes modernas; nós descíamos pelos vícios antigos, concentrados, levados ao sumo grau de desenvolvimento e aplicação. Baixávamos pela indústria, pela política. Baixávamos, sobretudo, pela religião.

Da decadência moral é esta a causa culminante! O catolicismo do Concílio de Trento não inaugurou certamente no mundo o despotismo religioso: mas organizou-o duma maneira completa, poderosa, formidável, e até então desconhecida. Neste sentido, pode dizer-se que o catolicismo, na sua forma definitiva, imobilizado e intolerante, data do século XVI. As tendências, porém, para esse estado vinham já de longe; nem a Reforma significa outra coisa senão o protesto do sentimento cristão, livre e independente, contra essas tendências autoritárias e formalísticas. Essas tendências eram lógicas, e até certo ponto legítimas, dada a interpretação e organização romana da religião cristã: não o eram, porém, dado o sentimento cristão na sua pureza virginal, fora das condições precárias da sua realização política e mundana, o sentimento cristão, numa palavra, no seu domínio natural, a consciência religiosa. É necessário, com efeito, estabelecermos cuidadosamente uma rigorosa distinção entre cristianismo e catolicismo, sem o que nada compreenderemos das evoluções históricas da religião cristã. Se não há cristianismo fora do grémio católico (como asseveram os teólogos, mas como não podem nem querem aceitar a razão, a equidade e a crítica), nesse caso teremos de recusar o título de cristãos aos luteranos, e a todas as seitas saídas do movimento protestante, em quem todavia vive bem claramente o espírito evangélico. Digo mais, teremos de negar o nome de cristãos aos apóstolos e evangelistas, porque nessa época a catolicismo estava tão longe do futuro que nem ainda a palavra católico fora inventada! É que realmente o cristianismo existiu e pode existir fora do catolicismo. O cristianismo é sobretudo um sentimento: o catolicismo é sobretudo uma instituição. Um vive da fé e da inspiração: o outro do dogma e da disciplina. Toda a história religiosa, até ao meada do século XVI, não é mais do que a transformação do sentimento cristão na instituição católica. A Idade Média é o período da transição: há ainda um, e o outro aparece já. Equilibram-se. A unidade vê-se, faz-se sentir, mas não chega ainda a sufocar a vida local e autonómica. Por isso é também esse o período das igrejas nacionais. As da Península, como todas as outras, tiveram, durante a Idade Média, liberdades e iniciativas, concílios nacionais, disciplina própria, e uma maneira sua de sentir e praticar a religião. Daqui, dois grandes resultados, fecundos em consequências benéficas. O dogma, em vez de ser imposto, era aceite, e, num certo sentido, criado: ora, quando a base da moral é o dogma, só pode haver boa moral deduzindo-a dum dogma aceite, e até certo ponto criado, e nunca imposto. Primeira consequência, de incalculável alcance.

O sentimento do dever, em vez de ser contradito pela religião, apoiava-se nela. Daqui a força dos caracteres, a elevação dos costumes. Em segundo lugar, essas igrejas nacionais, por isso mesmo que eram independentes, não precisavam oprimir. Eram tolerantes. A sombra delas, muito na sombra é verdade, mas tolerados em todo o caso, viviam Judeus e Mouros, raças inteligentes, industriosas, a quem a indústria e o pensamento peninsulares tanto deveram, e cuja expulsão tem quase as proporções duma calamidade nacional. Segunda consequência, de não menor alcance do que a primeira. Se a Península não era então tão católica como o foi depois, quando queimava os judeus e recebia do geral dos Jesuítas o santo e a senha da sua política, era seguramente muito mais cristã, isto é, mais caridosa e moral, como estes factos o provam.

Antero do Quental

OS POVOS DA PENÍNSULA IBÉRICA

Antero do Quental

Meus Senhores:

A decadência dos povos da Península nos três últimos séculos é um dos factos mais incontestáveis, mais evidentes da nossa história: pode até dizer-se que essa decadência, seguindo-se quase sem transição a um período de força gloriosa e de rica originalidade, é o único grande facto evidente e incontestável que nessa história aparece aos olhos do historiador filósofo. Como peninsular, sinto profundamente ter de afirmar, numa assembleia de peninsulares, esta desalentadora evidência. Mas, se não reconhecermos e confessarmos francamente os nossos erros passados, como poderemos aspirar a uma emenda sincera e definitiva? O pecador humilha-se diante do seu Deus, num sentido acto de contrição, e só assim é perdoado. Façamos nós também, diante do espírito de verdade, o acto de contrição pelos nossos pecados históricos, porque só assim nos poderemos emendar e regenerar...........

VOTO BRANCO, NULOS e ABSTENÇÕES

 

Há quem afirme: "Antes havia uma diferença entre voto nulo e voto em branco. Hoje, essa diferença não existe mais. Votando nulo ou votando em branco o seu voto não vai ser contado", afirma-se.

Portanto,  votar em branco ou votar nulo é praticamente a mesma coisa, ambas. limpam a consciência de NÃO favorecerem ninguém. 

Bom, e relativamente àqueles votantes que ficaram em casa, provocando uma elevada abstenção? Para já não se falar daqueles que votam num pequeno partido, afim de não deixarem ganhar o partido mais votado. E, depois fazem coligações com um segundo e terceiro, sem que isso seja do conhecimento geral dos eleitores que ficaram em casa ou votaram. Dando como resultado, fazer com que o candidato ganhador não possa ser empossado, ou o seja por pouco tempo dadas as ameaças de que no Parlamento não passarão as suas propostas, sejam elas boas ou más para o País. Em Portugal, nas últimas eleições fizeram com que o candidato ganhador perdesse as eleições … Em Espanha idem, e está à vista um terceiro acto eleitoral, com graves prejuízo para o País.

Note-se que o voto em branco é uma das formas de votar admitida na Lei Constitucional, sendo por isso perfeitamente legítimo. Mas tornando-se um voto de protesto maciço poderá tornar-se uma forma de insurreição moral contra o sistema ou seja: contra a própria democracia fazendo perder as eleições quem afinal as ganhou e pondo no Poder partidos marginais em qualquer país do mundo. Algo vai mal e está moralmente errado. Talvez se pudessem considerar todos no grupo dos não votantes, evitando assim que o ganhador passe a perdedor e o perdedor fique mesmo perdedor. Evitando-se assim comportamentos em plena assembleia, que mais parecem negócios pessoais, longe de actos para bem de todos os portugueses. Tudo isto, também, a bem da democracia.

 

IMPRENSA LIVRE

“Se tivesse de escolher entre um governo sem jornais e jornais sem governo, escolheria sem hesitar a segunda solução”: a frase é de Thomas Jefferson, pai fundador da democracia americana, e Jacques Julliard recordava-a, recentemente, numa crónica no “Nouvel Observateur” sobre as eleições presidenciais da próxima terça-feira.

 

Depois de uma viagem de três semanas através dos Estados Unidos, Julliard chegou a esta constatação perturbadora: apesar dos desastres clamorosos da política de Bush – desde a ocupação do Iraque à situação económica interna – “a maioria dos americanos não vê isso: um filme invisível interpõe-se entre eles e a realidade”. E Julliard cita um dos mais prestigiados comentadores americanos, Paul Krugman, que refere, a propósito, o conceito orwelliano de “controlo da realidade”. Mais concretamente: “A realidade não é ou já não é um dado que se impõe a cada um, previamente a qualquer análise. É um parâmetro da acção política, entre outros, que releva de um tratamento apropriado. Da mesma maneira, prossegue Krugman, Bush e a sua administração conseguiram convencer uma parte da opinião de que as suas reduções de impostos a favor dos mais ricos (1% por cento segundo Kerry) são na realidade medidas populares destinadas a ajudar as pequenas empresas e a classe média”.

 

Julliard considera que “a introdução no interior de um país democrático de processos que relevam da propaganda totalitária, tal como a descreve Hannah Arendt, é aqui uma grande novidade. Ela permite explicar como um povo visceralmente identificado com as liberdades permanece globalmente insensível aos escândalos de Guantanamo ou de Abu Ghraib, ou aos abusos policiais que permitiu o Patriot Act.” Ora, esta situação foi em grande parte favorecida pela permeabilidade dos media à manipulação governamental, mesmo quando esta se revelava particularmente inverosímil e grosseira. Só muito tardiamente é que os media americanos acordaram para a deriva em que, entretanto, tinham embarcado. A extraordinária extensão do actual movimento de apoio a Kerry por parte da grande maioria dos jornais de referência dos Estados Unidos representa, aliás, uma espécie de acto de contrição pelos pecados cometidos. Mas teria sido bem mais avisado que os jornais (incluindo os respeitáveis “New York Times” e “Washington Post”), não se tivessem deixado instrumentalizar pela propaganda e sacrificado os critérios profissionais e o espírito crítico à promiscuidade com as fontes oficiais. Pode haver governos sem jornais, não há é democracia sem imprensa livre. 

Crónica de Vicente Jorge Silva

CANTAS BEM CARRIÇO

 

 

Aos Santos populares que o povo vem venerando ao longo dos tempos, temos de acrescentar neste ano mais dois: S. Jeronimo e Stª Catarina.
Este S. Jerónimo não estudou gramatica nem filosofia.
Mas especializou-se em retórica na Cova da Piedade, em Cacilhas e, se calhar, na Lisnave.
Não deve ter sido nenhum professor famoso como Donato. Mas teve, de certeza, bons mestres como Cunhal, Pato, e Abrantes (seu centroleico). E por isso é um dos que leva o palio da geringonça.
Contra ventos e marés.
Vociferou contra a liberalização dos combustíveis de 2002/2005 feita por Durão Barroso e Paulo Portas. Gesticulou contra a política de direita capitalista que só governava para os grandes grupos económicos e financeiros.
Malhava na união europeia e na troika mais do que o Dr. Santos Silva malhava na direita.
E a verdade é:
Há 6 meses que este S. Jerónimo foi elevado ao altar do poder da geringonça e a lei da liberalização dos combustíveis ainda não foi revogada.
Bem ao contrário. Quando o petróleo baixa este S. Jerónimo aumenta (ou deixa aumentar) os combustíveis;
Há mais de 1 ano que a troika foi embora. Mas quando volta vem com mais poder; a Comissão Europeia e o B.C.E. que nos empresta dinheiro porque podem (mandam) e o governo da gerigonça do Tonho, de S. Jerónimo e Stª Catarina porque deve (obedece).
Esta Stª Catarina do Bloco é, de facto, uma notável intelectual e não nasceu no século IV.
Esta Santa da gerigonça deve ter estudado filosofia e outras ciências. Nas discussões públicas com os filósofos (políticos) superou-os a todos. Como prémio também a escolheram para o pálio da gerigonça. Não sei se irá até ao fim desta procissão socialista. Também não sei se vai descalça a levar o andor…
Se ao longo do caminho o St. António do PS mandar estender uma passadeira ainda acredito que esta Stª Catarina não atire o pau do pálio (para o lado) e consiga levar o andor até ao altar do Rato.
Doutra forma penso que nem o bispo D. Januário nem o general «melena e pá»  hão-de querer ser mordomos desta festa.
Já passou tempo mais do que suficiente para que o povo possa viver melhor;
Já passou tempo mais do que suficiente para que todos os funcionários públicos tenham direito a ter (outra vez) as 35 horas e tiveram;
Já passou tempo mais do que suficiente para que o povo deixe de ajudar os bancos com taxas e taxinhas (infelizmente continuam a ser explorados);
Já passou tempo mais que suficiente para que os grupos (capitalistas) económicos e financeiros pagarem mais impostos:
Já passou tempo mais que suficiente para que as petrolíferas e outras grandes empresas deixem de ter lucros exorbitantes e passem a pagar impostos (como os pequenos).
Já passou tempo mais que suficiente para perguntar ao PCP, aos Verdes e ao B.E:
Então e o Nato?;
Então e a U. Europeia?;
Então e o B.C.E?;
Então e a Troika?;
Então o Tsipras e o Syriza da Grécia?;
Então e o Sr. Hollande e as greves em França?
Diz o povo… «cantas bem carriço…»

COM LÁGRIMAS NOS OLHOS

A instrução primária

A nossa criança não esquecerá nunca o primeiro ano que frequentou a escola primária! A escola era propriedade dos donos da quinta onde vivia e a professora, devidamente certificada, era paga por essa quinta. No final de cada ano, mesmo no primeiro ano da primária, os alunos tinham de deslocar-se a uma distante de 5 quilómetros, onde havia uma escola oficial. Os alunos da oficial, já estavam de férias grandes!

Nela, escola privada, num dia só, tinham de fazer uma prova perante um júri!

Naquele ano, como nos outros, a quinta oferecia aos alunos e professora transporte numa galera puxada por dois cavalos. Porém desta vez os alunos e a professora regressaram todos com lágrimas nos olhos e muita tristeza no coração! A criança de que falamos também, embora fosse o melhor da turma.

Por muito que tentassem compreender não conseguiam. Nos dias seguintes os mais velhos murmuravam ter sido o “chumbo” motivado por vinganças políticas! Teria sido verdade, pois o ambiente no país era de vingança para com os proprietários, por serem proprietários e terem a sua própria visão. Os outros só desejavam que o Estado tudo controlasse! Disto a nossa criança não se esquece. Educação é educação e as crianças não podem ser envolvidas em lutas prenhes de maldade!

Uma rua estreita

 

Por vezes, até uma rua estreita pode ser o futuro que se almeja! As ruas largas têm muitos caminhos onde nos perdemos, a rua estreita, essa mesma, não nos deixa espaço para os desvarios e encurrala-nos até ao patamar que queremos alcançar com justiça. O homem não teria alcançado o possível, se inúmeras vezes não tivessem tentado atingir aquilo que lhe parecia ser impossível!

JULGAR OS HUMANOS

Influenciamos e somos influenciados

Julgar os humanos é atitude que nunca deveremos ter, isso, só Deus o poderá fazer! Mas também nunca deixaremos de, através dos nossos «pensamentos projectados», influenciar os nossos possíveis irmãos receptores, a defenderem a verdade e a justiça, desempenhando todas as lutas contra organizações que, em concreto, façam mal às pessoas directa ou indirectamente.

Teremos de nos lembrar, de que quando projectamos energia para alguém, estamos a criar com isso, um vazio em nós mesmos, vazio esse que, se estivermos ligados ao universo, será imediatamente preenchido.

Uma vez que comecemos a dar energia constantemente aos outros, receberemos sempre mais energia do que aquela que alguma vez poderíamos dar. Veja-se como os passarinhos se alimentam do chão, o dia todo. Os humanos, mesmo de óculos, não conseguiriam enxergar tanta comida perdida pelo

NÓS E A NATUREZA

As estações na Quinta

Com mais ou menos cheias, eram assim os invernos na quinta para os trabalhadores rurais.

Com os borbotes pequenos e verdes a rebentarem nos ramos das árvores, percebia-se que estava a chegar a primavera. Na terra, o rebentar das ervas e plantas fazia levantar a camada de lodo que as cheias lá deixavam. Ouviam-se os pardais nos telhados e outros vão beber água nas poças mais teimosas. Mais tarde andarão entretidos a fazer o ninho.

As extensas vinhas das terras mais baixas, saem das cheias cobertas de uma fina camada de lama.

As embarcações protegidas durante o inverno nas águas calmas da ribeira, voltam ao seu lugar no porto fluvial. Esta estação do ano é na quinta um crescendo de vida! As canas e os salgueiros empertigam-se e ficam viçosos de verde. Não tarda que os trabalhadores se apurem na poda das árvores e vinhedos. Manadas de bois puxavam os arados na preparação das sementeiras, enquanto atrás os alvéolos de pernas "finitas" e cauda comprida, depenicavam os vermes trazidos à superfície.  As trepadeiras que cobriam as extensas paredes do palácio não tardarão a florir. No verão serão o esconderijo e dormitório da passarada.

A FAMÍLIA E O PERDÃO

 

"Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Dececionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. 
O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.
É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença."

Papa Francisco